origem
Sexta-feira, Março 30, 2007
Coentrada em tons vermelhos
A confirmar-se tal notícia, só devemos estar satisfeitos.
Primeiro, porque é sinal que o nosso departamento de prospecção está de olho aberto, em Portugal e por esse mundo fora; depois, parece que assegurámos um bom jogador (pelas exibições nas Selecções jovens e pelo que tem feito no Rio Ave) ,a um custo bastante baixo (fala-se num milhão de Euros); a cereja no topo do bolo é termos conseguido adiantarmo-nos ao Sporting, que andava de olho no Fábio Coentrão à algum tempo.
 
por Jota às 13:46 | Link | 8 tragédia(s) escrita(s)
Domingo, Março 25, 2007
O poder da trivela

 
por Jota às 11:42 | Link | 5 tragédia(s) escrita(s)
Quarta-feira, Março 21, 2007
Um Desejo
A 11 dias do jogo contra os Bimbos, só tenho um desejo: Que não passem a dizer deste jogo, o mesmo que, cansativamente, continuam a dizer do jogo com o Estoril...
Ridículos.
 
por Mavs às 22:43 | Link | 2 tragédia(s) escrita(s)
Olhó sabonete!

"Cafezinho com Leite"
 
por Jota às 22:22 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
Sonho de uma tarde de Primavera
«As pessoas têm o seu orgulho e algum dia ele [Cristiano Ronaldo] corre o sério risco de sofrer uma entrada dura que o coloque fora dos relvados durante muito tempo.»

George Boateng, capitão do 'Boro
 
por JAS às 17:02 | Link | 7 tragédia(s) escrita(s)
Terça-feira, Março 20, 2007
Antevisão do Inferno

No próximo jogo, espero que seja assim.
Vamos estar por lá!
 
por Jota às 22:06 | Link | 0 tragédia(s) escrita(s)
SportTv e MST em conluio?
No sábado juntámo-nos para assistir o Sporting-Porto, e lá no fundo, torcer por uma vitória dos nossos vizinhos. A coisa não estava fácil, e ainda que os leões fossem apresentando um melhor futebol, não conseguiam transformar essa superioridade em vitória.
Por isso, foi com natural alegria que o golo de Tello foi recebido (pela primeira vez na vida, festejei um golo "verde"; Mavs, estaremos a perder qualidades?).
Feita esta introdução, vamos ao que interessa.

É particularmente penoso assistir a um jogo transmitido pela SportTv. Tudo o que era azul era fantástico e brilhante, por isso o resultado final deve ter soado a banhada.
Por isso, toca de aproveitar a última jogada do jogo, um lançe ridículamente patético na área do Sporting, supostamente faltoso, entre Pepe e Polga, e que o realizador optou por repetir até à exaustão.
Aliás, o mesmo serviu para encerrar os comentários das estrelas (??) Secretário (ao que parece, considerado a pior contratação alguma vez feita pelo Real Madrid) e Nélson (o antigo guarda-redes, que esta época jogou no Setúbal). Secretário, claramente em defesa do Papado, jura a pés juntos que estamos perante de uma falta flagrante (?!?!).

E apartir deste momento foi claro como água que MST já tinha tema para esta semana. E, de facto, não errei por muito. Ainda que não ocupando lugar central na diatribe de hoje, o lançe lá surge como uma das três falhas do árbitro.
A quem possa interessar, as falhas de Pedro Henriques foram as seguintes:

  • fora de jogo mal tirado a Quaresma, quando este ia ficar isolado; claramente, má fé do árbitro... este tipo de jogada nunca acontece, nem em Portugal nem em lado nenhum;

  • a jogada que dá a falta que origina o golo de Tello é uma simples carga de ombro; ainda que Pedro Henriques seja conhecido por ter critérios largos, à inglesa, acho que o atropelamento que Polga sofre por parte de Postiga (podem ver aqui, por volta dos 55 segundos) tem de ser sancionado;

  • finalmente, o tal lançe. MST descreve-o da seguinte forma:
    "...vê-se o Pepe a armar o remate à baliza e vê-se o Polga a entrar (de pé em riste) ao conjunto Pepe-bola; a seguir, vê-se o Pepe a levantar voo como um pião (e ele não é homem de fitas ou simulações), e vê-se, sobretudo, que a bola não se mexe do mesmo sítio. Como é que o Polga jogou a bola, se ela nem se mexeu?..."
    Com grande pena minha, não me foi possível arranjar o vídeo do lançe( aliás, se alguém o tiver ou o descobrir, avisem-nos via e-mail para o podermos postar). Aparentemente, só MST viu polémica aqui, porque a jogada não aparece em nenhum dos resumos transmitidos na televisão.
    Tal como disse acima, a jogada é tão ridícula que não merece disputa. Pepe tenta rematar, vê Polga a lançar-se em carrinho (um pé à frente, com o joelho contrário flectido), e vê o seu remate cortado. Aí, decide teatralizar e rodopiar para se mandar para o chão.
    Por aquilo que recordo, nenhum outro jogador do Porto reclama, para além do actor principal.

  • Já é normal MST conseguir interpretar as jogadas desta forma tão própria. O que é de lamentar é que a SportTv não consiga manter uma linha de imparcialidade, e assuma de forma tão visível uma cor clubística. O que é de mais enjoa!
     
    por Jota às 21:11 | Link | 0 tragédia(s) escrita(s)
    Missão Cumprida
    Impunha-se ontem, na Amadora, uma vitória que nos deixasse a 1 ponto dos labregos, pois, com a ajuda lagarta no sábado (o que ouvi dos comentários dos sportinguistas hoje foi, e passo a citar, "foi bom termos ganho ao Porto mas, para oferecermos o campeonato aos lampiões, mais valia até termos perdido"), passámos a depender só de nós (mesmo com um hipotético empate na Amadora). Ainda assim, entrámos péssimamente. A equipa não foi capaz de dominar o jogo e, frente a um Estrela que se limitou a defender (o que, diga-se, até consegue fazer razoavelmente bem), o "espectáculo" foi horrível. Na segunda parte - e após a entrada do João Coimbra (para o lugar do desinspirado Derlei, que deve pensar que aquilo que fez pelo Porto chega... o que é estúpido, até porque só o fez por razões que a Procuradora Morgado está a investigar) e a consequente mudança táctica (se, por muito mau que o losângo é, se tem estado a resultar... porquê inventar?), começámos, verdadeiramente, a jogar futebol. Talvez isso tenha acontecido também com a mudança de atitude dos jogadores que, literalmente, ofereceram a primeira hora de jogo a não-sei-quem... Mas só ao minuto 81 o "grande Petit" voltou a a marcar um golão. É certo que beneficiou do facto do Estrela se ter "esquecido" de fazer barreira, ainda que o remate seja efectuado quase do meio-campo. Até ao fim, controlámos o jogo e nem aquele atraso do Anderson (que péssimo jogador...) ao negligente Moretto (que ainda, em duas ou três bolas, conseguiu dar uns sustozinhos) fez-nos não ganhar. Destaque, por último, para o Nuno Gomes. Como é que é possível O Avançado do Benfica falhar golos daquela forma absolutamente ridícula?! O pior é que não há outro...

    Classificações:
    Moretto - 5 (Sorte a dele de não ter sido chamado a fazer uma única defesa digna desse done. Ainda assim, conseguiu que um jogador do Estrela, ao falhar um pontapé-de-bicicleta, atirasse ao poste...)
    Nélson - 5 (Mais um jogo que demonstra a sua péssima forma.)
    David Luiz - 6(Definitivamente (muito) melhor que o Anderson. Todavia, na segunda-parte complicou nalguns lances.)
    Anderson - 4 (Aquele atraso ao Moretto demonstra bem o seu péssimo jeito para a profissão de "jogador de futebol".)
    Léo - 4 (O seu pior jogo desde há muito pelo Benfica.)
    Petit - 9 (Novamente a figura do jogo. Esteve em todo o lado e marcou novo golão.)
    Simão - 8 (Só melhorou quando começou a jogar pelo meio.)
    Karagounis - 7 (Também só melhorou quando começou a jogar a interior-esquerdo.)
    Derlei - 4 (Não me convence. Acho que o seu tempo já passou. Só espero que, ao contrário do que se fez com um "banana" chamado Marcel, não o tenhamos que o comprar)
    Miccoli - 7 (Jogou bem melhor do que nos últimos jogos. Iá marcando um grande golo.)
    Nuno Gomes - 6 (Por melhores tabelinhas que faça, há certos golos que um ser humano não pode falhar. Quanto mais um futebolista. Reformulo: um futebolista do Benfica.)
    João Coimbra - 7 (Coincidência ou não, foi aquando da sua entrada que o Benfica "entrou em campo")
    Mantorras - ... (Uma entrada à-joão Coimbra há uns jogos atrás.)

    Melhor em Campo: Petit
    Árbitro - João Vilas Boas - 8 (Parece que, dum momento para o outro (e esse momento foi a nomeação da Procuradora Maria José Morgado), afinal, até sabem arbitrar...)

