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Sexta-feira, Janeiro 30, 2009
O Mesquita que Investigue
Primeiro era "troca por troca": o Andrés Madrid ia para o Porto, enquanto que o Bolatti ia para o Braga. Depois, a confirmação oficial surge. O Bolatti recusa ir para o Braga mas o Madrid continua a ir para o Porto. Enfim... Há uns posts atrás apelidei os "arsenalistas" de "Sporting Clube do Porto". Hoje está explicado porquê.
 
por Mavs às 17:30 | Link | 5 tragédia(s) escrita(s)
Quinta-feira, Janeiro 29, 2009
A Equipa
É bom que, de uma vez por todas e sempre que possível, o nosso treinador (em quem eu continuo a acreditar, diga-se de passagem) se deixe de tretas e coloque esta equipa a jogar em todos os jogos. De preferência, em losângo.

Moreira, Maxi, Luisão, Miguel Vitor, David Luíz, Katsouranis, Rubén Amorim, Reyes, Aimar, Suazo e Cardozo.

Não temos melhor. Mas isto chega perfeitamente.
 
por Mavs às 03:58 | Link | 7 tragédia(s) escrita(s)
Segunda-feira, Janeiro 26, 2009
Corruptos e Mafiosos
Li na Tertúlia a transcrição das palavras do Paulo Assunção e acho importante repeti-las, nem que seja só para depois vermos que atenção a comunicação social dá às mesmas. Aposto que, como é hábito nos fraquíssimos jornalistas que temos neste quintal, ficam com um medinho tal que preferem ignorá-las. Não os censuro. Estamos a falar de gente com família e, presumivelmente, amor à vida.

"Disseram-me que se não renovasse até quarta-feira levaria um tiro num joelho. Perseguiram-me de carro, mas fui logo à polícia. O clube enviou uma pessoa a minha casa, mas não dava." (Paulo Assunção)

Pergunta depois o Pedro F. Ferreira se "percebem o motivo porque José Mourinho chama Palermo àquilo". Por mim, limitou-me a afirmar de que este tipo de coisas explicam apenas uma pequena parte do meu ódio àquele clube e àquelas pessoas. Perdão, animais.
 
por Mavs às 04:35 | Link | 14 tragédia(s) escrita(s)
Domingo, Janeiro 25, 2009
Sporting Clube do Porto
Estive deliberadamente à espera da actuação do árbitro no jogo de ontem entre o porto e o seu satélite para ver a reação dos responsáveis bracarenses (ou lá o que sejam) à arbitragem de que foram alvos. Estávamos todos a prever os chocolatinhos, não é essa a questão. O que importava, isso sim, eram as declarações de presidente e treinador a um golo em fora-de-jogo e 3 penalties por marcar a favor dos satélites. Em relação a esse "atrasado verbal de pastilha elástica muita grande e boca aberta ainda maior" que é o Jesus nada de novo: limitou-se a não arruinar o tacho que terá na próxima época. Já o súbdito Salvador foi mais esperto (o que, sejamos sinceros, não é propriamente um elogio quando a comparação é feita com o Jesus...). De facto, ao juntar as críticas deste jogo à vitimização brutal que fez aquando do jogo da Luz (em que foram prejudicados num golo em fora-de-jogo e, eventualmente, num (um!) penalty que ficou, (novamente...) eventualmente, por marcar) conseguiu amenizar a coisa. Lá aproveitou para dizer que "o Braga tem sido prejudicado nos últimos jogos" mas sem ter de apresentar queixas na procuradoria por este jogo como fez há duas semanas atrás.

Em relação aos lagartos, quero ver a reacção. Ou falta dela, neste caso. Sempre há uma possibilidade do flatulento lhes conceder um segundo-lugarzito. É coisa de pequeninos.

