Na segunda-feira tinha começado o post de análise ao jogo a dizer que o Benfica tinha perdido o campeonato. Hoje começo por dizer que o Benfica perdeu a época. Novamente, fizemos uma primeira parte para esquecer. Nem a entrada de início do Rui Costa fez alterar o hábito que esta equipa tem de "deixar andar" durante o primeiro tempo para, depois, tentar fazer qualquer coisinha na segunda parte. Parece que nem a necessidade absoluta de vencer o jogo (até por 1-0) fez com que os jogadores - e treinadores - interiorizassem que quanto mais rápido fizéssemos o primeiro golo, mais depressa poríamos a pressão do lado dos espanhóis.
Como já referi, a alteração foi a entrada do Rui Costa na equipa titular e, ainda, a troca de posicionamento dos centrais, passando o David Luíz a jogar à esquerda. Quanto à primeira, acho que foi uma má aposta, já que o Rui Costa tinha aparecido nos últimos jogos como uma espécie de "jogador-salvador", isto é, o jogador que saindo do banco tentasse mudar o rumo dos acontecimentos. A sua entrada a titular não alterou muito o péssimo hábito de fazer péssimas primeiras-partes, e, naturalmente, impossibilitou que ele próprio viésse, na segunda parte, a dar um novo fôlego ao nosso ataque. Quanto ao posicionamento do David Luíz à esquerda, acho (e espero) que tenha sido só para preparar o regresso do Luisão (que joga à direita na defesa central) do que algum brilhantismo táctico. Ainda assim, acho que o jogo mais decisivo que tínhamos esta época não é, propriamente, a altura para andar a fazer experiências...
Durante todo o jogo, o Espanyol fez uma pressão altíssima, logo nas reposições de bola, aos nossos defesas centrais, ficando nós sem liberdade para jogar. O nosso jogo limitou-se, então, a ser muito previsível, com a maior parte dos nossos ataques a acabarem ou com o Anderson a despejar bolas para fora ou com o Nélson a ser, consecutivamente, desarmado sempre que (tentava) passar o meio-campo.
Do jogo dos Espanhóis, o Petit, no flash-interview, salientou que "todo o jogo passáva pelo De la Pena". A questão que se coloca é porque é que, sabendo disso, este mesmo jogador fazia o que queria quando recebi a bola...
O único lance de realmente perigo, na primeira parte foi uma bola em que o Miccoli apareceu isolado sem conseguir, no entanto, nem "sacar" um penalty nem, muito menos, finatr o guarda-redes.
Após o intervalo, lá começámos a jogar um pouco melhor. Foi, neste período que, efectivamente, além de um maior esforço na recuperação de bola, criámos oportunidades que nos podiam ter posto nas meias-finais da taça UEFA: as bolas ao poste do Miccoli e do Rui Costa e o falhanço inacreditável e ridículo do Nuno Gomes (que depois, e bem, acvabaria por ser substituído pelo Mantorras). Estávamos no nosso melhor período e o golo advinhava-se a qualquer momento. Foi entanto que o nosso prezado treinador decide, como se costuma dizer, "fazer porcaria": inventa uma saída do Nélson e (principalmente) do Karagounis (dos nossos melhores jogadores nesse período) para as entradas do Katsouranis (está numa péssima forma) e do Derlei (que consegue ser mais inútil que o Anderson). Foi, pois, a partir daí que acabámos em termos atacantes, começando a despejar bolas para a cabeça de Miccolis, Simãos e Mantorras que era o mesmo que, pura e simplesmente, dar-lhes a bola.
Classificações:
Quim – 6 (Para mim, o lugar continua a ser do Moreira)
Nélson – 2 (Na sua pior forma de sempre. Dispensamos o Alcides, não vamos buscar ninguém para este lugar, e temos este Nelson, durante toda a época com lugar cativo na nossa defesa…)
Anderson – 2 (Tem tão pouco jeito para jogar este desporto, aliada a uma tão pouca inteligência que até irrita.)
David Luíz – 6 (Não este brilhante. Mas quando tem um “banana” ao lado, é difícil fazer melhor.)
Léo – 7 (Mesmo prestes a completar 32 anos, continua a ser dos melhores e dos mais inconformados. Renovem com ele.)
Petit – 5 (Ontem, apesar de se ter esforçado – como acontece sempre – o jogo não lhe saiu muito bem.)
Karagounis – 6 (Apesar de ter entrado mal no jogo, na segunda-parte era o único que conseguia fazer as transposições defesa-ataque. Prémio? A sua substituição)
Rui Costa – 7 (Faz pena um jogador da sua categoria, ainda que ontem não tenha feito dos seus melhores jogos, ter só o Simão e pouco mais – Karagounis e, cada vez menos, Miccoli – com qualidade na equipa.)
Simão – 6 (Parece cansado. Ainda assim, está num patamar dificilmente alcançável pela grande parte dos jogadores do Benfica.)
Miccoli – 5 (Até se tem esforçado, mas continua muito aquém do que já lhe vimos fazer.)
Nuno Gomes – 3 (Ponta-de-lança precisa-se! Até reconheço algumas qualidades ao Nuno Gomes mas, na forma que está, nem no banco do Espanyol tinha lugar… Aquele falhanço, na linha de golo, é absolutamente patético.)
Mantorras – 5 (Se diz que “não está coxo” e que merece as mesmas oportunidades que os restantes pontas-de-lança do Benfica, ponham-no a titular!)
Katsouranis – 3 (Parece que desaprendeu de jogar… O cansaço não deve explicar tudo.)
Derlei – 0 (Ridículo.)
Perdemos um eliminatória que estava perfeitamente ao nosso alcance, uma vez que o Espanyol, apesar de ser de lá, não é o Barcelona (como no ano passado).
Na segunda-feira, perdemos o campeonato que, por sua vez, estava já perdido, quando não tivemos capacidade para ganhar, em casa, a um Porto, também ele, perfeitamente ao nosso alcance.
Assim, como adepto e sócio do Benfica, só me resta pedir duas coisas:
1 – Que o Rui Costa fique por mais um ano. Era triste vê-lo acabar a carreira, no Benfica, sem conseguirmos um título para, com ele, celebrar.
2 – Numa época em que perdemos o campeonato para o Porto, perderemos a taça para o Sporting, somos eliminados tanto da Liga dos Campeões como da Taça UEFA por equipas perfeitamente ao nosso alcance e, pior, com um onze que eu considero com o melhor dos últimos 10 anos, só pode haver um culpado: Fernando Santos.