origem
Terça-feira, Outubro 30, 2007
CHEGA!
Já o Churchill dizia, sobre a Democracia, que esta era a menos má das soluções políticas actuais. Apesar de acérrimo defensor da meritocracia, tenho consciência da sua extrema dificuldade de aplicação e, como tal, vejo-me forçado a concordar com o velho Winston. E, como exemplo ilustrativo, permito-me recorrer à Assembleia Geral Ordinária do Benfica, que teve lugar ontem, presumo eu que no Estádio da Luz.

Parece que, após a aprovação das contas, foi iniciada votação para atribuição de título de sócio honorário a Henrique Granadeiro. Ora, o porquê, ninguém sabe. Isto é, eu, pelo menos, não sei. O que eu sei é que é sempre de bom tom explicar por que razão é que se tenta atribuir tal "prémio" a uma figura que, numa situação normal, corresponderia ao sócio honorário típico do clube pertencente ao outro lado da 2ª Circular. O Benfica, clube de enorme massa adepta, não é um fã de misturas. Perdão, os sócios do Benfica, que compõem a tal massa adepta e que costumam estar presentes nestas AG's, não gostam das tais "misturadas espantosas". E a eleição de Henrique Granadeiro, típico administrador leonino, não caiu bem entre as hostes encarnadas. Confesso que percebo. E, até serem bem explicadas as razões desta felizmente chumbada atribuição, o Henrique deve resignar-se ao seu estatuto de adepto comum. Ou, se a sede for muita, pode contribuir para o pote dos trezentos mil que Vieira tanto apregoa. É esta a beleza do Benfica e, enfim, da democracia. Que, neste caso, até passou por méritocracia. Aos melhores o que estes lutaram por conseguir, mais que todos os outros. Será Granadeiro um deles? Não sei porquê, tenho dúvidas. Muitas e extensas dúvidas.

A nomeação, todavia, fez aquecer o ambiente e trouxe à colação uns certos e determinados senhores que resolveram insultar o presidente. Num regime totalitário, este género de, enfim, "manifestações" seria claramente repudiada, de forma explícita. Os ditos senhores seriam encaminhados para uns terrenos ali na zona da Polónia onde lhes seria dado um banhinho agradável e inesquecível.

Felizmente para o regime democrático, tal não é hoje possível. Haverá outras maneiras de os pôr na ordem, nomeadamente através da sua identificação e consequente expulsão do Benfica, bem como duma interdição de entrar no Estádio da Luz. Se isto fosse a good old England, tal sucederia sem demora. Naturalmente, se isto fosse a good old England, tal nem sequer teria acontecido.

Queixavam-se os senhores da necessidade de legalização das claques. Ora, a legalização das claques é um absoluto disparate porque, a meu ver, as claques nem sequer deveriam existir. Já sei que muitos escreverão tratados sobre a importância daquelas para os clubes de futebol, porque vão aos jogos e apoiam a equipa nos momentos mais difíceis (mentira vergonhosa e absurda, que eu já fui a vários jogos na Luz onde as claques, fruto da pobre exibição do Glorioso, estavam caladas que nem ratos) e blá blá blá. As claques são movimentos compostos na sua maioria por delinquentes que não servem propósito absolutamente nenhum a não ser dar prejuízo às gasolineiras e, como tal, a sua existência deve ser totalmente proibida. Não sendo tal possível, mais por ausência de testículos dos dirigentes do que propriamente por qualquer argumento razoável, haverá que legalizá-las.

Porque, como se viu ontem, deixá-los à solta é permitir que se repitam, um dia, os casos do very light e outros que já vimos acontecer e que, volta e meia, nos regressam à memória, fruto de mais uma brilhante intervenção desses senhores. Gente desta, que não respeita as instituições que serve, é o mais fiel retrato de ideais proto-totalitaristas, em que a obtenção de certos fins é conseguida através do recurso à força, ao insulto e à opressão dos órgãos democráticos livremente eleitos pelos respectivos associados e dos meios de comunicação.

Bem sei que este texto, excluindo algumas referências específicas, parece um daqueles panfletos inflamados da juventude pateta (ou, se preferirem, comunista, trotskista e disparates do género) do pós-25 de Abril. Sendo a minha índole completamente aversa a tais sentimentos e disposições do espírito social e político, quero apenas deixar um apelo à direcção para que ponha em prática tudo o que é sugerido neste post. A bem do futebol e, muito mais importante, do Sport Lisboa e Benfica, o Glorioso.

Tenho dito.
 
por JAS às 17:10 | Link | 30 tragédia(s) escrita(s)
Velhos hábitos
É sempre simpático perceber que, com a evolução dos tempos, a figura do treinador do futebol, na maior parte dos casos, adquiriu capacidades que, outrora, não possuía. Ainda que quase todos continuem com o são hábito de criticar o árbitro (única modalidade na qual o Sporting é campeoníssimo), a maior parte deles parece conhecer outras realidades, alheias à bola, que existem pelo mundo fora, ainda que estas, na sua maioria, advenham de experiências anteriores.

Foi, por isso, sem qualquer espanto, que ouvi Jorge Costa (ab)usar de conceitos jurídicos. O "Bicho" sabe Direito? Parece que sim. Resta apenas saber a que concepção de Direito é que se referia ele. Ao Direito Natural ou ao Direito Positivo? Em minha opinião, a nenhum e a ambos. A questão é que o Jorge desenvolveu um certo hábito em estar no primeiro lugar, hábito esse proveniente da interpretação necessária da chamada Concordata do Galão, elaborada recorrendo a uma conjugação de elementos de uma certa vertente do Direito Natural (uma vontade divina expressa através do seu pontifex maximus - que, pelos vistos, até pode casar - na vertente terrena) e do Direito Positivo (por exemplo, aquela parte da previsão normativa fala de fruta, de leite - daí a nomenclatura - e outro género de bens consumíveis). No fundo, tratamos aqui duma terceira via. Bendita Filosofia do Direito!

