É. E que tarefa inglória me coube? Vejamos: os caros colegas já analisaram o jogo, os olés, os golos, os frangos, o árbitro... enfim, parece que está tudo. Portanto, em nome do bom senso, eu deveria abster-me de escrever fosse o que fosse. Não quero incomodar, de modo algum, os rapazinhos que andaram ontem a correr em Braga. Nem o camarada Olegas, esse distinto e inimpugnável árbitro de futebol. Inimpugnável? Mas isso só serve para os actos administrativos, comentarão os mais atentos. Errado, responderei eu. Também serve para os regulamentos e para várias decisões da Administração. Ou seja, quando o Governo ou uma Câmara Municipal toma uma decisão perfeitamente idiota e descabida, ao estilo de Scolari, impugna-se a dita idiotice. Quando já não se pode, porque já se ultrapassou o período correcto para o fazer ou por que, numa hipótese meramente hipotética, o Presidente da Câmara já aceitou a doação do empreiteiro, que consistia no último andar do prédio a construir (hipoteticamente, claro!), a coisa diz-se inimpugnável. Ora, se substituirmos o Governo por um par de tipos que resolveram, a determinada altura das suas vidinhas, dar à luz uma acção, temos o amigo Olegas. Que é inimpugnável porque, como se verá no referendo de Janeiro próximo, tais imbecilidades só se impugnam nas primeiras seis semanas de "vida". Depois, o Código Penal já proíbe. Infelizmente. Assim, os meus quase-
wet-sonhos da madrugada de hoje, que consistiam num espancamento vil dum boi preto (com laivos de amarelo), começando com uma estalada no focinho do bicho, seguido duma bela murraça nos cornos e, ao jeito de
grand finale, um valente pontapé na fruta, são todos legais enquanto ninguém resolver metaforizar. Aí, sou capaz de perder o Norte. Certamente, devido à quantidade colossal de vitamina que não ingeri por não ter tido acesso a fruta nos últimos tempos. Mas não se preocupem os leitores: o meu médico diz que uns cafés com leite e muito açúcar resolvem o caso. E pelo meio ainda me receitou uns caramelos.
Mais a sério, o Benfica não jogou um caracol. Como o Jota esclareceu, e bem, só uma cambada de libertinos sifilíticos (ou "sinfínlinticos", como dizia o veterinário do meu Bobby... ou seria do Tareco... já nem sei... Tenho mesmo de chupar uns rebuçadinhos para a memória!) é que permite tal vergonha quando veste a camisola do Benfica. As coisas já não são o que eram. A equipa comportou-se de forma ultrajante, jogando como o FC Porto do século XX ou como o Sporting de há dois anos. Fernando Santos terá sido o culpado. Até aí, nada de novo. Ele é sempre o culpado. E achava eu que já se notavam uns altos no baixo ventre. Nada disso. O losango continua. E Rogério Gonçalves, com aquele gelzinho de camelo no cabelo, soube aproveitar as enormes deficiências que daí advêem. O problema continua. E a chapa 3 também. Mais uma derrota, mais três golos sofridos. Três inacreditáveis golos sofridos. Todos resultantes de erros graves. O primeiro fica para a história. Como dizia a minha mãe, Quim parecia o sujeito daquela música tradicional, o patego que olha para o balão a voar. Nélson, na jogada do segundo golo, tentou que os adeptos perdoassem Miguel. E Ricardo Rocha pretende ver satisfeito o seu desejo de ser posto na rua, rapidamente e em força. Esteve mal no segundo, esteve ainda pior no terceiro.
No entretanto, o décimo segundo jogador, um tal de Benquerença, ainda engrossou a vista a uma agressão a Simão, punindo Maciel com um cartão amarelo. Percebe-se. Obviamente, quem tem vista grossa e não usa gáfias, como é o caso, jamais conseguirá ler os regulamentos da FIFA sobre punição de agressões. Claro está que, quando Miccoli violentamente pediu a sua atenção dando-lhe um enxerto de pancada nas costelas, para o avisar da (tentativa de, não cheguei a perceber) cotovelada de que tinha sido vítima, já Benquerença resolveu afinar a vista, de tal forma que até foi possível inventar uma regra fresquinha. Tipo sumo. Minute-made. E lá levou o italiano com caruncho nos sobrolhos outro amarelo.
Just in case.
Se há personagens dos quais abomino falar, são os árbitros. Quando olho para eles não consigo deixar de imaginar um servente de pedreiro pateta, com camisinhas Lacroste compradas no Relógio e pulseirinha de ouro herdada do papá, dissertando sobre o Classe E do patrão. Naturalmente, e para salvaguardar a honra dos serventes de pedreiro, tal só acontece por causa da condição bipolar dos ditos. De um momento para o outro, um vulgar servente transforma-se num semi-deus, com poder para fazer o que lhe dá na gana e até para usar aquela mariquice maravilhosa que o ajuda a comunicar com os gajos do pau feito, vulgarmente conhecidos por fiscais de linha. No fundo, no fundo, os árbitros não passam de porteiros de discoteca com coletes fluorescentes. Mas, maravilha das maravilhas, no dia a seguir é tudo igual e lá têm eles de voltar para o cimento, para os canos e para todas essas imbecilidades em que trabalham que lhes permitem ter como hobby uma incompetência profunda para vingar na vida. Enfim,
c'est la vie.
Resumo rápido: o Benfica perdeu, perdeu bem e meteu nojo, de tão bem que perdeu. Razão tinha Luis Filipe Vieira. Recebem todos os meses, a tempo e horas, e não fazem um esforço para honrar a camisola. O habitual. Talvez tenham de começar a atrasar os pagamentos. Ou a introduzir mais contratos por objectivos. Ou a chamar-lhes imbecis, incompetentes, incapazes, burros e calhaus com olhos, porque é mesmo isso que vocês são. E anda aqui a mãe dum gajo a pagar as quotas. [Palavrão começado por F].