É o título dum livro duma escritora russa, Anna Akhmatova, se não me falha o nome: só o sangue cheira a sangue. Nada mais. Também só o Benfica pára o Benfica. Quando joga mal, quando nem sequer joga, quando parece não querer ser campeão. Fomos infelizes na mesma proporção em que fomos felizes: os golos são os dois na própria baliza, ainda que o do David Luiz revele, apesar daquele corte estrondoso, o quanto aquele miúdo ainda precisa de crescer. Sobre o penalty do Cardozo, um pedido: alguém lembre ao senhor que quem levou o tiro foi o outro, não ele. É que, às vezes, um gajo fica um bocado na dúvida. E, se não ferir muito o ego do senhor, ponham lá o Saviola a marcá-los. A velocidade é muito gira e não sei quê, mas entre um Ferrari que se espeta a trezentos contra uma árvore e um Pólo que consegue fazer a curva, eu fio-me no Pólo. E, já que estamos em maré de ressaca, uma lembrança: que saudades, Simão. Que saudades.
Para os senhores que já têm os quatro dedos de uma mão no pénis e os outros quatro no teclado, basta-me dizer-vos – e reparem bem no pouco que é preciso para vos superar – que o fiscal de linha esteve extraordinariamente mal na segunda parte. Citando os senhores da Rádio, “cada cavadela, cada minhoca”. O golo é mal anulado ao Setúbal, sim senhor. Culpas, uma vez mais, do David Luiz. Mas reparem agora como voo ao vosso nível, que, por acaso, é mais baixo que o das moscas e ainda mais baixo que o da Red Bull Air Race, que os senhores não tiveram mãozinhas para agarrar (certamente pela ausência de polegares oponíveis) e evoco um lance que me ficou na memória. IFK Gotemburgo – Benfica, Liga dos Campeões, zero a zero no marcador. Paulo Madeira salta com um pinheiro que os suecos tinham plantado no meio da área. Como é baixo e possui uma inteligência dinâmica, que é como quem diz, está sempre em evolução, tendo na altura chegado ao neurónio e meio, salta com as mãos no ar. O pinheiro, miraculosamente, também se esforça para saltar, mas não é preciso muito. A bola, ao descer, bate na mão do Paulo Madeira. Penalty para o IFK e fim do jogo para o Benfica. Este problema de saltar com as mãos no ar é, ao que parece, exclusivo dos cepos, no que encaixou perfeitamente no perfil do Paulo. E do Zoro, by the way. Não teve tempo para desviar o ramo? Não saltasse com ele no ar. Pois, mas o problema é que, se não fosse assim, nem sequer saía do chão. Curiosamente, este lance aconteceu exactamente antes do golo mal anulado ao Setúbal. E, só para chatear, relembro ainda o do Di Maria. Que também é penalty (não para vós, mas enfim, não estou à espera de mais de quem carrega em botões para conseguir amendoins). Feliz ou infelizmente, à terceira foi de vez. Tenhamos a decência de admitir que só não ganhámos porque não quisemos. Porque só mesmo nós é que somos capazes de nos parar.
Não queria terminar sem dar os parabéns a dois intervenientes: ao Manuel Fernandes, pelo tom educado com que foi ao flash interview – dá gosto ver finalmente alguém a dar bom nome à ciganada, ainda que o gajo que lhe ligou depois do jogo devesse estar a fugir da ASAE, tal a rapidez com que deve ter visto o lance do Kardec; e ao Ruben Lima, pelo excelente corte efectuado, quando lhe teria sido tão simples deixar a bolinha passar. É um orgulho perceber que não andamos a fabricar delinquentes, nem gajos que falham penalty’s por ordem do covil-mãe. Não é, Leandro Lima?