Às oito (bonito número) e quarenta e cinco, hora a que, creio, começou o massacre, estava eu calmamente recostado na cantina, comendo um steak au poivre. Pouco tempo depois, estava num bar, tragando um expresso. Durante todo este tempo, de nada soube. Avisaram-me das fatídicas notícias somente quando cheguei à residência.
Havia que proceder às formalidades. Havia que enterrar o fantasma dos penalties falhados do Cardozo. Enterrou-se. Os golos por marcar, à boca da baliza, pelo Aimar. Enterraram-se. Os jogos a ganhar um a zero, à rasquinha. Enterrados. A ideia de que o Bruno Carvalho (e o Azelha, por extensão) percebe de futebol. Não só se enterrou, como ainda levou umas pazadas. A ideia de que este campeonato vai ser facilmente ganho pelo FC Porto. Enterrado. Com honras de Estado. Pessoalmente, também enterrei uma tarde de 1962, quando o Benfica campeão europeu veio perder com esta... equipa e esta... equipa ousou levantar cartazes alegando ter ganho uma taça de Portugal ao campeão europeu. Mesquinho. Vulgar. Vingado.
Não sei se houve mais vítimas, pelo menos por enquanto. A colisão foi grande. Por mim, poderia sê-lo semanalmente, para que, no final do ano, conseguíssemos enterrar aquela vergonha que começa com p, acaba em a e não, não tem ut pelo meio, apesar de ter sido esse o alicerce de várias conquistas no passado.
Para derrubar os Aquiles e os Heitores