Infelizmente para o Jorge, esta Concordata só tem aplicação em certas e determinadas situações, nomeadamente aquelas em que intervenha uma certa Sé (que de Santa não tem absolutamente nada), situada a sul de Braga e a norte de Lisboa, e os seus digníssimos adversários. Ter pertencido à Ordem não atribui quaisquer direitos de qualquer tipo. E, por essa razão, o Jorge já está no olho da rua. Vicissitudes jurídicas, diria eu. Pobre Jorge! E daí, talvez não.
 
por JAS às 16:25 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
Segunda-feira, Outubro 29, 2007
Escola F.C.P.
 
por Mavs às 16:30 | Link | 29 tragédia(s) escrita(s)
Ganas
Foi por causa de vitórias como a de ontem e a de quarta, contra o Celtic, que o Benfica contratou Camacho. Deixámos o anterior regime molengão e passámos a lutar pela vitória - literalmente - até ao minuto 90. Além disso, os jogadores esforçam-se muito mais em campo e têm muito mais respeito pela nossa camisola.
Foi importantíssima esta vitória sobre o clube do sr. Jardim, até porque os ultrapassámos, a eles e aos lagartos, na classificação. Convém é neste momento seguramos este segundo lugar até porque, como diz a Leonor Pinhão, "estamos a 2 pontos do primeiro". E estamos em ano de decisões do Apito Dourado, acrescentaria eu.
 
por Mavs às 16:21 | Link | 6 tragédia(s) escrita(s)
Vozes de burro
Não é de hoje o tom revolucionário de Maradona em relação à FIFA, fruto, certamente, das suas excelentes relações com Fidel Castro, que incutiram nele o espírito dos grandes líderes e das grandes críticas. Infelizmente para nós, populaça vibrante, as estadias hospitalares contínuas de Maradona impedem-no de discursar durante horas intermináveis sobre os malefícios do Império da FIFA e sobre a sua vergonhosa actuação nos palcos mundiais do futebol, nomeadamente nos terceiro-mundistas como a Argentina, em que se ameaçam jogadores e dirigentes e outras práticas profundamente civilizadas do país que formou "El Pibe". Tudo, estamos certos, por culpa da vergonhosa federação internacional de futebol.

Claro que a FIFA tem nomes. Difícil, aliás, seria não os ter. A demagogia discursiva de Diego seria, vá lá, um bocadinho mais evidente. Por isso, era impossível não nomear uns quantos sujeitos, enfim, uns quantos peixes graúdos que ajudem Maradona a fenomenalmente inverter essa verdade "futreana" do "sem cacau, não há palhaço". Aqui, é ao contrário. Se o palhaço se cala, o cacau (ou outra coisa qualquer) não aparece.

Os nomes são repetidos ad nausea. Sobre Blatter, Maradona diz que se o abraçasse, faria parte da família da FIFA, mas seria um filho da puta. Normalmente, um homem que abraça outro homem, a não ser em situações específicas e localizadas, tem tendência a ser chamado de outra coisa. Mas, no universo maradoniano, quem abraça Blatter não é gay, mas está igualmente marcado a nível social. Ou seja, o rótulo será sempre inevitável. O melhor mesmo é não abraçar ninguém. Ou abraçar Fidel. Tendo em conta o andar da carruagem, qualquer dia será exactamente a mesma coisa.

Já Platini é o "chefe mafioso da Uefa". Confesso que, nesta acusação, há que dar alguma credibilidade a Diego. Afinal, ele sabe bem reconhecer um mafioso, dos tempos em aparecia abraçado a alguns, em certas e determinadas fotografias. Curiosamente, quem abraça mafiosos já não é gay nem filho da puta. Como se pôde comprovar, na altura, pelo digníssimo exemplo do acusador. Sim, porque a toxicodependência é uma coisa da moda. E, a julgar por Maradona, esta não teve nada de efémero.

O homem continua. E quem é que falta? Pelé, obviamente. Maradona era melhor que Pelé? Francamente, estou-me nas tintas. Não discuto segundos lugares. Para mim, Eusébio será sempre melhor. Não concordam? É-me igual. Entre o subjectivismo de uns e de outros, eu prefiro escolher o maior ídolo do meu clube. Que se tornou tal nesse mesmo clube e não noutro "grande" europeu. Que não pertencia à Selecção do Brasil, ainda que a, na altura, Selecção Portuguesa fosse composta por jogadores igualmente dotados. Parece, todavia, que Dieguito não consegue esconder a mágoa de ser terceiro. E, como tal, trata de arriar em Pelé. Que, pecado supremo, defende a FIFA. Confesso que não compreendo as pessoas que defendem a FIFA. Bem melhor é defender Fidel. Isso é que é de homem! Agora, a FIFA.... pífio!

Finalmente, termina com Beckenbauer, que levou o Mundial para a Alemanha, outra coisa horrenda que deveria constituir uma excepção, pelo menos no Código Penal Maradoniano (onde, entre outras coisas, o consumo de substâncias tidas como ilícitas deverá ser perfeitamente lícito), legitimadora da aplicação da pena de morte. Francamente! Onde é que já se viu um alemão querer levar um Mundial de Futebol para a Alemanha? E depois queixam-se que isto está mal e que há fome no Mundo e que há cada vez mais pobres! Pudera: com alemães a levarem Mundiais para a Alemanha, onde é que nós vamos parar!

E, seguindo a grande doutrina fidelista, Maradona acusa-os de terem lucrado e de não terem defendido aqueles que precisam de defesa. Fica a pergunta: falamos de defesa jurídica? Parece que sim, já que o que "eles" querem é mais "um corrupto na família". Imagino Maradona a gritar nos corredores da FIFA: "Heroinómano, sim! Corrupto, nunca!"

Não poderia deixar de referir a inépcia dos senhores do Record na atribuição de um título na página online. Quem consultar o artigo, poderá ver que a frase escolhida foi "Maradona espalha veneno". Ora, toda a gente sabe que, no caso de El Pibe D'Oro, o veneno não se espalha. Destila-se. Ou, em último caso, refina-se. Sempre ao som do hino nacional cubano.
 
por JAS às 10:40 | Link | 7 tragédia(s) escrita(s)
Sexta-feira, Outubro 26, 2007
Fair Play?
Portistas deixam decisão para o árbitro: não mandam a bola para fora para adversário ser assistido

Limitaram-se, pois, a anunciar aquilo que pautou todos os seus jogos, em todas as competições: para eles, o "fair play é uma treta". Ainda que, neste caso, até concorde com esta posição.

Ok, internem-me...
 
por Mavs às 14:38 | Link | 29 tragédia(s) escrita(s)
Quinta-feira, Outubro 25, 2007
Ainda sobre Ricardo
Há uns meses atrás, escrevi este post sobre a estranha transferência para o Bétis, esse verdadeiro portentado do futebol de nuestros hermanos.
Na altura, Ricardo tinha dito o seguinte:
"Podia ter ficado no Sporting, que esta época vai disputar a Liga dos Campeões, tive oportunidade de ir para Inglaterra ou para outra equipa espanhola mas, quando me falaram do Bétis, disse logo ao meu empresário: é para aí que quero ir! Perguntaram-me porque não ia para Inglaterra e a minha resposta foi a de que o Bétis é um clube especial que está a fazer um grande esforço para formar uma boa equipa e chegar aos lugares que merece (...) Na época passada, sem ter a menor ideia de que viria para este clube, sofri até ao fim do campeonato para que o Bétis não descesse de escalão. Perguntava-me como era possível que o Bétis estivesse a passar por uma situação tão complicada. Antes de vir já era bético."

Pois bem, impõe-se uma actualização da situação do Bétis.
Neste momento, estão em 17º lugar (o primeiro acima da linha de água) na Liga, com 7 pontos conquistados em 8 jornadas. Pode-se falar num campeonato brilhante...
Ricardo manifesta-se "desiludido" uma vez que não está habituado a lutar por coisas que não sejam o título, mas pronto a contagiar os companheiros béticos com o seu "sangue quente".

