Primeiro que tudo, permitam-me afirmar que o FC Porto não tem uma grande equipa. Tem, isso sim, dois ou três jogadores fundamentais que, quando não jogam, fragilizam por completo a estrutura. Além de, claro, adversários que, esta época, se portaram mal.
Os portistas discordarão. Mas, francamente, de que é que os portistas não discordam? O FC Porto foi a melhor equipa? Sem dúvida. Ao contrário de uns e outros, não tenho problemas em fazer este género de afirmações. Mas, num campeonato justo e honesto, jamais seria campeão com 16 pontos de avanço. Este é um facto que os fanáticos morcões disputarão, como se em jogo estivesse a própria vida. Não vale, por isso, a pena citar os muitos e variadíssimos casos que permitiram tão precoce vitória. Seremos sempre brindados com argumentos provincianos e regionalistas, onde estará explícita e implícita a ideia de que é impossível o FC Porto, na pessoa do seu presidente, ter corrompido árbitros porque o FC Porto será sempre, como é óbvio, melhor. Resta saber por onde terá andado esta supremacia até à década de 80. Uma coisa é certa: não teve nada a ver com a ascensão de Pinto da Costa à Presidência. Rien de rien.
Confesso que o Porto e o seu clube maior me fazem lembrar a Madeira e o seu clube menor. Estranhamente, fazem parte de Portugal, mas parecem nunca querer fazê-lo. Rui Alves já o disse, em afirmação que subscrevo totalmente. Ofereçam a independência à Madeira. E, por acrescento, ao Porto. Já todos percebemos que não há um genuíno interesse de tão superior populaça em fazer parte de Portugal. Pelo menos, julgando pelas declarações de Pinto da Costa (já aqui transcritas pelo Jota) na inauguração de mais uma casa do clube. O FC Porto venceu contra tudo e contra todos. É o discurso do Kalimero, ensinado pelos párias leoninos, no seu esplendor. Condimentado, claro, com as habituais afirmações de revolta e repúdio. O ódio, os inimigos, enfim, figuras costumeiras nos discursos do Papado, que foram, são e serão o verdadeiro motor da máquina portista, conjugado com o seu motivo de existência: um supremo ódio ao Benfica. Porque, meus caros, é disso que se trata. O FC Porto joga motivado pelo síndrome do Kalimero, pelo ódio, pela necessidade pacóvia de derrotar o Sul. E, consequentemente, o Benfica. Por isso é que ontem, uma vez mais, o grito de vitória foi o "Filhos da Puta, SLB". Sintomático.
A verdade, goste-se ou não, é que o FC Porto não é mais do que um apêndice do Benfica. Só existe porque existe um Benfica e cessará de existir quando o Benfica cessar a sua existência. Eu sei, eu sei. Parece absurdo, mas não é. Como já escrevi atrás, toda a história do FC Porto é alicerçada nesta vontade de combater o Sul e o Benfica. Os discursos de Pinto da Costa contiveram, invariavelmente, "facadas" ao clube da Luz. Os discursos dos adeptos contêm, invariavelmente, mortandades na Luz. Mais exemplos para quê? O FC Porto age como qualquer boi ante a visão hedionda do vermelho. Atacando. É natural: faz parte do "ódio". Felizmente para nós, os apêndices removem-se. Assim o queiram os doutores da Toga, que os da Liga já prestaram a devida vassalagem.
Já sei que tenho azia e mais isto e aquilo. Francamente, não padeço de nenhuma das doenças habituais. Não ouvi os festejos do FC Porto. Não me interessaram particularmente as celebrações. Não prestei atenção aos comentários. Estou até a pensar deixar de ver futebol. Não porque o FC Porto ganhe, mas pela forma como o faz. E pelo gozo imenso que isso dá aos adeptos do clube.
Dito isto, parabéns ao FC Porto, por mais uma vitória "à FC Porto". Há coisas que nunca mudam. E nunca mudarão. Como exemplos, posso dar a futura derrota dos azuis-e-brancos frente ao Guimarães, depois de colocada em campo metade da equipa de juniores. Conquistado o campeonato, há que perseguir o segundo grande objectivo: transformar a apendicite em peritonite. Nada a que não tenhamos sido já habituados.