    P.S.- Lá conseguimos que o Simão não tivesse levado um amarelo, ainda que aquele lagarto insuportável de nome Valdemar Duarte, tenha desjado ardentemente que, na substituição, o Simão tivesse levado amarelo por "estar a abusar na tentativa de queimar tempo", como ele disse. Que palhaço.

    P.S.2- Tão bom ou melhor que a vitória é esta notícia (Luís Filipe Vieira quer tornar Simão num símbolo do Benfica e está disposto a abrir um regime de excepção para segurar o capitão. ) Temos de ter capacidade para segurar os nossos melhores jogadores (e não os vender ao desbarato como os lagartos fazem). E é bom que comece pelo nosso melhor jogador de todos.
     
    por Mavs às 02:11 | Link | 4 tragédia(s) escrita(s)
    Domingo, Março 18, 2007
    A verdadeira pressão
    A vitória do Sporting sobre o Porto demonstra que Vitor Serpa pecou por antecipação. Não foi nos jogos diante do PSG que o Benfica teve de demonstrar a sua capacidade para lidar com momentos que, quando aproveitados, decidem campeonatos ou competições internacionais. Não foi contra o Leiria que o Benfica necessitou de ser implacável e frio. Não. Esse momento chegou agora.

    Este, sim, é um verdadeiro exame à capacidade de resposta de um clube que tem um cêpo como treinador. Todas as condições são desfavoráveis ao Benfica, a não ser aquela que ele pode, por si, criar. Esta é a ironia da dita. Quanto maior a pressão, maior o prémio. Pior: ninguém pediu para que tal acontecesse, mas todos desejavam ardentemente que o Sporting fosse às Antas roubar pontos. Ou seja, a situação de pressão, normalmente tida como negativa, assume contornos deveras recompensadores para quem souber ultrapassá-la. Pergunta decisiva: saberá o Benfica?

    A resposta não pode ser fácil. A vitória também não. O Estrela tem, a seu favor, diversos factores. Para começar, joga em casa (que bom seria que aquele "pelado" asqueroso da Reboleira fosse interdito e o Estrela se visse obrigado a ir, novamente, à Luz). Parecendo que não, é um factor com relativa importância. Depois, está consciente de todas as dificuldades do Benfica. Por um lado, David Luíz tem-se queixado de dores no adutor, logo não está na plenitude das suas capacidades. Por outro Katsouranis não joga. Para piorar, Simão tem de ter cuidado extremo. E, horror dos horrores!, na baliza vai estar o Franguetto. E já não adiciono à lista a extrema ansiedade que Fanã vai passar aos jogadores com a sua estratégia de marcar muitos, muito cedo, para poder ir logo a correr tirar o Simão e os outros que estão em risco de ser suspensos e, quiçá, algum árbitro carente de vitaminas essenciais e, por essa razão, necessitado de ingerir muita frutinha.

    Os jogadores terão de ser, acima de tudo, extremamente responsáveis. Há uma ideia que Fernando Santos deve, a meu ver, tentar transmitir aos jogadores desde já: não haverá jogos fáceis até ao fim do campeonato, mas, pela primeira vez em onze anos, o Benfica depende apenas de si, depois de um campeonato onde, ao contrário do último ganho, não fica a dever nada a ninguém. Não pode haver lugar a cotoveladas e a comportamentos irresponsáveis. O Benfica pode ser campeão. Mas, para isso, terá de ultrapassar todos os exames sacrificiais que possam surgir em tempos vindouros. E aí, se for verdadeiramente um Benfica "à Benfica", nada poderá obstar ao seu sucesso. Nem o regresso daquele labrego brasileiro de dezoito anos à equipa do FC Porto.

    P.S. - Parabéns ao Sporting. Finalmente honraram o nome da cidade e da região a que pertencem. Estava difícil, chiça!
     
    por JAS às 12:06 | Link | 6 tragédia(s) escrita(s)
    Sexta-feira, Março 16, 2007
    Vindo do Céu...
    ... o penalty. Não vou tão longe nas críticas como fez o Jas no post anterior mas, ainda assim, reconheço que as mesmas são, praticamente todas, fundadas. Foram 60 minutos de pura vergonha. Começou logo (muito) mal com a escolha do guarda-redes. Sinceramente não percebo a opção pelo Marcelo (Moretto), em detrimento do "nosso" Moreira. Será que, devido ao espectáculo ridículo da sua contratação, tem de jogar? Será que o engenheiro estava já a pensar nos penalties? Será que o engenheiro estava a gozar com todos os adeptos benfiquistas? Ou será, simplesmente, o facto do engenheiro ser uma besta e não perceber nada de futebol?
    Após 30 minutos de grande qualidade - em que marcámos 2 grandes golos - Anderson é novamente (e estupidamente, diga-se) batido (à imagem do jogo da primeira-mão, também do jogo com o Paços, etc, etc) e, na ausência de Quim mas, principalmente, na titularidade de Marcelo, sofremos o golo do PSG. A partir daí, esqueçam: com a equipa absolutamente de rastos (Katsouranis que o diga), praticámos o pior futebol da época e, se não fosse um penalty absolutamente vindo do céu, iríamos a prolongamento com o segundo-classificado-do-campeonato-francês-invertida-a-tabela-de-classificação!
    Foi, de facto, um péssimo jogo, na maior assistência da época. E a culpa, senão toda, é em grande parte do engenheiro.

    Moretto - 3 (Quando é que será que este tipo é posto, definitivamente fora do Benfica? Podia, inclusivamente, levar o treinador com ele... Nós, adeptos, agradecíamos...)
    Nélson - 3 (Sem substituto, temos um grave problema para resolver nesta posição.)
    David Luíz - 7 (Novo bom jogo, a provar que, quando o Luisão estiver recuperado, deve continuar a titular.)
    Anderson - 4 (Não é embirração mas tem sempre culpa nos golos que o Benfica sofre e naqueles que não sofremos só por puro milagre)
    Léo - 6 ("arrancou" bem um penalty, já na fase do desespero.)
    Petit - 8 (Grande exibição. Grande golo.)
    Katsouranis - 4 (O pior jogo com a camisola do Benfica. Está de rastos e todos vêm isso. Excepto o engenheiro.)
    Karagounis - 6 (Se é que saíu lesionado, a sua ausência notou-se de sobremaneira...)
    Simão - 7 (Mau jogo mas, no momento da decisão, pode-se sempre contar com ele.)
    Nuno Gomes - 6 (Continua ridículo na finalização. Ainda assim, excelente assistência para o primeiro golo)
    Miccoli - 5 (Em péssima forma.)
    João Coimbra - 5 (Entrou razoavelmente bem mas não o suficiente para fazer esquecer o Karagounis)
    Derlei - 6 (Decisiva entrada. O ataque, na segunda parte, passou quase sempre pelas arrancadas dele.)

    Melhor em Campo: Petit
    Árbitro: Florian Meyer (Alemanha) - 7
     
    por Mavs às 19:15 | Link | 6 tragédia(s) escrita(s)
    Quinta-feira, Março 15, 2007
    Tenham vergonha: ISTO É O BENFICA!
    Comecemos pelo início: por mim, o Benfica perdia esta eliminatória. E perderia com toda a justiça e razoabilidade. O que é isto? Andam a gozar com os adeptos? Isto é o Benfica. É um clube com uma História igual a muitos dos grandes "colossos" europeus. Uma equipa que pressionou e impressionou adeptos pelo mundo inteiro. Um clube que está reduzido, neste momento, a um completo imbecil, um mentecapto da pior espécie, um camelo, um atrasado mental, um retardado de primeira que o "Orelhas" teve a absoluta indecência de contratar e a uma equipa que é uma absoluta vergonha, que se arrasta em campo contra um clube de mortos-vivos com um ponta-de-lança que só sabe dar pontapés em queijos.

    Fernando Santos ultrapassou o limite. Chega. Rua com ele! Este comportamento é inadmissível numa equipa como o Benfica. Não pode ser. Não podemos viver com o coração nas mãos por causa de um idiota que começa por pôr a jogar um Guarda-Redes que só custa dinheiro ao clube (em vez da opção "popular", como diziam os senhores da rádio), que vai para o intervalo a jogar de forma ridícula e que começa a segunda parte a tremer de medo, ante uma equipa que luta para não descer de divisão e que só capitula com um penalty assinalado aos oitenta e seis minutos.

    Desculpem, mas isto eu não admito. Ninguém pode ter a ousadia de defender Fernando Santos depois de um jogo destes. A equipa jogou bem durante alguns minutos, reconheço. Falharam, novamente, este mundo e o outro. Mas jogaram bem. No entanto, depois daquele golo colossal de Petit, a equipa adormece, mais uma vez, e Pauleta marca de forma inacreditável. Porque a opção impopular de Fanã estava na baliza e deixa entrar um frango inacreditável. Depois de Anderson, que anda completamente despassarado, ter cometido mais erros atrás de erros. Aquela merda tremeu por todos os lados. Que coisa inacreditável.