Este gajo tem uma treta descomunal!

Desiludido estou eu, porque o Scolari é teimoso que nem uma mula, não dando a titularidade da baliza da Selecção a quem a merece, pelo fenomenal momento de forma em que está: Quim!
 
por Jota às 22:43 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
O lance do Lisandro
Agradecemos aos comentadores azuis, nomeadamente o anónimo, que vejam o seguinte vídeo, nomeadamente apartir dos 12 segundos, momento em que o lance é visto por trás:



(Adenda: no meu pc não estou a conseguir visualizar o vídeo, e para não que ninguém fique privado das imagens que já lançaram a discórdia na caixa de comentários, o link é o seguinte)


Isto é penalty? NÃO! É assim tão díficil reconhecer isso?
 
por Jota às 22:08 | Link | 30 tragédia(s) escrita(s)
Quarta-feira, Outubro 24, 2007
Anexo
Esqueci-me de escrever isto no post anterior e, francamente, não me apetece escorraçá-lo para o fundo do texto. Aos oitenta e não sei quantos minutos, il Maestro tenta segurar a bola junto à linha de canto e sofre uma paralítica assassina dum daqueles australopitecos escoceses ou ingleses ou lá o que é, a quem eu espero que o Petit parta uma perna em Glasgow. Contorce-se no chão, levanta-se, faz um esgar de dor, levanta os braços e puxa pelo público. O homem tem (actualizado) trinta e cinco anos. Qual Ronaldo, qual quê! Rui Costa é que é!

Sempre colossal. Sempre gigante. Sempre Benfica.

Parabéns, Rui.
 
por JAS às 22:33 | Link | 15 tragédia(s) escrita(s)
O lance caricato que acontece muitas vezes
Gosto pouco de falta de humildade quando, quem a demonstra, não tem razões para o fazer. O stôr Jesualdo, campeão nacional com o FC Porto, resolveu armar aos cucos, ao pingarelho e ao Mourinho, tudo de uma só vez, e disparou uma série de disparates no flash interview da Sport Tv. Parecia que o Porto podia ter dado... quinze a zero. Ou, se quisermos ser picuinhas, quinze a um. Infelizmente para o FC Porto e para todo o Portugal que por ele torceu que, não sendo muito, não deve ter sido assim tão pouco, até porque não podemos descurar a quantidade de profissionais do Brasil chegadas todos os dias ao País, quatorze ficaram nos postes e na brilhante análise táctica (pausa para serrar os pulsos) do stôr e o FC Porto lá empatou com o Marselha. E, registe-se, só não perdeu porque o Bruno Alves marcou um dos melhores avançados do Mundo e da Europa, que joga no Marselha porque, enfim, é um nacionalista convicto e crê no poderio gaulês como os pastores na Santa.

Importa não esquecer, igualmente, que o golo do Marselha nasce de um lance caricato, mas que, pelos vistos, acontece muitas vezes no futebol. Como quem diz, "foi por acaso". Isto do acaso, realmente, é uma chatice. O Benfica, por exemplo, poderia ter ganho por três se a bola, por acaso, não tivesse ido bater uma vez na barra e outra no poste. Mas o Porto também tem razões de queixa: se o árbitro tivesse boa vista, aquele penalty do Lisandro jamais seria penalty. Mas não. Os pobres lá tiveram que empatar de forma duvidosa. Assim é impossível ter credibilidade. Qualquer dia, começam uns e outros a dizer que o Apito Dourado fugiu para a Europa como uns e outros fugiram, perdão, viajaram para Espanha. Eu cá não acredito, mas que las hay, las hay.

Também tenho pouca paciência para palhacinhos. Dí Maria fez um passe brilhante, sem dúvida, mas andou a tentar fazer rir a audiência durante o resto do jogo. Já sei que é uma criança, que tem sangue argentino (e não latino - eu tenho sangue latino, para mal dos meus intermináveis pecados, e não me comporto daquela forma perfeitamente imbecil) e que o suposto interesse do Manchester lhe subiu à cabeça. Mas se julga que, por ter muito talento, pode fazer o que quer e lhe apetece, está enganado. Muito enganado. Palhaços e Ciganos é noutra freguesia, noutro concelho e noutra cidade. Na Luz, não.

De resto, parabéns ao Cardozo. Aos meus colegas de blogue, sou forçado a reconhecer que o Bergessio é mesmo fraquinho e que o que tem em capacidade de trabalho lhe falta em talento. Continuo sem perceber a inclusão de Nuno Assis. Será que o COD não quer repensar a decisão?
 
por JAS às 22:00 | Link | 15 tragédia(s) escrita(s)
Horizontes da Memória
Lendo uma história concisa de Portugal escrita por José Hermano Saraiva, deparo-me com dois conceitos que, de imediato, me remetem para o universo futebolístico português. O primeiro corresponde a um escrito atribuído ao judeu Maimónides, suposta grande figura cultural do século treze, que, na sua Epístola sobre a Apostasia, defendeu o conceito de criptojudaísmo. Ora, o criptojudaísmo tem tudo a ver com o benfiquismo, porque consiste no "direito moral de professar intimamente uma crença e aparentar que se professava outra"1. Isto fez-me lembrar o jogo de hoje, ante o Celtic de Glasgow. Intimamente, estou certo que o Benfica ganhará com uma fantástica exibição, tareia de meia-noite, bater em mortos e expressões do género. É uma coisa irracional, uma centelha, se quisermos falar de incêndios, chamas e piromanias afins. Tipo acreditar em Deus, mas mais realista. Racionalmente, porém, estou mais do que certo que a queda às mãos dos porcos escoceses será quase inevitável, fruto das exibições fraquinhas que o Glorioso tem vindo a realizar. Pessimismo? Logo veremos.

O segundo, elaborado por Averróis, um muçulmano visionário , consiste na dupla verdade, isto é, na possibilidade de uma "afirmação ser verdadeira do ponto de vista da razão e não o ser do ponto de vista da fé, e vice-versa"2. Para aqueles que julgam que a parte final da frase demonstra preguiça da parte de José Hermano Saraiva, permitam-me dizer-lhes que estão enganados. Este vice-versa é, aliás, a componente fundamental de toda a doutrina filosófica professada pelo senhor. Aqui, ao contrário do que aconteceu no primeiro caso, já não sou remetido para o universo benfiquista. Pelo contrário. Neste caso, tratamos de um universo à parte. Uma realidade paralela. Uma versão portuguesa da twilight zone, se o quisermos entender assim, em que o que é verdade do ponto de vista da razão (por exemplo, o FC Porto não está, nunca esteve e nunca estará envolvido no Apito Dourado) já não o será do ponto de vista da fé (o FC Porto está enfiado até aos quarks no Apito Dourado). Ou vice-versa.