P.S.- Falando do que realmente importa, o Benfica. O jogo foi péssimo. Outra vez. Mas pior, pior foram as declarações de Quique no final do jogo. Ele tem de perceber que o seu estado de graça acabou: a equipa joga muito, muito mal, defende ainda pior e em termos tácticos leva 15-0 de um qualquer Jesus, Machado, Bento ou Ferreira. E o que decide ele fazer em relação a isto? Resposta: criticar aquele que é, de longe, o nosso melhor jogador. Diz Quique que o Reyes está mais preocupado em aparecer nas capas de jornais do que em ser decisivo, o que levanta necessariamente a questão de saber porque é que o treinador não critica, por exemplo, o Aimar, o Di Maria, o Suazo, o Nuno Gomes, etc. O que é que estes fizeram a mais do que o Reyes em toda esta época? Ao Jose Antonio, pelo menos, já o vi a marcar dois golos absolutamente geniais e decisivos. E se os adeptos do Benfica tiverem que optar entre estes dois espanhóis, parece-me que a escolha é demasiado fácil. É bom que todos percebam isso.
 
por Mavs às 17:15 | Link | 5 tragédia(s) escrita(s)
Sexta-feira, Janeiro 23, 2009
O 1.200
Caros Leitores,

Para aqueles que não sabem, a Ilíada Benfiquista foi eleita o blogue da semana pelo "Jornal do Benfica". Um momento destes permite grandes discursos, promessas de ousadia e agradecimentos vários. Os grandes discursos, por não dizerem directamente respeito ao Sport Lisboa e Benfica, podem ficar para outra altura. Ousados já somos q.b. Quanto aos agradecimentos, basta-nos um: a todos os leitores que, a bem ou a mal, por cá passam. É nossa convicção absoluta que nada disto seria possível sem vós.

É inegável que esta menção nos enche de orgulho. Mas é mais inegável ainda que esta menção só me fez gostar ainda mais do meu clube. Porque o blogue da semana é um blogue que diz bem, mas não sempre. Que aplaude, mas que também sabe assobiar. Que não tem pejo em defender aquilo em que acredita, mesmo que isso não sirva os interesses do seu clube. Um blogue, enfim, que não gosta, não acredita e não quer ganhar a qualquer custo.

Só um clube consciente da importância da liberdade de expressão, da capacidade de auto-crítica e da força da sua massa adepta seria capaz desta eleição. Porque valores destes não são para quem quer; são para quem pode.

Obrigado, Benfica!

A Ilíada Benfiquista
 
por JAS às 21:36 | Link | 11 tragédia(s) escrita(s)
Domingo, Janeiro 18, 2009
A Idade do Inocêncio
Depois do Benfica-Braga - e das respectivas atitudes incendiárias de alguns elementos para os quais o acto de mascar pastilha deve ser público e transmissível - recordei um professor universitário que ao ser confrontado, numa conferência, com a lembrança dos crimes perpetrados pela Santa Inquisição, resolveu agradecer ao interpelador, por demonstrar que é preciso recuar séculos para apontar um dedo - criminoso, pelo menos - à Igreja Católica.

A equiparação não necessita de esclarecimento. O futebol português tem cem anos e a grande mácula que é apontada, sucessiva, contínua e erroneamente ao Sport Lisboa e Benfica, o Glorioso, nestes cem anos, data de há meio século. Outros há, porém, cujas acções, bem mais recentes, remetem para realidades mais... seculares, como a do cinema, nomeadamente para películas que, pela extrema falta de qualidade, de valor e de interesse, foram exibidas e, a posteriori, esquecidas. Não será o caso. Nós recordaremos sempre o que alguns fizeram no Verão passado.
 
por JAS às 22:59 | Link | 7 tragédia(s) escrita(s)
Quinta-feira, Janeiro 15, 2009
Léo
No momento do seu adeus ao nosso clube, fica aqui a minha vénia a uns daqueles jogadores que, sendo estrangeiro, mais suou e sentiu esta gloriosa camisola. Léo foi o melhor defesa-esquerdo do Benfica da última década e, como é óbvio, a antítese completa (em qualidade e personalidade) de quem o substituiu. Eis a razão porque não posso deixar de criticar a direcção e o treinador por esta opção.
 
