Como vêem, estamos a lidar com os desafios que se apresentam a qualquer empresa que pretenda singrar. Mas, vamos por partes.
Primeiro, há que olhar para dentro do nosso campeonato. Só poderemos aspirar a algo mais quando retornarmos a ter um papel hegemónico no nosso campeonato; e se bem que somos sempre "candidatos ao título", a prática tem demonstrado que não temos a equipa mais forte, ou o plantel mais equilibrado.
E esta é uma das críticas que mais deveria ecoar pela Luz. Temos, nesta época um orçamento de 26 milhões de Euros (o 2º mais alto da Liga, só atrás do FCP), contudo continuamos a apresentar carências e fragilidades face aos rivais directos. Um exemplo flagrante foram os jogadores contratados no "mercado de Inverno" da época passada. Que mais-valia trouxeram ao plantel? Como todos vimos, nenhuma! Lamentavelmente, nenhum deles tem potencial ou categoria para figurar no onze titular, tendo a maioria sido emprestado a outros clubes...
E num futebol onde abundam gigantes que dispendem milhões, com os quais não podemos competir, o que poderemos fazer para reforçar a equipa?
Formação!
Aqui, estamos perante a chance de matar dois coelhos de uma só cajadada, já que poderíamos reforçar a equipa, e equilibrar as contas através da venda dos talentos que se afirmam.
O exemplo mais flagrante é o Sporting, com a sua Academia, de onde têm saído jogadores como Nani, Moutinho, Djaló, Miguel Veloso, Ronaldo, Hugo Viana. Apesar da política de vendas do nosso rival ser muito discutível, é inegável que entraram verbas significativas nos cofres de Alvalade via venda de talentos.
Neste momento, com a construção do centro de estágio do Seixal, o SLB equipou-se de forma a poder apoiar-se neste pilar; contudo, é necessário não esquecer que estamos 10 (?!?!?) anos atrasados, em relação ao bench-marking, que em Portugal é mesmo a Academia do Sporting.
Assim, o desafio é detectar talentos a nível global (Kaz Patafka, por exemplo), começando obviamente por Portugal, mas não deixando de fazer uma forte aposta nos países lusófonos, deitando também um olhinho aos países asiáticos, muito apetecíveis no que diz respeito ao marketing.
Contudo, para que este vector funcione, é necessário que a política do futebol encarnado passe pela primazia da formação, em detrimento da compra de jogadores. A equipa principal não pode estar vedada aos futuros talentos, que espera-se, irão aparecer num futuro próximo.
Finalmente, a vertente da marca.
A aposta deve passar pela entrada em mercados com potencial seguro, e não volátil. De acordo com um estudo do INE, existem em Angola e Moçambique 6 milhões de benfiquistas! Assim, deveria eleger-se como prioridade os mercados lusófonos, e seguidamente apostar nas comunidades portuguesas. A Ásia, tal como foi dito acima, é um mercado muito apetecível; contudo, é muito volátil no que diz respeito à fidelidade a um clube. Por exemplo, as lojas do Man. Utd. têm vindo a fechar por toda a região asiática.
Assim, em jeito de conclusão, estamos perante os três pilares vitais que poderão levar o SLB (e outros clubes portugueses) a afirmar-se por esse Mundo do futebol. Contudo, parece-me importante construir a casa pelo sítio certo, ou seja, pelos alicerces.
E aí teremos de fazer uma clara aposta na formação. Com uma formação forte, teremos plantel para nos tornar hegemónicos dentro do nosso campeonato, com a criação de um plantel capaz de fazer boa figura na Champions, o que só vai trazer mais reconhecimento à marca, e mais verbas.
Estamos a falar de uma aposta no médio prazo. É nesta perspectiva que os adeptos devem encarar a "empresa Sport Lisboa e Benfica".
Sinceramente, espero que surjam candidatos sérios, para pôr em causa a caminhada triunfante de LFV para a reeleição. Mas não me parece que este candidato possa pertencer a esse grupo...
PS: Se este senhor prometesse um novo preparador físico, e um departamento médico de jeito, eu até votava nele... Aliás, acho que devem ser estas as principais exigências dos associados!
E já que falamos em racionalidade, a equipa não tem demonstrado nada. Já o disse, e repeti-lo-ei sempre que necessário, Fernando Santos não tem estaleca para o Benfica, e isso é cada vez mais evidente. Se as coisas se agudizarem, cabe a LFV, em última instância, tomar a decisão "racional" e retirar a "fruta podre da cesta".
Não me parece que os jogadores dêem grande apoio ao treinador, e o tenham em grande consideração, por mais palavras de conforto que lhe possam endereçar.
Lembrem-se que cada vez que um treinador recebe muitos apoios da direcção, está mais próximo da porta de saída!
De resto, o jantar foi aproveitado para recordar os presentes e os que seguem o SLB da "obra feita", no que respeita ao complexo desportivo da Luz (pago dentro de 4 anos ?!), e em 5 anos, a dívida fica saldada. Tal como São Tomé, ver para crer.
Mas este é um aspecto em que não se pode, nem deve, tirar o devido mérito à capacidade de LFV em recredibilizar o Benfica. Nem tudo foram espinhos, é verdade!
PS: já repararam que ainda não se ouviu uma palavra do gestor para o Futebol, desde que foi anunciada a recandidatura, se não estou enganado. Será que a dupla dinâmica LFV-Veiga tem um final anunciado?