1, 2 - Saraiva, José Hermano, História concisa de Portugal, Publicações Europa-América, 22ª ed., pág. 81, 3º parágrafo
 
por JAS às 10:31 | Link | 3 tragédia(s) escrita(s)
Terça-feira, Outubro 23, 2007
Eppure si muove *
*E no entanto, move-se!

Após um momento de insónia na passada madrugada, procuro pela amálgama que é a minha secretária por algo que me possa permitir recuperar o sono e a vontade de dormir. Descubro a embalagem que contém a edição de Outubro da Espiral do Tempo.
Como apreciador de relógios, parece-me uma leitura segura e repleta de interesse.
Rasgo a embalagem, e logo a vontade de devorar a revista (ou, no mínimo as páginas de entrevista) sobe ainda mais. Na capa, LFV; por baixo, duas singelas frases: "Vou ficar na história do Benfica, mas não corro atrás disso".
Até chegar às páginas de verdadeiro interesse (pelo menos para os propósitos deste post), uma quantidade colossal e quase absurda de relógios que não posso ter, de carros que não posso guiar, de barcos que não posso velejar, etc, etc, etc. Enfim, todo um estilo de vida para o qual não estou talhado, e que só um jackpot múltiplo do Euromilhões poderia colocar no meu caminho.

Chegando à entrevista propriamente dita, estamos perante quatro páginas, sendo que metade está preenchida com fotografias: uma bastante institucional, de LFV em posse (desta vez, sem a companhia de Soares Franco e do copo de tinto...), e outra, a publicitar o Tag Heuer S.L. Benfica (como convém, a uma revista sobre relógios).
O tom é assertivo é cordial, evitando os sound bytes que lhe valem, entre os cronistas deste blog, o epíteto de papagaio.

Sobre futebol jogado, nada.
Fala-se da marca "SLB", que se pretende ser uma marca global, presente em todo o Mundo. Para tal é necessário, transcrevendo directamente LFV, que "este brinquedo - ou «bisonte», como lhe costumo chamar - vá mudando de mentalidade, o que no mundo desportivo é muito difícil". Ou seja, é impreterível que se separe a paixão clubística do pensamento empresarial.
A marca "Benfica" aposta bastante no ecleticismo, já que se acrescentaram modalidades como o ciclismo e o futebol de salão, contrataram-se campeões mundiais como Telma Monteiro (judo) e Vanessa Fernandes (triatlo), havendo também uma incursão nos desportos radicais (através do Benfica Aventura). Ainda assim, o negócio principal é o futebol, onde nos é dito que "existem condições para pensar seriamente em investir, independentemente de sabermos que não podemos chegar a determinado tipo de valores salariais e que não podemos prender cá ninguém."
Obviamente, LFV tem de ter em conta que numa SAD o seu bom comportamento se mede não só pelos resultados liquídos obtidos no final do ano, pela capacidade de gerar receitas ou pelo reconhecimento da marca, dentro e fora de portas, mas antes e acima de tudo pelos resultados desportivos; são eles a argamassa necessária para se construir um edifício minimamente consistente.
Para se ter sucesso no negócio que é o futebol, é imprescindível uma equipa ganhadora (no minímo, 3 campeonatos a cada 5 anos). Basicamente, sem títulos, "chapéu" para os 300 mil sócios (uma versão alternativa da mítica frase de Futre "sem cacau, não há palhaços").

Fala-se ainda do grande desafio de LFV. Aceito sugestões, mas estou quase disposto a apostar uma avultada maquia que a esmagadora maioria de vós vai errar.
Assim, a todos os que disserem "construir uma grande equipa", "fazer a dobradinha", "ganhar uma taça europeia", "renegociar os contratos de transmissão de jogos" ou o quase omnipresente "atingir os 300 mil sócios", só vos poderei dizer que estão completa e redondamente errados.
Cito: "O meu grande desafio é encontrar a pessoa certa para me suceder, para que tenha tempo para se preparar para me dar continuidade. Essa pessoa vai ter de passar por um período de aprendizagem. Se assim não for, são muitos anos de trabalho que são postos em causa. Porque o Benfica não se pode dar ao luxo de perder os principais quadros que tem. Quem me substituir deverá acrescentar valor ao clube, nomeadamente no que respeita a outros projectos, mas é essencial que deixe os profissionais trabalharem.
Num clube destes, [a sucessão] é muito complicada. Em três meses, pode abater-se o que se fez. Se eu próprio não resistir a pensar só em resultados, ou se pensasse só em mim e quisesse resultados, era fácil consegui-los. Era fácil ganhar."

Honestamente, acho que existem desafios mais prementes. Nomeadamente, o reforço da equipa para o que resta de mais uma temporada que deve ser encarada como "ano 0", e a preparação da próxima que terá de ser mais bem conseguida, com títulos e bom futebol.
Mas depois de toda a rábula que envolve o último ano de profissional de Rui Costa, a resposta que citei acima não me espanta.

Em suma, a primeira entrevista de LFV que leio sem o minímo indício de uma reviradela de olhos. Finalmente...
 
por Jota às 23:15 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
Retorno
Regresso de fim-de-semana romântico em Milão. Vôo em companhia aérea low-cost. Não há jornais, lamenta-se a hospedeira com sotaque de Gerry McCann. Lamento-me eu, em seguida. A viagem demora. Não há televisão. Não há notícias. Há uma gorda, ao meu lado, a ler Laura Esquível (ou "literatura" do género). Portuguesa, ar pouco cândido e olhos fechados, ameaçando ronco que não chega.
Decididamente, nada de futebol. Ainda que, à partida, amigos e entidade maternal tenham sido devidamente avisados da necessidade premente de ser informado, qualquer que fosse o modo, do resultado do Benfica - Setúbal - tarefa que, registe-se, cumpriram com mérito e eficiência - tal não foi suficiente. Precisava de mais. De melhor. Estatísticas, números, pontuações, opiniões, boas e más, enfim, um resumo detalhado do jogo (se não fosse possível ter o próprio jogo, formato VHS, DVD ou reconstituição digital). O avião aterrou. A ausência de malas possibilitou o passo apressado até ao quiosque mais próximo. Confirma-se a existência de trocos. Setenta e cinco cêntimos chegam. Avisto A Bola. Desejo A Bola. Tem uma série de referências inúteis a Paulo Bento? Tem. Tem uma "crónica" de Paulo Sousa? Tem. Mas também tem aquele rectângulo vermelho que possibilita a venda de centenas de milhar de jornais e que me acalma de imediato. Relembro o ditado: Portugal vale a pena pela língua e pelo Benfica. E ambos repousaram na minha mão, ainda que o primeiro repousasse da tareia que lhe dão os jornalistas que por cá escrevem. A companhia e a companheira desesperam. Não há que desesperar. Os serviços do aeroporto vão entrar em greve, a guerra continua no Iraque, ainda não acabou a fome no mundo e eu não ganhei o Euromilhões, mas, acima de tudo, o Di Maria está a ser observado pelo Manchester e o Zoro pode ser titular ante o Celtic. E o resto é paisagem.