por Mavs às 21:05 | Link | 9 tragédia(s) escrita(s)
A Ironia e o Clube de Palhaços
Depois daquele clube ridículo de nome Sporting se ter insurgido, através dos seus patéticos dirigentes, contra a arbitragem de um jogo em que nem sequer intervieram, hoje ganham de forma absolutamente escandalosa beneficiando do mesmíssimo lance por que passaram uma semana inteira a chorar: um golo em fora-de-jogo. Quero ouvir agora o que aqueles grunhos com a mania que têm berço do não-sei-quantos Abreu e do Garção têm para dizer. De facto, a ironia é lixada. Com um "F" bem grande.
Para bem da credibilidade que já nem sequer têm, é bom que acabem, a partir de agora, com as suas tradicionais choradeiras. É que já ninguém leva estes lagartos a sério.
 
por Mavs às 02:02 | Link | 9 tragédia(s) escrita(s)
Quarta-feira, Janeiro 14, 2009
Olhanense - 5 Pedidos
1 - Comprem um lugar cativo ao Maradona.
2 - Ponham o Amorim no meio-campo.
3 - Se quiserem, renovem outra vez com o Miguel Vitor.
4 - Acabem com a discussão sobre uma possível titularidade do Moretto.
5 - Mandem imediatamente embora o Ribeiro. E não estou a dizer isto por ele ser um jogador absolutamente ridículo. Digo porque nos festejos do golo que marcou, resolve insultar os adeptos do Benfica. Se há quem o tenha desculpado numa primeira vez porque "ah e tal, ele foi dispensado do Benfica", hoje, simplesmente, não tem discussão. Para mim, acabou.
 
por Mavs às 22:08 | Link | 5 tragédia(s) escrita(s)
Liga Carlsberg
Depois de ter inflingido nova derrota ao clube que almeja treinar, aguardo com serenidade o pedido de desculpas de Manuel Machado. Pelo nevoeiro. Pelos golos marcados na baliza certa. Por tão infame vitória sobre o seu (sic) FC Porto.

Não se faz, Manuel. Não se faz.
 
por JAS às 19:40 | Link | 2 tragédia(s) escrita(s)
Terça-feira, Janeiro 13, 2009
Jesus, Jesus
Diz este senhor da palavra que "lutar pelo título, só se for na Playstation". Gostava de informar este atrasado verbal que a playstation - e todos os seus jogos - não têm equipas ridículas como o Braga, nem tão-pouco têm qualquer equipa que poderia, eventualmente, escolher este tipo para seu treinador. De facto, quem é que escolharia jogar com uma filial, ainda por cima do clube que é?
 
por Mavs às 01:04 | Link | 6 tragédia(s) escrita(s)
Segunda-feira, Janeiro 12, 2009
"Um dia, deixo de ser parvo"





Um dia, o Bruno Alves deixará de ser "pacífico". Os árbitros dos jogos do FC Porto terminarão a partida sem flexibilizarem o tempo extra. Jorge Jesus publicará a sua primeira "Gramática para Labregos". António Salvador aprenderá a soletrar "Calabote". Guarín desenvolverá capacidade cognitiva. Jesualdo perderá os dentes por falta de lavagem. Luis Sobral escreverá somente sobre jogos em que a bola seja jogada com a mão, nomeadamente basquetebol e o Sporting - Marítimo. Manuel Machado utilizará o termo "escaganifobética". Pedro Henriques engole o apito. Paulo Baptista cura o daltonismo, deixando de ver azul onde vê vermelho. O Jogo publicará uma análise imparcial. O Record passa a ser um jornal. Coroado despista os cães. Rui Santos vai vestir-se à Cenoura. Um golo em fora-de-jogo do Benfica deixa de ser o apocalipse.


