É por isso que não percebo - e não me agrada - esta obsessão com Angola. Nota prévia: não confundo Angola com os angolanos. Percebo, admito e respeito que aqueles que nada têm ganhem alguma coisa a ver o Benfica. Mesmo aqueles que, como eu, têm tudo (e tudo, aqui, só se refere ao essencial) ganham sempre algo mais. Mística, glória, magia, enfim, chamem-lhe o que bem entenderem. O que a mim me revolta é o beija-mão à Angola que tem como homem mais rico do País o (eterno) presidente, logo seguido de uns quantos políticos e militares; à Angola que reprime, à lei da bala, manifestações contra o presidente; à Angola que sustenta as lojas de Lisboa, e compra bancos portugueses enquanto os angolanos morrem de fome lá na terra; à Angola que permite a censura em Portugal; etcetera, etcetera, etcetera. Esta não é a génese do Benfica. O Benfica não pode permitir ou tolerar que a sua história seja emporcalhada por ligações gente desta. E muito já se passou. Por muito curta que seja a minha memória, nunca me esqueci - e nunca me esquecerei - daquela historieta dos troféus. Vocês já?
Não sou o primeiro a dizer isto. Não serei, certamente, o último. Que o Benfica necessite de investimento, compreendo. Que as necessidades financeiras actuais exijam diplomacia em vez de frontalidade, tolero. Que o Benfica se amancebe com regimes questionavelmente democráticos, lamento, mas recuso-me a aceitar. Por isso escrevi, no post abaixo, que, das dezenas de boas razões para não ir a Angola, o Benfica tinha escolhido a menos relevante de todas elas. Perdem os de sempre: os angolanos. É, honestamente, uma pena.