Perco trinta segundos, enquanto a ineficaz senhora do quiosque procura fazer a árdua conta de cabeça que lhe permitirá dar-me a diferença entre um euro e setenta e cinco cêntimos de troco, a olhar em volta. Alguns tipos compram o Público, outros o DN. Alguns escolhem a Visão, algumas a Elle. Imagino-me daqui a uns anos, a regressar de Paris, de Milão, de Florença e a dirigir-me ao quiosque preocupado com o ambiente político, com os problemas sociais, com a vitória do Raikonnen e banalidades do género.

Caramba, que ser desprezível serei então.
 
por JAS às 11:40 | Link | 5 tragédia(s) escrita(s)
Domingo, Outubro 21, 2007
Não temos uma segunda equipa? Pois não..
Camacho afirmou na sexta-feira que a equipa que iria ser titular contra o Setúbal não seria uma segunda equipa, e que esta tinha capacidade para vencer qualquer equipa.
Infelizmente, e após ter visto o anterior jogo da Taça da Liga, era quase impossível ouvir Camacho e não abanar a cabeça em desaprovação. Os "não titulares" não demonstram capacidades suficientes, ontem mantiveram-se no mesmo caminho.

Miguelito e Luís Filipe parecem cópias um do outro: maus a defender, maus a atacar, perdem lançes aparentemente controlados e até então inofensivos... Não consigo entender como é que jogadores que se destacaram nos seus anteriores clubes (Nacional e Sporting Braga, respectivamente), que eram consistentes nas suas posições, que chegaram a ser alternativas válidas para a Selecção Nacional se "transformam" em nódoas.
Zoro é o homem tractor. Querem emprestar o Miguel Vitor, e este ficará cá? Só se for para cortar a relva na Luz. Por amor de Deus!
Estava expectante por ver o que é que Bergessio poderia fazer, no seu primeiro jogo após paragem por lesão. E neste momento, ele tem uma característica boa, e outra má: felizmente, é egoísta dentro da área, mas falha todas as oportunidades que tem. Assim sendo, continua na coluna dos flops.

O que é que poderemos fazer em Janeiro?
Camacho já disse que queria reduzir o leque de jogadores, mas por este andar vamos é ficar sem jogadores.
Esta vai ser uma época difícil de engolir.
 
por Jota às 20:28 | Link | 17 tragédia(s) escrita(s)
Sexta-feira, Outubro 19, 2007
À Madaíl
Federação aplica multa de 35 mil euros a Scolari

Para um tipo que ganha, se calhar, o dobro disso por mês, não seria um "tau-tau" bem mais eficaz?
 
por Mavs às 18:44 | Link | 3 tragédia(s) escrita(s)
Quinta-feira, Outubro 18, 2007
Algo que não consigo entender
Diz Manuel Pellegrini, treinador do Villareal, a propósito do seu jogador Riquelme:

"O assunto está encerrado. É um dos cinco melhores do Mundo no seu lugar, mas os seus golos e exibições nada vão alterar".

Já na terça-feira tinha lido isto.
O que será que o gajo fez, para as coisas se terem extremado desta forma?
 
por Jota às 22:41 | Link | 5 tragédia(s) escrita(s)
Quarta-feira, Outubro 17, 2007
UH?!
Depois venham falar-me do nacionalismo austríaco...
 
por JAS às 23:55 | Link | 4 tragédia(s) escrita(s)
O outro Rui
Perscruto os jornais diários em busca de notícias frescas. Dou com o deserto habitual. É natural. O Benfica não tem jogado, LFV tem estado calado e a Selecção fez mais um jogo. Ou seja, não há nada para dizer. Será? Não, claro que não. Há uma pequena aldeia sorridente que vai resistindo, ainda e sempre, às invasões de bom senso que se apoderam dos pasquins nacionais nesta altura de aridez. Refiro-me, naturalmente, ao homem no cabelo do qual se fritarão os melhores ovos a este da Califórnia.

Creio que já todos sabemos que o Record é um jornal, enfim, de trazer por casa. Se desejássemos ser picuinhas, diríamos que o Record é um jornal de trazer por casa... de banho. A piada é fraca, reconheço, mas os dois sentidos possíveis da frase agradam-me sobremaneira. Quando um jornal atinge o patamar que o Record atingiu (depois de uma notória queda livre, bem entendido), julgamos, nós, os leitores d'A Bola, que não é possível cair mais. E é aí que formidavelmente nos enganamos. Porque o que é muito mau consegue sempre arranjar maneira de ser ainda pior.

E foi esse je ne sais quoi de horripilância que descobri hoje. Na minha perscrutação selvagem, dou com uma fotografia pequena, impressa sob um fundo amarelo. Será um ovni? Era bom, mas não. Por baixo, esconde-se timidamente a frase que despoleta a minha gargalhada. "Rui Santos escreve". O quê, ninguém sabe. Mas escreve.

Mas sobre que assuntos escreve Rui Santos? Não sei. Uma frase indistinta almeja dar uma ideia sobre o cerne da questão, mas eu, que não tenho por hábito comprar o Record, fico-me pela frase. Não me lembro do conteúdo. Lembro-me, sim, de outra, que vi há umas semanas. Dizia qualquer coisa como "Camacho pede a LFV que esteja calado s.f.f". Não vou sequer comentar a utilização da abreviatura de "se faz favor". É pobre. Muito pobre. Alguns amigos discordam. "Põe o dedo na ferida", dizem. Acredito que sim. O problema é que a ferida geralmente é na cabeça e Rui Santos procura-a ávidamente no dedão grande do pé. Não é falta de pontaria. É ausência de senso comum. Rui pretende chocar e, em simultâneo, transformar, apontando os mísseis (certamente oriundos da Guerra Fria) a alvos que, na sua opinião, devem cair. Invariavelmente, aponta-os ao sítio errado. E, também invariavelmente, raramente chegam ao seu destino.

Uns dirão que a vítima preferencial de Rui é o Benfica. Francamente, não sei. Como já disse, não leio. E não faço tenções de ler. Mas acho que sim. Por mim, pode ser. E se ele quiser mudar, também não me importo, simplesmente porque tenho a convicção profunda que todo e qualquer pedaço de prosa escrito por Rui Santos será, sempre, perfeitamente desprovido de interesse. Provas? Os tempos em que ele escrevia na última página d'A Bola, numa coluna em que, imbuído de pretensões marcelistas, classificava os vários intervenientes da semana que havia cessado. A coisa era de um desinteresse periclitante. Naturalmente, foi posto a correr. E para onde correu ele? Não me lembro. Sei que andou, qual Santana Lopes, moribundo, para vir ressuscitar a um Record hoje deliberadamente verde-e-branco. Fica-lhe bem. São as cores da moda. Infelizmente, alguém teve a fraca ideia de o pôr na capa. Em plano de destaque. Como se o amarelo fluorescente que lhe preenche o fundo não fosse já suficientemente atordoador para a retina comum. Não era possível pô-lo na página 30, escondido, passível de ser descoberto apenas pelos leitores mesmo atentos? Pelos vistos, não. E, por essa razão, sempre que sou forçado a ver as "gordas" do Record, levo com a carinha laroca do Rui. E com o sorriso laroca do Rui. E com as frases lapidares do Rui. Incompreensível. Mas sugestionável. "O povo pensante pede ao Record que esconda o Rui, se faz favor"? Louvável, mas inexequível. Rui faz lembrar o Prestige: por mais que se limpe, haverá sempre uma camada de óleo remanescente.
 