Ontem não foi o dia.


 
por JAS às 19:50 | Link | 6 tragédia(s) escrita(s)
Palhaçada
Quem ouve e lê a comunicação social sobre o jogo de hoje, até parece que o Benfica não tem sido roubadíssimo (repito: roubadíssimo) nos últimos jogos. É incrível como ainda há pessoas - benfiquista, inclusive! - que pagam este lixo. Fomos beneficiados num golo em fora-de-jogo, sim senhor. O Penalty existiu (obstrução clara) e o Luisão toca na bola antes do contacto com o Mateus. Gostava de ter ouvido e lido a mesma indignação desta gente, por exemplo, no lance do Pedro Henriques. E isto só para falar no último jogo na Luz...
 
por Mavs às 02:15 | Link | 11 tragédia(s) escrita(s)
Quinta-feira, Janeiro 08, 2009
Revolta
Escolho o dia seguinte a um jogo em que ganhámos sem qualquer margem de discussão para expressar toda a minha revolta pelos últimos resultados e exibições do nosso clube. De facto, o Rui Costa fez muito bem em ter castigado aqueles meninos que se arrastaram na Trofa (ou lá que aldeiazeca seja essa) com o sleep over no Seixal. Os nossos jogadores são muito, muito melhores que 99% de todos os outros jogadores a jogarem em Portugal e por isso, resultados como aqueles contra Trofense e "Nacional + Pedro Henriques" são uma verdadeira vergonha dado que demonstram apenas aquilo que, enquanto adeptos do Benfica, não podemos tolerar: a falta de atitude.
Ontem, como vimos, a vitória surgiu naturalmente. Na realidade, tinha quase a certeza que iriamos ter este tipo de exibição: sempre que os nossos jogadores sentem que estão a ser postos em causa, aí sim, demonstram toda a sua qualidade. Ainda que não tenhamos feito o jogo perfeito, tivémos a competência para resolver o jogo. Ainda que nos tivésse sido perdoado um penalty, tivémos duas situações em que fomos claramente prejudicados pelo árbitro (o passe do Aimar para o Di Maria, na primeira parte, que foi assinalado fora-de-jogo com 3 jogadores adversários a porem-no em posição regular; o lance do Suazo que se isola, ganha posição, mas vê-lhe sido marcada uma vergonhosa falta ofensiva). Enfim, ainda que Quique continue à procura da melhor táctica, do melhor modelo de jogo e também dos melhores jogadores, aqueles que ontem arrumaram pela terceira vez em 5 meses o Guimarães chegam e sobram para vencer este campeonato. Basta é querer. Mesmo contra Pedros Henriques e outros clones do género.
 
por Mavs às 15:27 | Link | 10 tragédia(s) escrita(s)
Segunda-feira, Janeiro 05, 2009
Divagando
Para todos os leitores que nos acusam de só nos queixarmos das arbitragens, aqui vai mais um post sobre o tema:

Zé Diogo Quintela veio a terreiro escrever - com muita piada - que Pedro Henriques é o grande trunfo do Benfica para conquistar o título. Quando li, ri-me, mas, após várias mãos na consciência (daquelas do Manuel de Sá), apercebi-me que a lagartagem começa a compôr a estratégia. Até ao fim do campeonato, cada queixa, cada revolta, cada "basta!" serão interpretados como coacção. Não pelo FC Porto (que, no dizer de Jesualdo Ferreira, nunca falou de árbitros - o que se compreende, dado que não haverá, na perspectiva do Professor e do seu clube, adjectivos suficientes para elogiar o seu trabalho), mas pela Vassalagem (que ainda está a dever o Hélder Postiga e uma Taça de Portugal), useira e vezeira na arte calimera da lamúria (lamúria essa que, relembremos, estancou subitamente por alturas do Verão passado).