    Uma equipa à imagem do idiota que a treina. Tenham vergonha. E querem vocês ganhar a Taça UEFA. Não façam pouco de mim! Nem daqui a dez anos, com este animal a treinar-vos e vocês a dormirem em campo.

    Aos adeptos que foram ao Estádio, uma pergunta: quem é que gasta 25 euros para ver um jogo e passa mais de metade dele calado e cabisbaixo? Eu percebo que a função da equipa seja entusiasmar os adeptos, mas o Inferno da Luz não se fez só de boas equipas, mas de adeptos aguerridos. Eu percebo a vossa raiva. Eu próprio não queria acreditar no que estava a ver. Mas, se estivesse no Estádio, perdia a voz.

    Acima de tudo, lembrei-me do maravilhoso jogo do Benfica que anteceu o histórico embate contra o Celta de Vigo. Desenganem-se os que julgam que esta equipa é diferente. A mentalidade é exactamente a mesma. Eu já estou preparado.
     
    por JAS às 23:01 | Link | 10 tragédia(s) escrita(s)
    O Arguido
    Pinto da Costa foi constituído arguido. Haverá muito mais a dizer? Acho que não. Mudam as coisas no futebol português? Não me parece. É certo que jamais o Jorge Nuno havia sido considerado arguido. Mas essa nova qualidade jurídica não trará grandes diferenças. Eu, pelo menos, acho que não.

    Porquê? Primeiro, há que provar. JN é arguido por suspeita de ser o autor moral da coisa. O autor material terá sido aquele jovem com ar limpinho, que comanda a claque sem polegares oponíveis e que se deleita a fazer civilizadas e costumeiras visitas a bombas de gasolina. E, não tenham dúvidas que alguém com a rara inteligência do líder dos Superdragões sabe fazer muito mais do que apenas carregar em botões em troca de fruta (fruta, fruta, da que se come sem aspas). Saberá também, perante a possibilidade de ser descoberta toda a verdade sobre o caso, dar o passo em frente? Penso que sim. Sobretudo, se a "fruta" compensar.

    Ou estará a Madame Pudor ameaçada de morte? Em qualquer dos casos, não me parece que o nome de JN venha à baila. Mesmo que seja provada a autoria material do crime, a prova da autoria moral basear-se-á em dois elementos: um, na capacidade de Carolina de se manter impolutamente inatacada; dois, na prova material que ligue Pinto da Costa a Ricardo Madureira e ao crime em si. E não, caro MST, não se trata aqui de nexo de causalidade.

    O problema está em tudo aquilo que Pinto da Costa sabe. A Maria José foi inteligente. Mais: a Maria José é inteligente. E sabe que o povo, mormente o futebolístico, deseja, espera e aguarda por sangue. De quem? Essa premissa já não parece ser relevante. Desde que se trate, obviamente, de alguém renomado e, supostamente, inatingível. Como um dos meus Professores costuma contar nas aulas, na altura em que foi feito o RGIT (regime geral das infracções tributárias), houve logo alguém que exclamou: "Pronto, agora só falta prender o banqueiro para que todos comecem a pagar impostos".

    Numa inédita sobreposição de cargos públicos e privados, parece-me que, neste caso, será um Major a interpretar o papel de Banqueiro. E o Banqueiro-Major, apesar de ter contra si vinte e seis acusações, pode sempre ser acusado de mais umas coisinhas que acelerem o processo. Sobretudo, se essas "coisinhas" forem devidamente provadas.

    E é aqui que entra JN. Como diria um membro da minha prezada família, "o importante não é ter algo, mas conhecer amigos que tenham". Eu reformulo: "o importante não é fazer, mas saber quem fez". E, não tenham dúvidas, Pinto da Costa conhecerá quase todos os passos de Valentim Loureiro. E poderá pôr a "boca no mundo" para salvar a pele. Salvar a pele, aqui, não será entrar num programa de protecção de testemunhas, mas ver a sua pena muitíssimo atenuada (caso seja considerado culpado) por prestar informações úteis ao Estado.

    Mas isso é possível? Jurídicamente, penso que não. Mas ninguém tem de saber, pois não? A não ser, claro, que alguém o escreva, enfie numa pasta e classifique a dita como "segredo de justiça". Nessa altura, lá sofrerá o Correio da Manhã mais uma acção por violação do segredo de justiça, depois de vender duzentos mil exemplares num dia, com a morada e localização exactas de Jorge Nuno. À atenção de Ricardo Madureira, depois de cumpridos os vários anos de pena.
     
    por JAS às 09:23 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
    Quarta-feira, Março 14, 2007
    Não deixou de ser o "Bicho"
    Por isso, torço pelo Tottenham.

    Mais um a soldo do Papado?

    Não, obrigado.
     
    por JAS às 19:30 | Link | 0 tragédia(s) escrita(s)
    Regime Laboral dos Jogadores: La Révolution!
    A Bola faz capa com um artigo polémico e revolucionário sobre um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que poderá provocar alterações substanciais no regime dos contratos futebolísticos praticados hoje em dia.

    Depois de, a custo, ter lido o acórdão (claramente, alguém deveria ensinar os juízes do STJ a escrever de forma simples e esquematizada) ficam algumas observações que, creio, têm de ser feitas, sob pena de estarmos a tratar de forma igual um regime que é completamente diferente.

    No meu entender, em toda esta polémica provocada pelo acórdão, há uma tentativa de pôr o regime do contrato desportivo (mormente, do contrato desportivo futebolístico) na mesma balança que o regime do contrato normal. Ora, esse parece ser, na minha opinião, um ero crasso na análise do problema. Erro esse cometido, não pelo STJ, que se limita a analisar a questão da perspectiva jurídica, mas pelos vários especialistas que abordam o tema e, claro está, pelo Sindicalista e pelo jornalista que o escreve.

    No cerne do Direito do Trabalho está a ideia de que o trabalhador e o empregador estão em situações desiguais e que um não deve poder servir-se de uma posição de superioridade para exigir ao outro qualquer tipo de prestação. Até aí, estamos de acordo.
    Cabe-nos, porém, indagar se o contrato desportivo de trabalho é um contrato de trabalho como qualquer outro. Os formalistas dirão que sim. Eu acho que não. Porquê? Porque, na maioria dos casos, os desportistas profissionais, mormente os futebolistas, são beneficiados a vários títulos. Por exemplo, a nível fiscal. Por exemplo, a nível salarial.

    Ou seja, o jogador não está em posição inferior ao empregador (neste caso, o clube) porque beneficia de uma série de regalias que são desproporcionadas se tivermos em conta os poucos impedimentos à sua “liberdade” de trabalho. Se o jogador não pode desvincular-se por qualquer razão de um clube, isso prende-se com o rendimento de um jogador, com a sua importância para a “empresa”, com os eventuais futuros lucros que uma eventual transferência possa trazer e, sobretudo, com o dispêndio que foi feito com a sua contratação.

    Essa é uma das grandes diferenças. Uma empresa normal não tem, normalmente, de pagar um milhão de euros a outra para ficar com um dos seus trabalhadores. Poderá acontecer, a título de indemnização ou de acordo, mas o trabalhador é livre para se desvincular. Porque razão não haverá de ser assim com os jogadores? Simples. Porque os clubes necessitam do dinheiro da sua transferência para existirem. É parte fundamental das receitas e, como tal, não me parece possível (sequer lógico) que esse elemento possa simplesmente ser extirpado da conjuntura geral. Por essa razão é que as cláusulas de rescisão fazem sentido.

    Além disso, as cláusulas não têm carácter obrigatório. Não impedem o jogador de sair por um valor menor. E, como o próprio jornal menciona, já têm um regime específico que as condiciona. Agora, se a um jogador for permitido, simplesmente, ignorá-las, é o fim do futebol em dois terços da Europa, que não tem possibilidades de competir contra os clubes mais ricos.

    Não se trata de proteccionismo. Trata-se da sobrevivência de empresas que pagam aos seus trabalhadores balúrdios e que necessitam, essas sim, de ver os seus direitos salvaguardados por forma a não terem de declarar falência. Reconheço que, em alguns casos, a situação não seja a melhor para o jogador, mas nesses cabe-lhe rescindir com justa causa e provar que, por exemplo, foi afastado do grupo por discriminação ou porque o treinador não contava com ele. São situações diferentes. Mas, mesmo aí, estou em crer que o jogador deve indemnizar o clube, se quiser sair.

    Se os jogadores são tão ciosos da sua “liberdade” de trabalho, assinem contratos mais curtos. É ridículo que aos contratos de futebolistas possa ser aplicada a mesma lógica que a um contrato de trabalho a prazo. Parece-me absurdo, sobretudo porque os valores envolvidos são absolutamente díspares e em nada se equiparam à realidade laboral nacional.

    É certo que a Convenção de trabalho está repleta de ilegalidades. O problema são os argumentos. E a legislação. Impõe-se, rapidamente, legislação que tutele quem, efectivamente, merece tutela. Ou que, pelo menos, ponha em posições iguais jogadores e clubes. Porque, repito, não se trata de uma relação laboral normal e, por essa razão, deve beneficiar de um regime especial no âmbito do Direito do Trabalho.