por JAS às 12:00 | Link | 11 tragédia(s) escrita(s)
Terça-feira, Outubro 16, 2007
Pérola Futebolística

"O jogador da equipa visitada, Micolli, desmandou-se em velocidade tentando desobstruir-se no intuito de desfeitear o guarda-redes visitante.
Um adversário à ilharga procurou desisolá-lo,desacelerando-o com auxílio à utilização indevida dos membros superiores, o que conseguiu.
O jogador Micolli procurou destravar-se com recurso a movimentos tendentes à prossecução de uma situação de desaperto mas o adversário não o desagarrava.
Quando finalmente atingiu o desimpedimento desenlargando-se, destemperou-se e tentou tirar desforço, amandando-lhe o membro superior direito à zona do externo, felizmente desacertando-lhe.
Derivado a esta atitude,demonstrei-lhe a cartolina correspectiva."

Extracto (verídico!) do relatório do árbitro Carlos Xistra relativo a apresentação de cartão amarelo ao jogador Miccoli...

 
por Jota às 16:56 | Link | 12 tragédia(s) escrita(s)
Segunda-feira, Outubro 15, 2007
Dez coisas que odeio em ti
1. O Cristiano Ronaldo
2. O Ricardo Quaresma
3. O Pauleta
4. O Figo
5. A versão luso-brasileira do trio Odemira
6. Os jogadores do Benfica lesionados ao teu serviço
7. As interrupções da Liga por causa de jogos contra potências como o Cazaquistão
8. As interrupções da Liga para te ver à rasca contra potências como o Cazaquistão
9. O Madaíl e a estrutura da FPF
10. A quantidade excessiva de verde no equipamento

(A única coisa que me agrada? Sermos, pela eternidade, muito melhores que o rugby).
 
por JAS às 21:16 | Link | 14 tragédia(s) escrita(s)
Comparações e Barretes
Pepe: Imprensa catalã compara-o a Woodgate

Para mim não há comparação possível. Pepe é muito pior.
 
por Mavs às 18:13 | Link | 5 tragédia(s) escrita(s)
Domingo, Outubro 14, 2007
O Caso Saltillo, revisitado pela Bolívia
Durante o Campeonato do Mundo de 1986 no México, a nossa selecção esteve envolvida numa situação estranha que ficou para a História como o Caso Saltillo.
Parafraseando a entrada da Wikipédia, "para muitos dos amantes do futebol em Portugal, Saltillo representa uma das páginas mais negras e vergonhosas do desporto português". Como era demasiaado novo na altura, aqui fica uma breve explanação dos eventos em torno deste caso.

Basicamente, correu tudo mal.
Aliás, se a título de curiosidade, derem um salto ao link que coloquei acima, verão que alguns dos acontecimentos têm similaridades com o que nos aconteceu no Mundial da Coreia-Japão, em 2002, com completa correspondência no campo dos resultados desportivos.
A gota que fez transbordar o copo foi a ameaça de greve por parte dos jogadores, caso os prémios de jogo não fossem melhorados, e o facto de serem obrigados a fazer publicidade não remunerada, tendo essa ameaça de greve sido cumprida no dia 25 de Maio, com a sua recusa em treinar.

Para além destes eventos, ficaram também os (fracos) resultados desportivos; assim, após uma vitória por 1-0 (golo de Carlos Manuel) face à Inglaterra, que era o adversário mais cotado do grupo, seguem-se duas derrotas, contra a Polónia, por 0-1 (golo de Smolarek) e contra Marrocos (?!?!?), por 1-3 (golos de Khairi, por duas vezes, Krimau e Diamantino). Fomos os últimos do grupo, o México'86 acabava ali, sem honra nem glória.

Consequências: Demissão do seleccionador José Torres, o saneamento dos jogadores que alinharam na greve, tendo obrigado Portugal a jogar a fase de apuramento para o Europeu de 88 com uma segunda equipa, que teve resultados desastrosos, nomeadamente um empate em casa, com Malta.

Esta breve resenha deve-se a um mini-Saltillo, que aconteceu este fim de semana com a selecção da Bolívia, treinada pelo nosso ex-jogador Erwin Sanchez.
Assim, antes da primeira jornada da zona sul-americana de apuramento para o Mundial 2010, a selecção boliviana resolve trocar os treinos por reuniões para acertar os prémios de jogo, e não se conseguiu chegar a um consenso.
No campo desportivo, o resultado é por demais esmagador, tendo os bolivianos sido cilindrados pelo Uruguai, por 5-0. A título de curiosidade, refira-se que Maximiliano Pereira e Cristian Rodríguez foram titulares, com o primeiro a jogar como lateral-direito.
 
por Jota às 13:42 | Link | 18 tragédia(s) escrita(s)
Depois da noite de ontem...
sou sócio do SLB!

Acho que vocês são completamente doidos...
Obrigado por tudo, João e Luís.
Vou tentar estar à altura do vosso gesto (e da vossa amizade)!
 
por Jota às 12:21 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
Quinta-feira, Outubro 11, 2007
Janeiro
Como é normal no único clube que vende jornais em Portugal (e que, já agora, sustenta todos os outros com as receitas de bilheteira e Tv do jogos em que o Benfica joga fora) o tema "Contratações" é já uma realidade.

Diz o Record (ok, é o... Record!) que "Camacho quer quatro reforços no Inverno: um lateral-esquerdo, um médio-defensivo, um trinco e o desejado ponta-de-lança (link)". Diz outro jornal - A Bola - que a "continuidade de Rodriguez está garantida a 99,9 por cento (link)". Por fim, O Jogo cita um tal de Alessio Secco, director-desportivo da Juventus, para dizer que "o clube transalpino não está interessado em trocar Tiago por Luisão (link)".

Descontando a questão do Rodriguéz que, tal como o Miccoli há dois anos, se vê que tem de continuar, parece-me excessivo o número de reforços que, alegadamente, Camacho quer contratar. Em Janeiro não se fazem bons negócios a menos que se tenha (muito, mesmo) dinheiro para ir buscar um jogador a um tubarão. Desse modo, além do "desejado"- como lhe chamam os lagartos do Record - ponta-de-lança, podemos investir todo o dinheiro que se iria gastar em defesas e médios num jogador a sério. O Tiago, por exemplo. Até porque eu também não estou interessado na troca com o Luisão.
 
por Mavs às 19:25 | Link | 12 tragédia(s) escrita(s)
Olhem Quem!
Fernando Santos não poupa jogadores do PAOK após eliminação frente ao 9º classificado da II Liga grega.