Confesso que, tendo crescido na lacticínia década de 90, nunca percebi o ódio ao Sporting. Não percebo como é que é possível odiar algo inofensivo. No fundo, é como odiar um ácaro: quando muito, pode fazer-nos comichão. No entanto, com o passar dos anos, fui percebendo a repugnância que o Sporting causa à mole benfiquista: afinal, se alguns donos enojam muita gente, certos rafeiros enojam muito mais.
 
por JAS às 15:00 | Link | 9 tragédia(s) escrita(s)
Óbvio
É óbvio que, com esta exibição, o Benfica "bateu no fundo". Foi mau demais para ser verdade. Digamos que foi ao nível do Bynia. De facto, ninguém conseguiu escapar, nem mesmo o Moreira. Mas também é óbvio que se não tivéssemos sido roubados pelo Pedro Henriques na jornada passada, ainda estaríamos em primeiro lugar. Mas isso, como é passado, tende a ser oportunamente esquecido por todos.

Por falar em erros óbvios, é óbvio o fora-de-jogo no golo do Trofense. Não foi por causa disso que perdemos o jogo mas também é bom que se saiba.
 
por Mavs às 01:30 | Link | 6 tragédia(s) escrita(s)
Sábado, Janeiro 03, 2009
Sole Mio
Sabem quem é Manuel Martins de Sá? Eu, por acaso, até sabia. Mas nunca prestei muita atenção. Alguém que escreve uma coluna intitulada "Sole Mio" num jornal desportivo está sujeito a uma sequência de desagradáveis remissões que em nada beneficiam o autor. Senão, vejamos: o termo, italiano, remete para futebol italiano, que, uma vez mais, remete para catennacio, que, finalmente, remeterá para tédio absolutamente insuportável. Assim mesmo, com advérbios e tudo.

Hoje, por acaso, calhei de botar olho na crónica do senhor. "Il campione d'inverno", palavras que compunham o título, remetiam para José Mourinho. E desde que abandonou o FC Porto (e depois de o ter comparado a Palermo), o Zé ganhou mais um fã deste lado da barricada. O que Manuel Martins de Sá, do alto do seu fato - certamente italiano - impecavelmente engomado, escreveu sobre Mourinho até fez sentido, embora não seja para aqui chamado.

Já a sua dissertação sobre o mérito cumpre analisar com cuidado. Como é do conhecimento geral, o mérito e o futebol não andam muitas vezes de mãos dadas. Muitos são os casos em que os vencedores não são os que batalharam arduamente pela vitória, mas aqueles que, como o Nacional, gostam de parquear o bus em frente à grande área. Uma espécie de catennacio, mas sem nível (ou não fosse pensado por um Chicharro). E essa ausência de mérito é, a meu ver, um dos encantos da bola. Confere-lhe imprevisibilidade. Emoção. Quiçá irracionalidade. A paixão - a verdadeira paixão - com que os adeptos vivem o seu clube é uma das poucas reacções genuínas - e humanas - que podemos encontrar na sociedade de hoje em dia. É egoísta, mas é-o honestamente. Sem adereços. Sem educações. Queremos ganhar e pronto. Como ideia genial que é, também o futebol - e a paixão futebolística - se explica em poucas linhas. E ninguém é menos respeitável por causa disso.

Pelo contrário. Quando um adepto de futebol, que vive o seu clube, que paga um bilhete a uma segunda-feira para, depois do trabalho, se deslocar a um estádio para assistir a um jogo do seu clube e, nesse jogo, se vê vergonhosamente roubado, o adepto, pessoa respeitável do dia-a-dia, reage. Não sei como é em Itália. Estou certo que um país que elege sucessivamente alguém como Berlusconi tenha costumes ainda mais brandos que os portugueses e esteja habituado a comer e calar, mesmo quando a roubalheira assume a forma de elefante num corredor de três metros.