    Não acho, e talvez o faça por razões emocionais, que ao futebol deva ser aplicado um projecto liberalizante, porque estou em crer que o futebol não sobreviveria. Há uma diferença colossal entre o futebol (e outros desportos) e outos projectos aos quais se aplica uma componente liberal. O futebol não precisa de subsídios. É composto, cada vez mais, por empresas que têm de gerir-se a si próprias. Mas empresas que, por se movimentarem num mercado que tem por objectivo a prestação de um serviço que nenhumas outras podem prestar (não me digam que se imaginam a apoiar o Barcelona ou o Real, vossos clubes do coração) têm de beneficiar de um regime especial no âmbito laboral em que os seus interesses sejam salvaguardados, já que em nada me parecem prejudicados os interesses e direitos dos futebolistas.

    Uma notinha final para o “camarada” que preside ao Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol: é ridículo pugnar, constantemente, por regimes que beneficiam trabalhadores que já são, por comparação, ridiculamente beneficiados. O regime fiscal dos desportistas é um bom exemplo do quão bem representados estão os futebolistas a nível fiscal e laboral. Vir agora defender uma maior liberdade de circulação é inacreditável e inadmissível. Ou melhor, talvez não. Afinal, trata-se de um Sindicalista.
     
    por JAS às 13:44 | Link | 6 tragédia(s) escrita(s)
    Terça-feira, Março 13, 2007
    Pressão
    Diz Vitor Serpa, no seu editorial de hoje, que a dimensão das equipas é avaliada nos momentos de maior pressão. As pequenas falham, as grandes são bem sucedidas. Concordo. Sempre o disse, juntando à premissa outro elemento: nenhum árbitro, por pior que seja, consegue prejudicar uma grande equipa. Mas esta, dizem-me, é uma visão romântica de um futebol que, hoje em dia, já não é feito de grandes resultados.

    O exemplo dado pelo editor d'A Bola, no entanto, parece-me muitíssimo errado. Por um lado, é dito que o Benfica capitulou em Paris e que, como tal, não transmitiu uma imagem de grandeza. Por outro, diz-se que o Glorioso venceu ontem, em Leiria, devendo os benfiquistas estar alegres com a situação.

    O problema foi Vitor Serpa não ter percebido que as duas situações são parcialmente distintas. E que, em nenhuma delas, o Benfica esteve realmente sob pressão. No jogo contra o PSG, começou por marcar cedo, sabendo de antemão que o aguardava, ainda, uma eliminatória em Lisboa. Jogou mal, é certo. Muito mal. Mas a pressão era relativa. Não se tratava de uma final. A equipa adversária era fraca. E o Benfica sabia-o.

    Ontem, reconheço, o jogo era difícil. Mas, mais uma vez, não me parece que a situação fosse de enorme pressão. O Benfica jogava em casa, diante do seu público e, apesar de não poder contar com Luisão, Katsouranis estava de volta à equipa e David Luiz tinha dado boas indicações no jogo ante o PSG. Uma derrota ou um empate tornariam a tarefa encarnada quase impossível. Mas a equipa de Domingos não fora, esta época (nem mesmo na Taça, diga-se o que se disser) uma equipa temível. Dura, sim. Mas acessível.

    Os jogos de grande pressão começarão agora. O Benfica tem por hábito capitular em momentos nos quais depende apenas de si. Se o Sporting ganhar ao FC Porto, veremos de que raça é feita a equipa benfiquista perante o Estrela da Amadora. O jogo contra o PSG será difícil e tenho as minhas dúvidas quanto à facilidade da passagem (menos agora do que num post anterior, já que David Luiz provou ser útil). Acredito, porém, que se Simão e Katsouranis jogarem como ontem, o PSG não terá qualquer hipótese de vitória. Ainda assim, exige-se um golo, pelo menos. Pelo mais, uma goleada das antigas. Daquelas "à Benfica". Nessa altura poderemos falar em pressão. Por ora, resta-nos esperar. Ansiosamente.

    P.S. - Li, algures, que a grande ambição de Ronaldo é "ficar na história". Presumo que nela entrem, igualmente, um polícia, um homem das obras, um índio, um cowboy e um motoqueiro. Resumindo, a crew dos "Village People". A ignorância, realmente, faz a diferença.
     
    por JAS às 14:11 | Link | 0 tragédia(s) escrita(s)
    Fortes Candidatos
    Entrámos novamente fortíssimos no jogo (à imagem de Paris), criando inúmeras oportunidades que, invariavelmente, foram sendo desaproveitadas. Não deve ser alheio o facto do Leiria ter entrado em campo com quatro (!) avançados, o que tornou o jogo mais "bonito" e, consequentemente, mais fácil para o Benfica. Ainda assim, só ao fim do primeiro quarto de hora, num grandioso golo do Simão, inaugurámos o marcador.
    Na segunda parte tentámos acabar de vez com o jogo, mas, apesar de muita vontade, o certo é que nem tivémos oportunidades por aí além. Já só nos minutos finais, quando já tínhamos o jogo seguro (apesar de ser uma segurança de... 1-0, apenas), o Petit remata fortíssimo para o segundo golo. É, de facto, difícil escolher qual terá sido o melhor golo.
    De resto, destaque só para a lesão do Quim, com a sorte de ter sido a vez do Moreira a sentar-se no banco, o que acalmou os adeptos e, decerto, a própria equipa. Destaque ainda para a excelente exibição do David Luíz que, a muitíssimo curto prazo (espera-se) fará, com o Luisão, a dupla de centrais titulares do Benfica. Não vou falar do Simão porque este, como tenho vindo a constatar, está na sua melhor forma desportiva de sempre.
    Quinta-feira, se fizermos um jogo do mesmo nível que este e se não tivermos azares de lesões e afins, passaremos com mais ou menos dificuldades. Até porque, parece-me, o PSG tem pior equipa que o Leiria.

    Pontuações:
    Quim - 6 (Defendeu o único remate de perigo que o Leiria fez (vindo de um canto). Lesionou-se por culpa própria, já que defende para a frente (e mal) o remate que iria originar a sua entorse no joelho.
    Nélson - 4 (Desastroso na maior parte dos lances em que participou.)
    David Luíz - 7 (Excelente jogo. Parece ser muito mais "guerreiro" que o "panhonhas" do Anderson.)
    Anderson - 5 (Fez o que lhe competia. Nem sempre bem.)
    Léo - 5 (Dos piores jogos que fez pelo Benfica. Ainda assim, cumpriu. Todavia, espera-se sempre mais...)
    Petit - 7 (Um grande golo como corolário de uma grande exibição)
    Katsouranis - 7 (O Verdadeiro "motor" daquele meio-campo. Com a vantagem de que defende)
    Karagounis - 7 (Só não é o nosso melhor jogador porque - e passo a citar Trapattoni, "Graças a Deus que há Simão!")
    Simão - 8 (Já é "só" o melhor marcador da Liga)
    Miccoli - 6 (Parece não estar na sua melhor forma mas, ainda assim, é um perigo autêntico nas áreas adversárias)
    Nuno Gomes - 6 (Apesar de ter feito um jogo melhorzinho, continua a falhar bolas absolutamente inacreditáveis)
    Derlei - 6 (Os melhores minutos que realizou com a camisola)
    Moreira - 6 (Quem sabe, um regresso... definitivo?))

    Melhor em Campo: Simão
    Árbitro: Paulo Pereira- 4 ( O estilo à inglesa é para quem sabe. Ah, e de preferência para aqueles que não estejam envolvidos em apitos dourados e frutas do género....)
     
    por Mavs às 01:41 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
    Segunda-feira, Março 12, 2007
    Discurso certo, Estádio errado
    "...Só acho que o que é certo, é certo. Não podemos é deixar as coisas como estão: em todos os jogos aqui os árbitros têm medo de assinalar faltas contra o Benfica e expulsar os seus jogadores e é preciso prestar atenção nestas coisas, porque se não assim o futebol fica feio."

    Harrison, jogador do Leiria
     
    por Jota às 23:21 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
    Adeus e vê lá se aprendes
    Se algum dia chegasse a professor duma turma de adolescentes idiotas, escolheria, de imediato, dois ou três excelentes alunos que preferisse e dois ou três que detestasse. Ao contrário da maioria dos professores, que se recusa a reconhecer que os preferidos existem, têm nomes, são reais e são ligeiramente beneficiados (geralmente, não se nota porque os "preferidos" merecem ser "preferidos"), não teria qualquer problema em fazê-lo. Gastaria, assim, o meu tempo a ensinar os que mereciam e a, delicadamente, preparar o chumbo dos dois ou três da vida airada. Felizmente (ou não), não pretendo exercer a profissão de docente em anos vindouros.

