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Quinta-feira, Março 01, 2012
'Da-se, que este e dos longos

Tenho sempre vontade de voltar nas vesperas de jogos com o Foculporto. Estou em crer que me impele mais o imperativo etico (esquecam a filosofia) de contribuir para o combate a uma (alegada) corrupcao que uma real vontade de escrever sobre futebol. Sera esta a diferenca entre o classico e o derby. No derby, falamos sobretudo de bola. No classico, esse costuma ser o tema menos frequente. Nao e por acaso. Basta uma passagem pelos principais blogues portugueses para compreender que a natureza do classico e mais do foro criminal que do desportivo. Nos, os benfiquistas, nao nos cansamos de sublinhar as escutas e toda a gastronomia envolvente. Os adeptos do Foculporto nao se cansam de nega-las. Perdao, erro. Negacao nunca houve realmente (excepto por parte de um ou outro lunatico com surdez profunda). O que se le, normalmente, sao retaliacoes baseadas em duvidosos conhecimentos de Historia (ah, o Estado Novo ao servico do desporto!) e tentativas – bem sucedidas – de denegrir a personalidade de terceiros que tiveram a audacia de, imagine-se, aplicar a lei.

Reconheco, compreendo e tolero a irracionalidade, a que alguns chamam “paixao”, que rodeia os acontecimentos futebolisticos. Costumo, alias, dizer que os jogos do Benfica sao os meus noventa minutos de barbarie semanal, sem a qual, bem entendido, padeceria de uma sociopatia ainda mais exacerbada. Ainda assim, e inevitavel a imposicao de limites. Os meus estao na legalidade. Especifico: nao na legalidade do jogo per se. Aceito ocasionalmente golos marcados com a mao, foras-de-jogo mal assinalados, amarelos e vermelhos esquecidos, desde que a intencionalidade fique de fora. Abomino a ideia de higienizar um jogo com “novas tecnologias”. A falacia da “verdade desportiva” deve continuar a ser um exclusivo de desportos de emocao contida e calculada como o tenis e o rugby.

Todavia, a intencionalidade, e tudo aquilo que diga respeito a legalidade para alem do jogo, ultrapassa os meus limites. O que se viu em Coimbra foi um exemplo. E muito complicado acreditar – ainda que, para efeitos de um processo judicial, tal seja possivel – que tudo aquilo tenha sido apenas fruto de absoluta incompetencia, nao so de quem apitou, mas sobretudo de quem deixou apitar. E por isso que nao discuto com adeptos portistas. Nao tanto para evitar descer ao seu nivel (sera que alguem sabe realmente que nivel tem um protozoario?), mas para evitar entrar em territorios que so nao sao inospitos porque la costumam habitar os adeptos do Foculporto. Refiro-me a uma dimensao de legalidade paralela onde a prova se refuta, ou pela ausencia de discussao, ou pelo ataque pessoal rasteiro. E uma dimensao que pretence naturalmente ao dominio do fantastico, mas, curiosamente, nao ao do insano. Os adeptos do Foculporto, ao contrario do que gostam de fazer crer, sao perfeitamente imputaveis, no sentido em que sabem distinguir o que e social e legalmente correcto e o que nao o e.  

Como agir, portanto, com quem aceita comportamentos alegadamente a margem da lei? Ja que quem a executa se eximiu, por razoes exclusivamente formais, de faze-lo, impoe-se-nos, dentro de campo, restabelecer os limites necessarios a pratica de um futebol desportivamente imperfeito, mas legal e eticamente sao. Para isso, mais do que vencer, e fundamental massacrar. Porque o que uma vitoria conquista, um massacre regenera. 
 
por JAS às 13:15 | Link |


4 Comments:


At 01/03/2012 13:31:00, Blogger lawrence

'Da-se, que este é dos bons!"

 

At 01/03/2012 16:51:00, Blogger Ricardo

Excelente texto, JAS. Bem-vindo da longa ausência.

Abraço. O massacre é já seguir.

 

At 01/03/2012 20:34:00, Anonymous Pedro Bouças

Tu és o maior! MASSACRÁ-LOS. APOSTO NUM 3 a 0. COM ELES A DESESPERAREM PARA QUE O JOGO CHEGUE AO FIM.

 

At 14/03/2012 14:53:00, Blogger mrmg

Mais uma bicada factual

http://aminhachama.blogspot.com/2012/03/revisao-da-materia-dada.html