A Ordem dos Advogados faz-nos destas coisas. Acorda-nos a uma segunda de madrugada, depois de uma semana de estudo intenso (pausa para tossir), obriga-nos a acartar com toneladas de livros, para o coração de Chelas, para fazer um exame que determinará quanto mais tempo da nossa vida passaremos em regime de escravatura (mal) remunerada (quando o é). Como é óbvio, saído de um momento de puro masoquismo, nada como mais masoquismo para melhorar o humor. E foi assim que dei por mim a comprar o primeiro número da Playboy portuguesa.
Não querendo ser pouco cortês, a revista é, vá, do piorzinho que eu já tive oportunidade de ler nos últimos anos, em matéria de revistas (e de mulheres, já agora). Primeiro, porque falha naquele que é o seu primeiro propósito: mostrar mulheres nuas. A Mónica Sofia (pausa para arrepio na espinha) é mulher, sim senhor, e está nua, como as fotografias no interior poderão comprovar. Mas, tendo em conta que se trata da Playboy e não da versão feminina e heterossexual da Korpus, talvez fosse boa ideia colocar alguém, não sei, com outro cachet. Claro que era impossível copiar a revista mãe e pôr o equivalente português da Norma Jean na capa. Primeiro, porque não existe. Segundo, porque a Catarina Wallenstein tem demasiado nível para estas coisas. Se estivessemos a falar de futebol, seria como a diferença entre ter o Carlos Queirós ou o José Mourinho: lá porque o primeiro tem o curso de treinadores (vulgo mamas), isso não significa que possa treinar qualquer equipa. A das Quinas incluída.
Mas divago. Dizia eu que a revista falha também no seu segundo objectivo: apelar aos homens que compram a revista pelos artigos. O problema começa, aliás, quando nos apresentam os artigos. Um é escrito pelo Nuno Markl, uma espécie de Hugo Almeida do humor português. A coisa, em determinados campeonatos, nomeadamente no radiofónico, até vai funcionando. O problema é quando chega à Selecção. O homem remata, remata, remata, mas é só pólvora seca. Claro que ao pé da Ana Annes, com dois enes, Nuno Markl é goleador! Quem é Ana Anes, perguntam vocês? Também não sei bem. Mas, para terem uma ideia, imaginem a Mónica Sofia e o número dez: menos dez centímetros de altura, mais dez de largura e com uns bons dez anos em cima. Do currículo consta o livro "Sete anos de mau sexo". A julgar pela forma como descreve a cena com o barman, percebe-se porquê. Confesso que não consigo encontrar um equivalente futebolístico na Selecção Nacional... se ao menos o Queirós convocasse o Lobão!
O resto fala por si. Uma entrevista com o Costinha, esse portento do futebol português, outra com o Pacman, esse portento da música nacional e uma cena que envolve equídeos que me fez logo lembrar o Bruno Alves. Tal como nos jogos da Selecção, a melhor parte é, sem dúvida, o intervalo. Que, neste caso, são aquelas páginas com fotografias da Casa-Mãe, repletas de senhoras que onirizaram a minha adolescência.
Não haja dúvidas, porém, que esta será "uma inesquecível primeira", no que se equipara, uma vez mais, à Selecção "Nacional", dado ser a primeira vez, nos últimos cinco eventos internacionais, que Portugal não dirá "presente". Eu, diga-se em abono da verdade, estou satisfeitíssimo. Um Verão sem futebol significa um Verão sem bedum a couratos, sem nacionalismos bacôcos e sem festejos no Marquês. Um Verão sem patêgos, portanto.
Can't barely wait!