    Tudo isto serve para o futebol. Também aqui há favoritos e detestados. Pessoalmente, detesto muitos e adoro poucos - regra essencial para manter o espírito crítico. Mas, como qualquer docente aplicado, quando gosto, gosto mesmo. Muito. Sem problemas (bem sei que estas são frases passíveis de pôr o DIAP à porta, mas, como diz o ditado, "quem não deve, não teme").

    Tomo Sokota sempre foi um dos meus jogadores favoritos. E desenganem-se os babados: a mulher dele nada teve a ver com isso. Gostava, e gosto, de Sokota pela seu trabalho abnegado e pelo mérito com que debelou uma lesão extremamente complicada para um futebolista. Pareceu-me sempre uma pessoa gentil, lutadora, que não havia dado o seu melhor simplesmente porque esteve lesionado e nunca tivera alguém que lhe incutisse a confiança necessária.

    Reconheço que, com a sua ida para o Porto, as coisas mudaram. Qualquer bom aluno tem as suas negativas, mas há negativas com nove e negativas com um. A de Sokota foi a segunda. Ninguém que tenha passado pelo que ele passou no Benfica aceita transferir-se para o FC Porto. Era um jogador do qual os adeptos gostavam. Passou anos difíceis na Luz e conseguiu debelar lesões no clube. Viveu a mística encarnada. Chamem-me romântico, mas quem experiencia isto tem de ser um autêntico camelo para ir jogar por um clube adversário. Sobretudo, por aquele "clube".

    Pinto da Costa teve, quase com certeza absoluta, de garantir boas condições financeiras ao avançado. Esperando, certamente, que Sokota jogasse e marcasse; que fosse reavivado pela "cultura de vitória" tão propalada por MST e quejandos; que, resumindo, demonstrasse que o Benfica só não ficou com ele porque não soube reconhecer o seu talento.

    Sokota foi mais um galão na vasta galeria cafeínica do Futebol Clube do Porto. Logo por azar, o leite estava azedo. E o café vinha queimado.

    Às vezes, é assim. Saímos todos felizes. Sokota recebeu uma boa soma para rescindir com o FC Porto. Os adeptos benfiquistas viram vingada a ridícula provocação de Pinto da Costa. E eu vi um jogador que adorei crismar-se, limpando um dos pecados essenciais que tantas vezes me fez rogar-lhe pragas. Pinto da Costa? Pinto da Costa, com o perdão da palavra, fodeu-se.

    Como eu dizia, ficámos todos felizes.
     
    por JAS às 19:05 | Link | 2 tragédia(s) escrita(s)
    Sábado, Março 10, 2007
    Qual é o senhor que se segue?
    Segundo o tablóide inglês “Daily Express”, o nosso ex-treinador Ronald Koeman está muito bem colocado para suceder a Mourinho (fazendo deste um técnico milionário).

    Abramovich e os restantes responsáveis do clube devem estar a dormir! Trocar um dos melhores técnicos do Mundo (goste-se ou não da sua arrogância), por um que está a trabalhar num campeonato ainda menos competitivo que o nosso (o título é sempre disputado entre PSV e Ajax), e nos últimos 2 anos foi campeão...

    Koeman já tinha a papinha feita! É um pouco como Fernando Santos ter sido o engenheiro do penta. O trabalho (e sabe-se lá mais o quê) já vinham de trás.
     
    por Jota às 12:14 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
    Velho da Luz
    Há quem confunda pragmatismo com fatalismo. Eu, sendo sincero, prefiro conjugá-los. Típicamente português? Not really. A paróquia não sabe ser pragmática. Nunca soube.

    Vem isto a propósito do resto da época do Benfica. No meu entender, digam o que disserem, o campeonato e a Taça UEFA já foram à vida. Não me alegra vaticinar tal futuro ao meu clube, mas a verdade é que duvido por completo da capacidade desta equipa (e, sobretudo, daquela aventesma a quem chamam "treinador") para aguentar os embates com União de Leiria e PSG sem o seu "Bom Gigante".

    A ausência de Luisão será fulcral em ambos os jogos. No caso do Leiria, porque são uma equipa rápida, que joga em contra-ataque. Além disso, jogam em casa. E todos sabemos o quão bem o Benfica se tem dado em jogos fora de casa esta época. Uma defesa tremida, com duas crianças, uma inexperiente e outra imbecil, impedirão a equipa de explanar o seu futebol e de devassar com o impudor dos grandes a baliza do Leiria. E não vou sequer mencionar que o treinador da equipa leiriense é o recém-nomeado Bispo Paciência. Que vai fazer o possível e o impossível para ser rapidamente promovido a um posto mais digno da sua fé e lealdade. Caninas, ambas.

    No que respeita ao PSG, o Benfica poderia ter feito um jogo colossal. É certo que Katso talvez já jogue. Também o é que jogamos em casa. Mas uma equipa rápida como o PSG, com uma serpente venenosa como Le Guen, saberá aproveitar devidamente a inexperiência de um central e a estupidez do outro para marcar um golo que encerre a eliminatória.

    Claro que Fernando Santos poderá sempre pôr Katsouranis a fazer de defesa-central. E aí só perderemos o meio-campo.

    Confesso que o que mais me custa é ter uma das melhores equipas do Benfica nos últimos anos e desperdiçá-la neste camelo sem testículos que é Fernando Santos. Não tenham dúvidas. Este ano, o Benfica já era. Outra vez.
     
    por JAS às 09:53 | Link | 9 tragédia(s) escrita(s)
    Sexta-feira, Março 09, 2007
    Anderson
    Ao contrário do que o meu colega blogger Jas sentenciou, a culpa (esse conceito jurídico) não é do engenheiro mas da espécie de jogador que é aquele dá o título a este mesmo post: Anderson. Sempre fui dos mais críticos do treinador (se bem que nunca desejei o seu despedimento) mas, desta vez, ele não podia ter feito muito mais. É certo que, provavelmente, deveria ter posto o Nuno Gomes em vez do Derlei (que ainda não fez rigorosamente nada), mas a exibição daquele, quando entrou, prova que teria dado o mesmo resultado. É certo que deveria ter "experimentado" o David Luíz nas Aves, mas ninguém poderia iamginar que o Luisão se ressentiria da lesão (contraída nos... treinos!?) e que o Katsouranis agravasse a febre. Ainda assim, o Fernando Santos montou a equipa que se impunha (com um João Coimbra em grande! Será desta que passará a jogar mais do que 10 segundos por jogo?) mas nada pode fazer quando existem, no plantel profissional do Benfica, jogadores como o Anderson.
    O mais fácil seria "atirar-me" ao miúdo que fez a sua estreia. Foi, aliás, o que aqueles ignorantes jornalistas fizeram o jogo todo. Mas, se virmos bem as coisas, o David Luíz foi dos nossos melhores jogadores. Foi aquele que esteve mais perto de marcar o segundo golo (se o tivesse feito, seria um herói), cortou tudo o que tinha para cortar e ganhou a maior parte dos lances aéreos. No primeiro golo, em que lhe são atribuídas as culpas, discordo completamente: simplesmente, ele não chegou à bola (como o francês) e, se o tivesse feito, provavelmente, teria marcado na própria baliza.
    Toda a culpa é, pois, do inenarrável e patético Anderson. Em ambos os golos. Com a saída do Luisão, deve ter querido ser o "patrão" da defesa, o que é absolutamente estúpido dada a sua falta de qualidade e, acima de tudo, de inteligência. Recambiou o David Luíz para o seu lugar (para a esquerda da defesa) e, foi aí (e não com a saída per si do Luisão, que perdemos o jogo). No primeiro golo, uma simples "fintinha" de corpo desse jogador de classe mundial que é o Pauleta dos Queijos, atira com o brasileiro para a linha lateral, conseguindo, assim, centrar - e centrar mal, acrescente-se - acabando por colocar a bola na baliza. No segundo golo, o Anderson é ridiculamente batido pelo Kalou. Mas o problema não é (só) ter sido batido pelo avançado da equipa contrária: é a forma como foi batido - escorregando pela décima-segunda vez na primeira parte... (Aliás, o único a ter escorregado durante o jogo todo). É óbvio que assim tudo se complica. Aliás, sem o Luisão que faz o trabalho pelos dois defesas (porque, apesar de ter gostado do David Luíz, este não é o Luisão) , é impossível chegar onde quer que seja. E o que mais me custa é que estávamos a fazer um bom jogo, com fortes possibilidades de resolver a eliminatória já em Lisboa.
    Dia 15, logo se vê, sendo certo que ser eliminado pelo terceiro classificado (a contar de baixo...) do campeonato francês é algo dificilmente desculpável ao Fernando Santos. Ainda assim basta-nos ganhar por 1-0...
    Dupla de centrais do Benfica: Luisão e David Luíz. Quando um destes se lesionar, parece-me ser preferível jogar com o Katsouranis a defesa e com o Coimbra no meio-campo. Quanto a mim, é o fim da linha para o Anderson. Já não há mesmo mais paciência...

