
Regressado há uma semana ao País natal, deparo-me com o tradicional forrobódó futebolístico que a selecção de todos nós tem por hábito gerar, desta vez incrementado pela obsessão (homo)erótica que se apoderou duma nação incapaz de resistir à falicidade da vuvuzela. Notem que escrevi "falicidade" de propósito, ainda que alguns possam ser levados a ler, graças a quaisquer esqueletos que ainda balancem no armário, "felicidade". Adiante.
Ponto de honra: fiz, este ano, alguns amigos entre a espanholada, mas não era isso que me faria hoje torcer por Espanha, sobretudo tendo em conta o meu apreço pelo Prof. Carlos Queirós, especialista em terrorismo, guerrilha urbana e coletes reflectores. Aquele joguinho típico espanhol, a que os nossos comentadores chamaram "carrossel", mas que deveria ser apelidado de forma mais consentânea com aquilo que é na realidade, uma espécie de masturbação futebolístico-intelectual, se é que tais palavras podem ser hifenizadas, um catennacio a meio-campo, que só dá vontade de avançar para eles como eles avançam para os touros, de cutelo na mão, pronto a sacar dali umas alheiras, já que, relembro, é de cerdos que falamos, ainda que a imagem envolvesse touros, o que certamente humedeceu os vuvuzeleiros deste país (a propósito, para quando uma Marcha do Orgulho Vuvuzeleiro?), mas escrevia eu, aquele joguinho típico espanhol, capaz de destemperar um Mandela, irrita-me solenemente. Por isso, e porque o Eduardo não teve tempo de demonstrar o grande guarda-redes que realmente é, e que todos tivemos o prazer de conhecer naqueles quartos-de-final entre o Braga e o PSG, gostava que a Selecção tivesse passado à fase seguinte.
Como não passámos, gostava de dar o pontapé de saída da época em que o Sporting figurará nos anais por ficar a 28 pontos do líder pela segunda temporada consecutiva, travestindo-me do dito e calimerando um pouco sobre o jogo da selecção. Isto é, fomos roubados! Roubadíssimos. Certo, centímetros. Certo, massacre. Certo, Fábio Coentrão é o melhor lateral do Mundial. Nada disto está em causa: continuamos a merecer ter perdido, tal como o Zbordém mereceu ficar a 28 pontos (minto: deviam ter sido 30). Mas que Villa estava fora-de-jogo, lá isso, senhores, ninguém nos tira. Não percam tempo, tugas: ainda vamos a tempo de ser campeões do Mundo da choraminguice, categoria internacional na qual o Sporting poderia ter, efectivamente, alguma hipótese, não fora o facto de ter por hábito perder finais europeias para equipas como aquela que não é capaz de ganhar a um rival que conta nas suas fileiras com o Danny.
Sobre a venda de Di Maria, permitam-me uma frase que li recentemente num dos contos d'Os Grão-Capitães (não, não se trata do novo... vá, pronto, chamemos-lhe, com alguns engulhos, livro, de José Rodrigues dos Santos): isso é tudo cera seca. 25 é pouco, 30 é razoável, 36 - com Mourinho - é perfeitamente plausível. Paciência, senhores, e cotonetes. É tudo aquilo que nos falta.




