No meio de toda esta confusão gerada pela incompetência crónica de Lucílio Baptista, argumentos houve aos quais é impossível não fazer referência, sobretudo quando se prendem com justificações estapafúrdias de actos gravíssimos.
Quem não sente, não será filho de boa gente. Ora, eu não conheço os pais de Pedro Silva, mas tenho a certeza que, a julgar pela atitude do filho e à luz do critério atrás referido, serão pessoas fantásticas, o que não deixa de ser desapontante, já que, se Pedro Silva tivesse esmurrado Lucílio Baptista, poderíamos estar na presença de gente excepcional.
Infelizmente para nós, benfiquistas, portugueses e apreciadores de mortandade em geral, o jogador do Sporting ficou-se pela tradicional "peitada", técnica intimidatória amplamente utilizada pelo FC Porto nos idos tempos de Fernando Couto e companhia. E, tal como nos ditos tempos, técnica também insusceptível de penalização, em virtude da incapacidade latente da equipa de arbitragem para classificar o comportamento como "agressivo" e "violento".
Nisso, ao menos, o Benfica é exemplar: o único registo de agressão a um árbitro que conheço é o de um jogador cujo nome não recordo que, insatisfeito com uma decisão do boi preto, tomou a liberdade de lhe enfiar um murro nos cornos, atitude que deixou o senhor sem dentes e o jogador do Benfica sem jogar durante um ano. Bons tempos, esses, em que as regras ainda eram para todos e ainda havia homens no futebol (e não arremedos de anões calimeros como João Moutinho e modelos barrigudos com penteados de bicha chamados Miguel - sem apelido).
Não me espanta, por isso, que os adeptos sportinguistas não sejam capazes:
1) de se sentar;
2) de reconhecer que a atitude de Pedro Silva, tal como a de João Pinto na Coreia (pelos vistos, agredir árbitros é uma nova vertente de formação na Academia) é um atentado aos princípios mais basilares do futebol.
O elevado padrão moral sportinguista permitirá certamente justificar a agressão de Pedro Silva com a injustiça de que tinha sido alvo a versão
light do Rochemback. Estou em crer que a Comissão Disciplinar da Liga deve aceitar esta defesa, ipsis verbis. Quero, aliás, disponibilizar-me desde já para dar um parecer no qual defenderei que agredir terceiros é perfeitamente justificável e aceitável num Estado de Direito (no qual também se incluem, para grande espanto de adeptos e dirigentes portistas, os clubes de futebol), se tiver como objectivo descarregar frustrações pessoais e reparar injustiças. Qual Justiça, qual quê? A Lei de Talião é que é!
Ps. Mais a sério: recomendo 5, 7 ou 12 meses de suspensão para Pedro Silva. Ao menos, são números a que ele já vai estando habituado.