    Pontuações:
    Quim - 5
    Nélson - 6 (Grande centro para o golo do Simão! Será que é desta que recupera a confiança?)
    Luisão - 5 (A sua saída e o facto de ter deixado o Anderson sem a sua presença fez com que perdessemos o jogo)
    Anderson - 0 (Fim da linha para este tipo)
    Léo - 6
    Petit - 7
    João Coimbra - 7
    Karagounis - 6
    Simão - 7 (Agora... até golos de cabeça!)
    Derlei - 3 (Parece que desaprendeu de jogar ou... falta-lhe a protecção que tinha quando representava o clube da fruta?)
    Miccoli - 6
    David Luíz - 7
    Nuno Gomes - 3 (Como se não tivesse entrado)
    Beto - 1 (Das vezes em que conseguiu tocar na bola, só fez porcaria)

    Melhor em Campo: Simão
    Árbitro: Graham Poll - 7
     
    por Mavs às 20:14 | Link | 4 tragédia(s) escrita(s)
    Folha Salarial
    O site desportivo Sportugal entrou em mais uma polémica ao tornar pública a folha salarial do Sporting. Por aqui podemos ver que Liedson é o único a furar o tecto salarial, de 75 mil Euros, e que jogadores como Romagnoli e Bueno auferem bastante acima da sua produção em campo.
    Claro que o clube diferente veio logo à praça pública insurgir-se contra tal actuação, apelidando esta forma de jornalismo como "eticamente reprovável, repugnante, que tem como intuito principal a desestabilização da equipa de futebol profissional do Sporting".
    Aliás, Filipe Soares Franco confirmou que tal informação é verdadeira.

    Parece-me que o Sportugal fez um terço do trabalho. Assim, por forma a assegurar um igual tratamento das partes, gostaria também de ter acesso aos números dos outros dois grandes, que possuem uma folha salarial ainda mais pesada, especialmente a do Porto. A nossa, não deve ter muitas surpresas, parece-me.
     
    por Jota às 18:24 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
    Quinta-feira, Março 08, 2007
    Nunca pensei dizer isto, mas...
    (dicionário completo de palavrões de todas as línguas do Mundo)


    VOLTA, KOEMAN. ESTÁS PERDOADO!



     
    por JAS às 22:10 | Link | 9 tragédia(s) escrita(s)
    Quarta-feira, Março 07, 2007
    Melhor futebol do País? É com o Boavista!
    Jaime Pacheco é um dos cromos mais cintilantes do nosso futebol.
    Para além daquele jeito, de se fazer passar por modesto e humilde, quando na realidade se é um arrogante de primeira, tem também frases que ficam para sempre na memória dos adeptos do jogo.

    Recentemente, tivemos a polémica com Mourinho, que começou com a afirmação de Pacheco que o Boavista não ia jogar ao campo da Académica à defesa, como o Chelsea tinha feito na sua deslocação ao Dragão. Parece-me óbvio que Mourinho não se tenha ficado, o que origem à tal afirmação que Pacheco só tinha um neurónio (frase brutal, na minha opinião). Pacheco retorquiu chamando a Mourinho doente mental (muito fraquinho...) e que tinha sido campeão com uma equipa de tostões (verdade, mas e o que dizer dos apitos nessa época?). Este round foi para Mourinho.

    Hoje, a tirada de mestre. "o Boavista é das equipas que melhor joga em Portugal". Isto dito a propósito do descontentamento axadrezado em relação às arbitragens. Sobre tudo isto, algumas ideias:
    Por um lado, tendo em conta o Apito Dourado, parece-me normal e prevísivel que em caso de dúvida, os lançes sejam assinalados contra o Boavista. Ainda que errado, é um mecanismo de defesa da arbitragem, para que não sejam levantadas novas suspeitas; Já agora, será que as arbitragens que ajudaram o Boavista a ser campeão tiveram nota positiva de Pacheco?
    No campo do futebol jogado, não tenho tenções de afirmar quem poderá apresentar o jogo mais bonito. Mas não me parece que esse título possa ser atribuído a uma equipa de caceteiros (a versão soft do Boavista campeão), e a alguém que na Luz se negou, simplesmente, a jogar futebol.
     
    por Jota às 21:45 | Link | 0 tragédia(s) escrita(s)
    Terça-feira, Março 06, 2007
    6 Milhões de Aplausos.
    Obrigado, Mourinho!

    Obrigado, Chelsea!

    E, acima de tudo, obrigado, HELTON!


    Enfim (quase) sós!
     
    por JAS às 21:58 | Link | 4 tragédia(s) escrita(s)
    O Verdadeiro Boss

    Mourinho: «Se for despedido fico milionário e tenho outro clube»

    Como o Jas já explicou aqui, Mourinho tem este privilégio: Pode dizer o que quer, quando quer e a quem quiser. Porquê? Porque é um vencedor-nato. E estes não se preocupam com o "politicamente correcto".

     
    por Mavs às 01:35 | Link | 2 tragédia(s) escrita(s)
    Segunda-feira, Março 05, 2007
    Patriotismo
    Amanhã, pelas 19:45, Chelsea e Porto jogam a segunda-mão dois oitavos-final da Liga dos Campeões. Como, apesar de tudo, sou português, vou torcer para que o nome de Portugal seja dignificado da melhor forma na Europa.

    Assim sendo: Força Mourinho! Força Chelsea!
    No mínimo: 15 a 0.
     
    por Mavs às 17:06 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
    Desconstruindo Domingos
    É crime bater no ceguinho. Mesmo que o ceguinho queira, pese o que possa pensar a populaça. Culpado, então, me afirmo! Bato-lhe (e bato-lhe com força) mesmo quando não mo pede. O que não é o caso. Feita a introdução, cuja interpretação mais perniciosa poderia conduzir alguns leitores a práticas sado-maso, pretendo comentar, novamente, as declarações do recém-eleito bispo de Leiria, Domingos Paciência.

    Não tenho um especial fetiche pelo senhor. Bem pelo contrário. Mas o senhor insiste, jornada após jornada, em dar-me material de escrita, pelo qual lhe fico muito grato. Assim, antecipando o mais que provável comentário à missa cantada da semana que vem, gostaria de esclarecer algumas passagens do livro do Apóstolo Domingos (no papado portista, ao contrário do que sucede no romano, as nomeação são feitas em função do mérito e não da hierarquia - o que provavelmente explica o súbito desaparecimento do apóstolo Adriaanse do rosário azul-e-branco) que me parecem um tanto ou quanto estranhas.

    Diz Domingos, em tom solene, que se ressentiu com as declarações de Paulo Bento, dado que este deu a entender que o ex-cónego defenderia os interesses de outro clube, apesar de treinar a União de Leiria. Nada mais falso, grita Domingos, num tom já pouco clerical. Com o FC Porto estava a olhar para a bola. Ora, ou eu ando muito enganado, ou na altura em que Domingos fez a sua apatetada declaração, disse que estava a olhar para o chão. Ou para baixo. O que causou alguma estranheza na altura, mas que agora, depois da sua afoita dedicação à causa (nesse período de meditação, Domingos certamente rezava) está perfeitamente justificado. E perdoado. Aliás, consta por aí que uma nova promoção estará apenas dependente do resultado contra o Benfica. Caso o clube de Domingos ganhe, haverá de imediato um novo chefe no Departamento da Fru... perdão, da Fé e Assuntos Religiosos.

    Desta vez, Domingos já estava a olhar para Liedson porque o confronto era contra herejes inconvertíveis. Ou seja, a reza de nada lhe valeria. E foi assim, nas suas doutas palavras, que Domingos viu Liedson a ser ultrapassado por Rossato e, depois disso, a derrubá-lo. O que, mais uma vez, explica muita coisa, já que Liedson foi, primeiro, derrubado por Rossato, sucedendo a agressão vil (que tanto jeito dá ao Papado) após a sucessão de derrubes. Ou seja, Domingos, de tanta leitura, ficou com um problema ocular grave, vulgo estrabismo. Mas atenção: o estrabismo de Domingos não é um estrabismo qualquer. Não. O Bispo Paciência sofre de uma forma invulgar da doença, mais conhecida por "estrabismo sartreano". Nesta vertente, os olhos, em vez de convergirem, divergem.

    O que significa, apenas, que Domingos tem passado demasiado tempo com um olho no burro e outro, literalmente, no cigano. O próximo fim-de-semana ditará uma eventual cura ou um possível agravamento. Aceitam-se apostas dentro do mais sagrado espírito religioso, ou seja, aceitamos frutas e galões.
     
    por JAS às 15:26 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
    Pragmáticos
    No pior jogo da época, conseguimos marcar na única oportunidade de golo que tivémos. Sem "chama" - à qual não será alheio o facto de termos jogado com aquele equipamento - não fomos mais do que uma equipa previsível que se limitou a defender - o que conseguimos fazer razoavelmente bem. Todavia, foi-nos marcado um penalty inexistente (o Karagounis não podia ter tirado o braço e, a regra, diz que se for "bola no braço" não há lugar para penalty) que o Quim defendeu, pese embora a ridícula marcação feita pelo jogador do Desp. Aves.
    Na segunda parte (e quando todos pensavam que o Benfica ia assumir, de uma vez por todas, o controlo do jogo) continuámos como que apáticos, sem fazer pressão e sem fazer qualquer lance de perigo, digno desse nome. Na única jogada que tivémos, com uma tabelinha perfeita do Miccoli, um centro dos-bons-velhos-tempos do Nélson, e uma excelente desmarcação do Nuno Gomes, este acabou por fazer um grande golo. De facto, não sei como se consegue comparar ao patético do Postiga que, para mal de todos nós, até já foi encostado pelo Jesualdo (e, claro está, isso já rendeu mais uma vitória ao Porto...).
    Até final, controlámos o jogo sem grandes problemas, quiçá já a pensar no jogo em Paris. De resto, é bom esquecer este jogo rapidamente...

