O Joel Neto costuma dizer que o futebol é guerra. E tem razão: o futebol é guerra. E, como toda a gente sabe, na guerra é suposto valer tudo. Ontem, como na semana anterior, foi exactamente assim. Com uma grande diferença: o Benfica, até ao intervalo, falhou demasiados tiros. Depois do intervalo também. São coisas que acontecem. Por isso, mais do que o golo bem ou mal anulado ou do que o penalty que, bem ou mal, ficou por marcar, estou mais interessado no Benfica de amanhã do que no de ontem. Ontem já passou. Em nove batalhas, perdemos uma. Perderemos mais, é certo. Mas, se continuarmos a jogar como jogamos, o saldo, a final, ser-nos-á positivo. Essa é a grande diferença do Benfica de antes para o de agora: ao contrário do que acontecia anteriormente, não tenho vontade de me queixar, de falar sobre arbitragens ou de supostas malas de dinheiro que andam por aí a circular. Discutir tudo isto é discutir migalhas. E as migalhas, senhores, deixemo-las para o Sporting, que é quem delas tão anda precisado e que com elas tanto se costuma deleitar (esta foi à Santos Neves, hein?!) Este ano, a equipa do Benfica é - tem de ser - superior a tudo isso. Para que, no fim, quando o vôo for picado em direcção ao título, as presas, que serão muitas, sejam esmagadas pelo primeiro embate e nós possamos finalmente reclamar um lugar que é, efectivamente, nosso por direito. O primeiro.
Escrevo tudo isto sem ter tido oportunidade de ver o jogo de ontem. Preferi fortalecer amizades. E, diga-se em abono da verdade, um dos portugueses recebia relatórios actualizados de casa. A perder aos sete minutos, desertei. Por mais que acredite nesta equipa, derrotas - ainda por cima destas - estragam-me a semana. Festas como a de ontem, não. No fundo, ao fim de apenas oito jogos, estava, como Hans Castorp, no topo da montanha. E se descer implicava olhar para a vergonha que é esta guerra de trincheiras, eu, ao contrário do bom Hans, preferi continuar lá em cima, julgando que ninguém me avisava porque já estávamos a ganhar. Mimetizei a guerra do Iraque: nada me garantia que o Benfica tivesse dado a volta ao resultado, mas se alguém mo perguntasse, diria, sem pejo, que massacrávamos. A guerra tem destas coisas. E o amor, ceguinho, também.
Seria desagradável para mim terminar este texto sem dizer que o que me custou nesta derrota foi o adversário. O Braga, senhores, não é um grande. E, se Eusébio quiser, nunca será. Uma ou duas boas épocas não são suficientes para o Olimpo. Quando muito, iniciaram o caminho, como outros, antes deles, já o haviam feito. E cairão, como outros, antes deles, já caíram. O Braga, como "instituição", não me diz nada. É mais um clube que vai mamando na teta estatal, lucrando com o investimento dos outros (lembram-se do naming?). E é assim que se vai tornando Braga, a pouco e pouco, num Guimarães: um reduto de selvagens que, na sua animosidade e,
porquoi pas?, animalidade, não olham a meios para atingir os fins. Ontem, gostaria de poder provar que veio de Domingos (e, provavelmente, de Salvador), a ordem para fustigar Cardozo o mais possível. Começaram por agredi-lo com duas chapadas - que A Bola tão bem mostra na edição de hoje. No túnel, Leone, jogadorzeco irrelevante, terá feito o impossível para o fazer passar-se. Ninguém é de ferro, sobretudo quando agredido cobardemente por animais como Mossóró e o outro verme que aparece na fotografia. Gostava de provar, mas não consigo. Também não preciso. Depois de tudo o que Domingos já demonstrou ser, como "homem" e como treinador, sei, com certeza absoluta, que é verdade. Como também tenho por verdadeiro o baixíssimo nível de António Salvador. Não é de agora. Patetas com aspirações "religiosas" é o que não falta por aí (Domingos que o diga). Salvador é só mais um. E, o que é pior, nem sequer é dos bons.
Aguardo ansiosamente pelo artigo de MST desta semana, apesar de saber, de cor e salteado, o que o senhor vai tem para escrever. Depois de ter reduzido o Benfica a uma equipa a quem ainda faltava o jogo difícil (contra o Braga), MST deleitar-se-á com esta derrota. Ignorará, como eu ignorei, os detalhes. Fará uma alusão qualquer às prestações do Benfica no túnel. E tudo tentará para descredibilizar o Glorioso. Não admira que a Maitê goste tanto do senhor: afinal, facciosismo e ignorância costumam andar de braço dado. Tanto melhor: é só uma casa que se estraga.
Ps. Vi agora a confusão no túnel, que o Ndrangheta disponibiliza no seu blogue. Se repararem, quando o Cardozo leva duas chapadas, o fiscal-de-linha, que está atrás, vê tudo. Ou melhor, não vê nada. Só para esclarecer quaisquer dúvidas.