O que é estranho é como é que ainda dão hipóteses a este tipo de - sequer - se poder sentir envergonhado com o que quer que seja relacionado com "treinar uma equipa".
 
por Mavs às 19:14 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
Quarta-feira, Outubro 10, 2007
Pensamento dos adeptos
A) O Sporting enfiou três batatas no Guimarães.O primeiro golo, disse um tipo qualquer da SportTv que é fanhoso - e disse o Joaquim Rita -, foi irregular: houve uma falta do Vukcevic sobre aquele gajo do Guimarães que jogou no Moreirense e que parece o Paulo Carroça - o azeiteiro da Ilha dos Amores, mas em guedelhudo - cinquenta metros atrás e seis toques na bola antes.Eu queria deixar bem claro que quero que se fodam o fanhoso, o Joaquim Rita, o Paulo Carroça e a falta.Ficou 3-0 e que bem que ficou. (aqui);

B) Eu pecador me confesso
desse acto que mal me fica
de num momento apressado
ter dito bem do Benfica

Nunca fui de águias ao peito
e muito menos agora
que cansados do vermelho
o deitaram porta fora

Eu sempre fui um dragão
daqueles que o Norte gosta
devotado à cor azul
e ao senhor Pinto da Costa
Por isso peço perdão
do meu deslize fatal
prometo portar-me bem
e das águias dizer mal

E se voltar a pecar
por qualquer motivo vil
expulsem-me da blogosfera
e digam que estou senil
(aqui).


Com adeptos assim, poderá o nosso futebol precisar de mais inimigos?
 
por Jota às 21:00 | Link | 23 tragédia(s) escrita(s)
Segunda-feira, Outubro 08, 2007
Hi-hó, hi-hó*
Fanã volta à ribalta (se considerarmos que A Bola é um daqueles palcos pobrezinhos para artistas de terceira, que vem abaixo às quintas-feiras quando a versão literária de John Coltrane resolve dar lá uns solos de bailinho) e eu ao desespero. Pensei estar curado e vacinado. Imune. Mas não. Fanã fala e regressa a urticária. É difícil ler. É impossível perceber. E exige cada um dos parcos mililitros dos meus reservatórios de boa vontade.

A Bola, naturalmente ciosa de vendas (o Benfica não ganhava há cinco jornadas e o jornal estava prestes a declarar falência), precisava de lenha para a fogueira. E, em vez de se socorrer de Olímpio Bento (material profundamente incendiário), socorreu-se de Fanã, contraplacado húmido e podre. A floresta não ardeu, mas não foi por falta de vontade. "Esta não é a minha equipa" e pérolas do género contribuem para a já longa narrativa das incompreensíveis peripécias de Fernando Santos, o engenheiro do Penta.

O homem não só não tem qualidade, como também não tem solução. Por essa razão me espanta a sua capacidade de encontrar clube. Ainda que raramente por lá fique muito tempo. Não pretendo alongar-me, já que se prevê que o Jota faça um apanhado muito completo da entrevista. É de chorar por mais. Mas, por favor, não comprem. Não tentem arranjar. Não peçam emprestado. Não encomendem. Não subscrevam a edição on-line. Resumindo, não alimentem pirómanos. A não ser, claro, que eles resolvam fazer mais uma entrevista a, sei lá, Octávio Machado. Confesso que já tenho algumas saudades do Palmelão e da forma como costuma deixar bem claro qual é que não é a sua equipa.

Ainda assim, um obrigado a Fernando Santos. Com as cinco não-vitórias do Benfica e a vitória do Luis Filipe Menezes, estava difícil arranjar assuntos interessantes sobre os quais escrever.


*Para aqueles que apresentem dificuldades em entender, não se trata aqui de reduzir a escrito o som de uma ambulância ou de um carro de bombeiros. Deixo aqui uma pista: é cinzento, come palha e tem orelhas grandes (eu pensei em pôr "já treinou os três grandes", mas depois ainda diziam que era o Fernando Santos - que não é, claro que não é, então eu, logo eu, ia chamar burro ao Fernando Santos... longe de mim tal coisa, um homem tão bom - e eu não quero processos em tribunal). Fica portanto a pergunta: quem é, quem é?!
 
por JAS às 11:42 | Link | 30 tragédia(s) escrita(s)
O Silêncio dos Inocentes
Pensei em escrever sobre a entrevista dada por Luis Filipe Vieira e Filipe Soares Franco a A Bola. Matutei seriamente no assunto. Li e reli a entrevista, sumarenta, procurando formas de dizer tudo aquilo que acabou por ser dito por, entre outros, Miguel Sousa Tavares. As queixas de ambos foram muitas, tendo o FC Porto e a arbitragem como principais alvos. Enquanto LFV se entregava às baboseiras habituais, FSF dedicava-se ao rotineiro choro do Kalimero.

O Kalimero já não é do meu tempo. Sei de quem se trata por interposta pessoa (neste caso, a Abelha Maia), companheira do referido pinto num conhecido dueto semi-erótico de péssimo gosto mas excelente melodia. A curiosidade matou o gato e o desconhecimento e rapidamente fiquei a par das desgraças do pinto, que neste caso é preto, com meia casca de ovo enfiada na cabeça, através de alguns episódios que passavam na televisão, na altura. Devo dizer que nunca tinha feito a analogia, mas que a analogia me parece perfeitamente feita. Um pinto chorão, coitadinho, queixando-se constantemente da sua desgraça pessoal. Até parece que estou a ouvir Soares Franco mencionando o campeonato que perdeu o ano passado porque um tipo meteu uma bola com a mão.

Atente-se no discurso. O Sporting não deixou de ser campeão por ter sido inferior ao FC Porto. Não. O Sporting não foi campeão porque um reles jogador do Paços de Ferreira resolveu pôr a mão na bola e a bola entrou. E o árbitro não viu e o Sporting, cabisbaixo e amargurado, foi incapaz de fazer pontos em vários outros jogos nos quais não fez pontos porque um ser vil se indignou a meter uma bola - veja-se bem o despautério - com a mão, na baliza de Sua Majestade. Lá diz o ditado: em terra de cegos, quem tem olho é rei. O problema, a meu ver, parece ser a indefinição em que o clube de Alvalade se encontra. No jogo ante o Benfica, aqui d'el-rei que foram espoliados. Todavia, contra o Vitória de Guimarães, resolveram pertencer ao clube dos ceguinhos. O Paulo Bento irado do jogo da Luz transformou-se no Paulo Bento tranquilo do jogo de Alvalade. É natural: como dizia Lavoisier, na natureza nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma. E o Kalimero lá pode transformar o choradinho em alegria, que a tradição continua a ser tudo o que já era. A comprová-lo está o penalty flagrante que Nuno Gomes sofreu ontem na Luz e que o árbitro resolveu simplesmente ignorar. Eu percebo. Quem tem o registo limpo há dois anos, não vai querer sujá-lo agora. E a favor do Benfica! Santa heresia. Lá tinha João Ferreira de ir ao beija-mão a Fátima. Ou será à Amadora?