Em Portugal, ou melhor, no Benfica, as pessoas diariamente respeitáveis continuam a sê-lo quando denunciam - e protestam - contra estas situações. E é por isso - não por estarem caladinhas, agindo como se nada fosse - que o são.

Por isso é que os exames de consciência sugeridos pelo Sr. Sá são para os que têm culpas no cartório. Para aqueles que são punidos com a perda de seis pontos e não recorrem. Para os que vão ao Brasil com os nomes do meio. E para os que organizam jantares de solidariedade para pessoas acusadas de corrupção. Não são para aqueles que têm razão e que pretendem defender-se de uma actuação dolosa e prejudicial.

Mais: no futebol, o mérito chama-se golo. E tem mais mérito quem marcar mais golos. O Benfica marcou um e, por isso, deveria ter ganho. O resto são balelas. Por isso, aconselhava Manuel de Sá a, antes de dissertar sobre o Benfica, pôr a mão na consciência e a perguntar-se que tipo de adepto aguenta a lentidão, a dureza e o tédio provocado por um qualquer jogo semanal na Liga Italiana? Tendo em conta o baixíssimo nível do espectáculo, só poderá ser, certamente, alguém irracional e masoquista. Esse mérito, ao menos, o Calcio terá: o de conseguir pôr gente a tragá-lo, apesar da sua fraquíssima qualidade, dos escândalos de corrupção e dos jogadores que esticam o bracinho, à alemã, para festejarem golos. Tudo gente respeitabilíssima, ressalve-se!

Ps. Jesualdo Ferreira resolveu fazer umas perguntas sobre Pedro Henriques, socorrendo-se da retórica professoral a que já nos habituou. Confesso que concordei com todas, aproveitando o momento para desenvolver as ditas: seria possível sabermos a nota de Pedro Proença naquele Sporting - Porto do ano passado? E a do árbitro que não viu o sidekick de Bruno Alves ao rapaz do Leixões? E a de Pedro Henriques quando assinalou o mergulho de Quaresma? Já agora, era possível saber se quem nomeia os observadores sempre é um ex-braço-direito do tentáculo-direito de Pinto da Costa? Aguardamos desenvolvimentos.
 
por JAS às 23:56 | Link | 11 tragédia(s) escrita(s)
Sexta-feira, Janeiro 02, 2009
Tananananananana (trauteio de música de strip)
"A vergonha é uma medida de segurança". Foi a razão apontada por Pedro Mexia para evitar a dança em discotecas, numa crónica curiosamente intitulada "Daquelas sem maminhas"*. Relembrei a citação ao ler a afirmação de Vitor Pereira, no DN de hoje, sobre os árbitros em Portugal. Em resumo, diz-nos o bom Vitor que "temos um quadro de árbitros de nível muito elevado", o que me remete imediatamente para dança. Mas da exótica: Vitor Pereira despiu-se de vergonha e resolveu esfregar as maminhas nas caras dos papalvos. E os papalvos gostaram, apesar da experiência anatómica nos dizer que o Vitor provavelmente estará munido de micro-glândulas repletas de uma penugem viril.

Claro que o problema não está nas maminhas. Pelo menos, não nas do Vitor Pereira. Mas depois do escândalo "Maddoff Henriques", ser capaz de sequer colocar a hipótese de juntar "árbitros" e "qualidade" na mesma frase é indicativo de que a vergonha não só já não é uma medida de segurança, como foi completamente banida da lei arbitral.

Qual é, então a solução? Francamente, não sei, mas tinha em mente um jantar de solidariedade. De preferência, no mesmo restaurante em que uma certa manada se juntou para prestar vassala... solidariedade ao Presidente do Conselho de Arbitragem (oh, espanto!) da AF do Porto (oh, admiração!) acusado de corrupção (oh, loucura!).

*Pedro Mexia, "Nada de Melancolia", ed. Tinta da China
 
por JAS às 09:18 | Link | 5 tragédia(s) escrita(s)