    P.S.- O nosso banco de "luxo", diz bem da qualidade do nosso plantel. Apesar de continuar a considerar que temos o onze mais forte do campeonato, o nosso banco de suplentes é qualquer coisa de inacreditável: Moreira, Miguelito, Beto, Paulo Jorge, Manú, João Coimbra, David Luíz! Por amor de Deus...

    P.S.2- Nem vou comentar a forma como o minuto de silêncio foi repeitado nas Antas. São por estas atitudes que ninguém (tirando meia-dúzia de vândalos) comemora as vitórias deles. São indiferentes para o país se eles ganham ou deixam de ganhar. Aliás, será indiferente para o país o dia em que, porventura, eles deixarão de existir...

    Pontuações:
    Quim - 7 (Defendeu o penalty. Caso não o tivesse feito, antevia-se uma situação muito mal-parada)
    Nélson - 6 (são destas subidas e cruzamentos à-linha que se quer do Nélson. Pode ser que ganhe confiança para os próximos jogos, até porque não há uma única alternativa para o seu lugar)
    Katsouranis - 7 (Grande jogo. O maior exemplo do pragmatismo do Benfica)
    Anderson - 5
    Léo - 5
    Petit - 6
    Karagounis - 5
    Simão - 5 (a descansar para Paris?)
    Derlei - 5
    Nuno Gomes - 7 (grande abertura e consequente grande golo.)
    Miccoli - 5
    Paulo Jorge - 3 (sempre que entra... não faz nada)
    João Coimbra - ... (as suas consecutivas entradas a 30 segundos do fim, começam a ser ridículas... Será que é a melhor forma de motivar um jogador?)

    Melhor em Campo: Nuno Gomes
    Árbitro: Jorge Sousa - 3
     
    por Mavs às 03:22 | Link | 7 tragédia(s) escrita(s)
    Domingo, Março 04, 2007
    Civilização
    Bento morreu. Porto e Braga silenciam-se no minuto da praxe. Todo o Porto? Não. Algures há uma pequena aldeia que resiste, ainda e sempre, à civilização. Há sempre. No Estádio ouvem-se os gritos de "SLB, SLB, filhos da puta, SLB."

    Ontem desejei, árduamente, que Heysel se tivesse repetido sobre os animais que entoaram os cânticos. A irracionalidade gera irracionalidade. A minha, por enquanto, permanece em pensamento. Mas há dias em que acredito, verdadeiramente, que só um belo fogo purgará esse vosso primitivismo.

    Quando Fernando Gomes, o único jogador portista de relevo ainda vivo, morrer, eu vou ficar em silêncio. Porque eu e o Benfica somos exactamente isto: tudo aquilo que vocês desejam, diariamente, mas que jamais serão.
     
    por JAS às 21:02 | Link | 3 tragédia(s) escrita(s)
    A Importância de ser... objectivo
    aQuem visitar o site do Sportugal durante o dia de hoje, poderá encontrar, nas notícias do dia, uma referência ao Benfica como "uma espécie de candidato". Inicialmente, confesso ter falhado em perceber a graçola. Mas rapidamente cheguei à conclusão que estava perante ironia fina e humor puro, do melhor que se tem visto nos últimos tempos em Portugal. Nem o Gato Fedorento que, diga-se, faz um humorzinho ligeiro (sobretudo quando comparado com a galhofa intelectual dos jornalistas do Sportugal) conseguiria fazer melhor. É assim, a vida.

    Muitos discordarão. "Ah, e tal", dirão, "considerar que o Benfica é uma espécie de candidato é subjectivo." Meus caros, subjectivo? Mas o que é a subjectividade, pergunto eu? A resposta, sobretudo se dada na pele de jornalista do Sportugal, é rápida e eficaz. A subjectividade é nada. Porque tudo é objectividade. Sobretudo se aparecer no site do Sportugal.

    Ocorreu-me, do nada, um exemplo geral e abstracto, como qualquer lei "ambígua" e "desactualizada". Quando decorreram investigações na sede do Sportugal por alegada violação do segredo de justiça, o soberano Rui Costa Pinto, “jornalista” (aspas nossas) do Sportugal, escreveu um inflamado artigo sobre a necessidade de adequação entre a liberdade de imprensa e o segredo de justiça, clamando por um regime em que ambos consigam coexistir. Eu concordo. Por mero acaso, o regime já existe. O dever de informar o público é essencial, desde que não sejam postos em causa os elementos essenciais ao processo, que possam determinar um desfecho diferente.

    O Sportugal fê-lo por causa da tal objectividade. Para este jornal online, a informação que lhes chegou às mãos era relevante para o esclarecimento do público. Seria? Nunca saberemos. Até porque o conceito de “interesse público” e “esclarecimento do mesmo” é geral e abstracto. Ou seja, precisa de preenchimento. E é então que se ergue, do alto da sua objectividade, o Sportugal, qual legislador ávido de preencher as lacunas da lei, decidindo imediatamente que a informação na sua posse não poderia nunca deixar de ser vital para o interesse público. Porque, objectivamente falando, o interesse público é aquilo que nós julgamos ser. Ou então, aquilo que nós desejamos que seja. Duvido que, no caso Sportugal, o cerne da sua motivação tenha sido o aumento de visitas ou a publicidade gerada pela coisa. Não. O Sportugal moveu-se por um enorme sentido de justiça e de civismo. Uma necessidade intrínseca de dar ao público aquilo que ele não quer, mas tem de ter.

    É então que, a determinada altura, Rui Costa Pinto faz a legítima pergunta:

    “Será que ainda é preciso repetir que os jornalistas não estão abrangidos pela legislação que rege a violação do Segredo de Justiça?”

    A resposta, como saberão, é um rotundo sim. Porque é que os jornalistas não estão abrangidos pelo segredo de justiça? Será que, se um pedófilo for posto em liberdade e um jornal publicar a sua nova identidade nas primeiras páginas, não se estará a preencher esse enorme interesse público que é o seu linchamento? O que é que distingue o que interessa ao público e o que não interessa? Ninguém sabe. Perdão. Quase ninguém. O Sportugal, meio de comunicação idóneo e à prova de bala, sabe. E sabe porque é objectivo.

    E é alicerçado nessa objectividade que faz o seguinte julgamento: o Benfica “é uma espécie de candidato.” Por momentos (poucos, reconheço), sou levado a pensar que esta distribuição – aleatória, bem entendido – de palavras indica um elevado grau de subjectividade. Mas percebo rapidamente, ó Deus, o quão enganado estava! Não há um grão de areia subjectiva na bem oleada máquina sportugalense. Tudo é informação relevante. De interesse público. E jornais ditos sérios, como o DN e o Público, não passam de pasquins miseráveis que cortam as veias da creatividade jornalística – sempre objectiva! – aos seus abnegados e servis empregados.

    Por isso, fazendo fé (Jesús, é tanta a objectividade que já não encontro adjectivos que a qualifiquem) nas maravilhosas capacidades do Sportugal, permito-me responder à pergunta que Rui Costa Pinto (pequena vénia) coloca no final do seu artigo. Por que razão não pode acontecer em Portugal o que acontece nos outros países da Europa?

    É simples. Em Portugal o pedófilo, a sua identidade e a sua morada viriam estampados na primeira página. Sempre a bem do interesse público. Como é óbvio, claro e objectivo.
     
    por JAS às 19:43 | Link | 0 tragédia(s) escrita(s)
    A "surpresa" de Joaquim Oliveira
    Deixem-me começar por dizer que não tenho nada contra os brasileiros. É certo que, em termos históricos, se pudesse escolher os locais das nossas conquistas, mais depressa escolheria a América do Norte que a do Sul. Mas a do Sul, verdade seja dita, não foi mazinha. Poderia ter sido bem melhor. Mas não se pode ter tudo. Quem já chegou a um portentado económico como a Índia, não pode almejar descobrir o portentado económico que são os Estados Unidos. Seria injusto para com os outros concorrentes. E nós, portugueses, não queremos ser injustos com ninguém. Nunca.

    A entrada, em Portugal, de brasileiros não me incomoda minimamente. Não me chateia ouvir "Bom dia" ao som do último samba da Mangueira. Não me aborrecem as constantes biqueiradas na gramática, no abecedário, na escrita e na ortografia a que os senhores nos habituaram. E não me aborrecem as cândidas senhoras de Bragança, que tão grandes feitos prestam ao interior conservador do nosso País.