P.S. - No mesmo artigo em que MST compara o Benfica à cigarra e o Sporting ao Kalimero, o FC Porto é retratado como uma formiga. À primeira, não percebi, mas depois houve alguém que teve a gentileza de me fazer ver que, além de trabalhar muito, a formiga é preta e funciona em equipa. Rapidamente se fez luz.
 
por JAS às 11:08 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
Quinta-feira, Outubro 04, 2007
Derrotados
Correu tudo mal. Perdemos um jogo decisivo em casa e, ainda por cima, perdemos bem. Apesar de até termos jogado com garra e de termos tido algum azar, a estratégia do Shakthar passava por fazer exactamente esta exibição: marcar um golo e controlar por completo o jogo. Conseguiram faze-lo e, durante a maior parte do tempo, estivemos mesmo é a ver a equipa adversária a jogar.
No entanto não percebo o porque deste stress todo. Tantos assobios, tantos insultos. Querem despedir o treinador? Outra vez? Ou são os jogadores? Bem sei que não nos devemos resignar porque somos todos adeptos do Benfica e, desse modo, temos todos de ser ultra-exigentes com o nosso clube em todas as áreas mas, realisticamente, estamos a pagar a factura de um planeamento de época ridículo. Não só perdemos os nossos melhores jogadores (Simão, Miccoli e Karagounis) como apenas contratámos "apostas de futuro" para os substituir. Mas se acham que assobiar um paraguaio com qualidades reconhecidas e que custou 9 milhões de euros ajuda a este melhorar os seus índices de confiança, tudo bem. Ou tudo mal.

Começa infelizmente a parecer que até o Petit regressar arriscamo-nos a não ganhar mais nenhum jogo. Para já, o nosso meio-campo é constituído pelo ultra-marcadíssimo e cansadíssimo Rui Costa, pelo Katsouranis que neste momento não tem "pernas" para jogar no meio-campo, pelo Pereira que neste momento não tem qualidade para jogar a titular e ainda pelo Di Maria que neste momento não pode jogar à direita. No ataque, as coisas ainda estão piores. As bolas não chegam ao nosso único avançado e, quando lá chegam, quer seja o Nuno Gomes, quer seja o Cardozo encarregam-se de disparatar. Sem mais opções no banco (ainda que o Binya e o Adu devam merecer mais oportunidades...), a tarefa de Camacho é deveras complicada. E não é só uma questão de táctica como todos os doutos do futebol parecem querer insinuar: ainda que concorde com os dois avançados juntos, têm (pelo menos enquanto não haver Petit) 2 trincos (um deles podia era não ser o Pereira...). Basta ver que foi com a entrada do Binya que passámos - finalmente! - a criar algum perigo.

Com esta derrota dissemos praticamente adeus aos oitavos-final e, muito provavelmente (por causa da derrota do Milan em Glasgow), também à Taça Uefa. Resta-nos levantar a cabeça e continuar a acreditar que as coisas vão melhorar até porque continuo - e continuarei nos tempos mais próximos e não tão próximos assim - a defender o Camacho. Como dizia o Mourinho, antes de ser despedido, "sem ovos não se fazem omuletes e, com ovos de 2ª ou 3ª categoria, estas saem pior". Agora tentem só imaginar os actuais ovos do Benfica a serem cozinhados pelo Fernando Santos...


Adenda: O post do Pedro FF na Tertúlia: "(...) Mas tudo isto eu perdoo quando vejo que aquela camisola foi transpirada pelos jogadores que hoje a envergaram (...)"
 
por Mavs às 01:00 | Link | 34 tragédia(s) escrita(s)
Quarta-feira, Outubro 03, 2007
Um Filme para Camacho
Espero que o veja esta noite, frente aos ucranianos:

Get Rich or Die Tryin'

P.S.- Apesar de nunca o ter visto e de nunca ir fazê-lo, gosto do título. Pode ser que jogue com 2 avançados...
 
por Mavs às 15:10 | Link | 21 tragédia(s) escrita(s)
Segunda-feira, Outubro 01, 2007
Pedro Lagarto Henriques
Mais uma vez Pedro Henriques voltou a arbitrar um derby, mais uma vez a sua actuação foi péssima. Aliás, acho que este post não podia ter sido melhor precedido pelo texto do Jas "As faces do sistema". Eu explico. Esta semana teve alguns momentos que eu considero "sistemáticos" (de sistema...). Primeiro foi o Presidente da arbitragem, Vitor Pereira, depois de ter afirmado que é sócio lagarto desde que nasceu e actualmente com as quotas em dia, vem dizer que "só lamenta as críticas que vêem do meu clube". Ilações? retirem-nas. Depois, na Taça da Cerveja - essa competição interessantíssima - fomos beneficiados. Tinha-nos sido roubados, em primeira instância, dois penalties, um frente ao Leixões na primeira jornada, outro frente ao Guimarães na terceira mas... fomos beneficiados na Taça da Cerveja. Faz sentido. Seria um fracasso se o Benfica - e os seus adeptos - não sustentassem financeiramente a escumalha constituída pelos presidentes dos clubes e a sua gentinha e, para mais, seria sempre um argumento para quando o Benfica fosse roubado, poderem vir ladrar para a televisão que "Ah e tal, mas foram beneficiados na Taça da Cerveja!". Uma ajudazinha destas no campeonato, nem que seja um mísero centro já fora de campo que depois dá golo, esquece.

Pois bem, mais cedo do que eu pensava (precisamente 3 dias depois), esse argumento pode ser utilizado. O penalty cometido, no último minuto de jogo (curiosamente, também no último minuto de jogo) sobre o Freddy Adu é um escândalo. Faltou os cojones a um diz-que-é oficial do exército para fazer justiça.

Sobre a equipa, gostei do Katsouranis, do Nélson e do Rodriguéz. O Nuno Gomes não devia ter falhado aquele golo mas não acho que a perdida tenha sido assim escandalosa (como a frente ao Espanhol no ano passado). Também não há mais opções para o ataque: Cardozo voltou a demonstrar que não é solução, pelo menos a jogar desacompanhado. A Adu entrou bem mas tarde. Acho que merece mais oportunidades, principalmente quando tanto o Di Maria como o Pereira estão em fase descendente.

Um empate frente aos lagartos é um resultado péssimo. A suposta "equipa-que-pratica-o-melhor-futebol-em-Portugal-quase-tão-bom-como-o-do-Chelsea-quando-estava-lá-o-Mourinho-porque-com-o-israelita-os-jogadores-do-Chelsea-já-não-prestam" é fraquíssima, quase ridícula. À semelhança dos seus adeptos.
 
por Mavs às 01:07 | Link | 62 tragédia(s) escrita(s)