    Ainda assim, e apesar de nenhum destes elementos me irritar particularmente, há domínios que eu acho que deveriam manter-se portugueses. De Portugal. Sim, porque os nossos irmãos brasileiros, como todos sabemos, são, também eles, portugueses. Do Brasil. Mas, entenda-se, portugueses. Um desses é o domínio dos noticiários. Como todos sabemos, a língua brasileira é uma língua suave, morna, cantada. Uma língua que não se habitua facilmente à prosápia formalista das línguas europeias. Enfim, toda aquela chatice dos verbos e das concordâncias entre sujeitos, predicados, complementos e por aí fora. A língua brasileira é igual ao seu próprio País: relaxada. Crente. Convicta. Por isso nos deliciam os Caetanos e as Elis. Os Jôs Soares e afins.

    Todavia, toda essa liberdade formal, essa ausência de conceptualismos, apresenta um problema. É que, em certas e determinadas ocasiões, puramente ocasionais, ocorrem alguns - pequenos - problemas. Por exemplo, no caso da nova apresentadora da Sport TV, Karen Metz não sei das quantas, ex-Karen Jardel. Eu percebo que o busto da senhora imponha respeito. E que os olhos verdes sejam um pitéu. Mas não percebo como é que alguém que tem de dar notícias internacionais não sabe dizer "Chelsea" ou "Portsmouth". Pior: nem sequer se esforça na tarefa.

    Estou certo que o douto Joaquim Oliveira se terá lembrado de tudo isso e que Karen saberá falar inglês como a rainha de Inglaterra ou, o que é bem mais importante (e excitante!), como Keira Knightley [pausa para limpar a baba]. Estou certo que Karen estava nervosa e que o facto de ser considerada um ícone sexual em nada ajudou à sua contratação. Mas, por amor da santa (qual, não sei, mas perguntem-lhe a ela - tem várias, de certeza), será que alguém poderia explicar à madame que Portsmouth não leva i (as in "Portismusse") e que Chelsea não acaba com um acento no A?

    Obrigado. A programação segue dentro de momentos.
     
    por JAS às 01:45 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
    Uma derrota à Porto
    Há duas modas recentes no futebol português. Uma mais recente que a outra, entenda-se. Uma mais monopolista que a outra, entenda-se novamente. Mas, ainda assim, duas modas. A primeira, mais abrangente, começou no Sporting e é a das camadas jovens. Não me entendam mal: camadas jovens sempre houve. Mas camadas jovens como as do Sporting... foram uma novidade. Centro de estágio bonito. Escolinha para os meninos. Campo de treinos especial. Enfim, uma série de maravilhas trazidas sabe-se lá de onde que o Benfica e o Porto, verdade seja dita, rapidamente copiaram.

    A segunda, porém, prende-se com um fenómeno mais recente, que é a transformação, em treinadores, de ex-jogadores. Não me entendam mal, novamente. Vários foram já os que abandonaram os seus clubes para preencherem vagas livres em clubes menores. Mas são poucos, daí a tal moda recente, os que olham para o chão. Sobretudo, quando jogam com o seu anterior clube. Sendo que o termo "olhar para o chão" tem adstrito a si um je ne sais quoi de subserviência clerical que não podemos escamotear. Sobretudo quando essa subserviência se manifesta na forma como as suas equipas jogam contra potenciais candidatos ao título.

    Acho que todos os que viram o FC Porto - Braga desta noite ficaram convencidos de uma coisa: Jorge Costa não olhou uma única vez para o chão. Foi esperto. Esse ritual seguiu-o, certamente, durante a semana inteira que antecedeu o confronto. Para que, no momento final, ninguém o acusasse de servilismo. Porque "O Bicho" claramente não é servil. Não. Está um bocadinho "moldado", talvez, mas ficamos por aí. E, como qualquer bom treinador com um percurso vencedor, Jorge Costa, co-adjuvado pelo idóneo Aloísio, achou por bem moldar os seus jogadores no Sporting de Braga. Afinal, faz aos outros aquilo que gostaste que te tivessem feito. Já dizia Cristo.

    Assim, o "Bicho", que hoje foi, no máximo, um daqueles gnús que todos já vimos a atravessar um rio recheado de jacarés, moldou os seus jogadores. Estou certo que foram ouvidos, repetidamente, trechos desse exemplo de brilhantismo lírico que é o "Porto, Porto, Porto", hino oficial da Casa-Mãe. E que aos jogadores mais afoitos foi permitido um estágio no calor da noite portuense, com certeza totalmente familiar a Jorge Costa, que lá viveu uns bons anos.

    Disso, não se duvide. O Braga, hoje, jogou à Porto. Infelizmente, o feitiço virou-se contra o feiticeiro e os superlativos jogadores do Braga pertenciam ao grupelho de gnús tentanto atravessar um rio cheio de jacarés com um boi preto a boiar lá no meio. Verdade seja dita, moldaram-se perfeitamente. Jogaram pouco. Falharam, provavelmente, metade dos passes. E não tiveram a veia goleadora que demonstraram, por exemplo, contra o Benfica. Porque aí o "Bicho" era outro e o treinador, Rogério Gonçalves, tentou ser o mais justo possível. Agora, ir ganhar ao Dragão? Por favor, isso não.

    Já o Benfica também não jogou melhor. O Aves, diga-se, falhou muito, mas jogou à Prof. Neca. Estacionou o camião e esperou que as bolas fossem chegando. E, se por acaso, o Benfica avançasse demasiado, haveria sempre alguém com o pé no acelerador para chegar o mais depressa possível à baliza do Benfica. O árbitro, verdade seja dita, pecou por um estrabismo de dar dó. Mas isso interessa pouco. Porque, geralmente, o árbitro interessa pouco nos jogos entre o Benfica e os seus adversários. Esses que, na Luz ou em sua casa, dão o litro até à última. Tentam vencer, sem medo, mas com respeito. No fundo, ganhar ao Benfica ainda é, só por si, uma colossal vitória. Já ao Porto, não interessa muito. A não ser, claro, que não se pretenda, um dia, chegar a treinador principal. Aí, a equipa portista é igual às outras. Só em certos e determinados casos, sobre os quais não pretendo dar aqui exemplos, é que vale mais a pena baixar os olhinhos e a cabeça.

    Tendo em conta que as cabeças, agora, são duas, resta saber qual delas vai decepar-se primeiro. Domingos Paciência já deu o primeiro golpe. Terá sido suficiente? Se o Porto perder o campeonato, algo me diz que o próximo futuro treinador do Porto estará escolhido. E não será, com certeza, o senhor que quis fazer o mundo inteiro acreditar que tinha sido Tixier a agredir Quaresma
     
    por JAS às 01:07 | Link | 0 tragédia(s) escrita(s)
    Sexta-feira, Março 02, 2007
    Agradecimento
    Nunca vi Bento jogar. Não me recordo, sequer, de quaisquer jogadas que possa, eventualmente, ter visto. O melhor guarda-redes do Benfica de todos os tempos foi, para mim, Costa Pereira. Imagens, só as da final da Liga dos Campeões. É uma escolha razoavelmente fácil: pese o "frango" colossal dado numa final ou meia-final, foi ele o guardião do bi-campeonato europeu. E essa é uma condição inesquecível.

    No entanto, ontem, ao abrir o site d'A Bola, li que Bento tinha morrido. Quem foi Manuel Bento?, perguntava o autor de um dos artigos da edição de hoje. Não sei. É uma resposta possível, apesar de a pergunta ser retórica. E, mesmo assim, não consegui deixar de pensar, por tudo o que sempre ouvi dizer sobre ele, que eu tinha ficado mais pobre. Eu ou o meu clube? Como diria JPC, esta é uma pergunta que remonta a Antígona. Mas, neste caso, respondo de forma oposta à da personagem interpretada por Ken Watanabe. Não somos a mesma coisa. Mas estamos ligados por laços que ultrapassam a ténue realidade. Ser do Benfica é, muitas vezes, pertencer a algo maior. Mesmo quando a derrota é numerosa ou a humilhação é grande.

    Por isso é que é impossível ficar indiferente à partida de Bento. Com ele, com a sua propalada grandiosidade, com a sua força indomável e vontade imperecível, morre mais um pouco da história gloriosa do Sport Lisboa e Benfica. Cabe aos adeptos, bem sei, reavivá-la a cada momento. Mas ninguém poderá fazê-lo melhor que os próprios intervenientes. Por isso me entristece a partida de um senhor que só conheci gordo, de bigode e a treinar as camadas jovens, mas que foi, na opinião de quase todos, o melhor guarda-redes português de todos os tempos.

    Obrigado, Bento. Até ao próximo vôo.
     
    por JAS às 14:11 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
    Quinta-feira, Março 01, 2007
    Au Revoir, grande Bento.

    Manuel Bento - 1948-2007
     
    por JAS às 22:29 | Link | 3 tragédia(s) escrita(s)