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Quinta-feira, Julho 19, 2012
A dimensão moral

Não ousa a minha vã filosofia tentar compreender em que meandros obscuros se move o futebol português. Creio ser necessário passar primeiro por um processo de degradação moral contínua para conseguir ver a floresta onde agora só vislumbro algumas árvores, caminho que prefiro não percorrer. Dito isto, não posso deixar de expressar o meu significativo desapontamento com a decisão de hoje do Conselho de Justiça, não tanto por ter sido este o órgão decisor, mas por ter resultado a decisão de um recurso da direcção do Benfica. Um recurso que, a meu ver, e tendo em conta as árvores que vislumbro, me parece absolutamente errado e que tenho dificuldades sérias em compreender à luz de uma perspectiva moral e financeira. A meu ver, só duas decisões justificam este recurso: continuar a copiar a dúbia política de empréstimos que se pratica noutro lado; ou encher bandulhos financeiros com comissões cobradas por compras de refugo sul-americano (com uma ou outra excepção) que elevou o número de jogadores do Benfica sob contrato para perto de 60, se não erro.

A discussão em torno do jogador português, para o qual nos estamos cagando há décadas, é completamente falsa. Nenhum dos grandes pretende utilizar os jogadores que lá tem e que lá forma. Primeiro, porque não tem tempo, nem dinheiro, para fazê-los crescer. São necessários resultados rápidos que não se compadecem com processos de aprendizagem e amadurecimento, processos esses que a diferença abissal da transição juniores-seniores requer. Não é por acaso que o único clube dito grande que produziu gente com nível nos últimos anos é o que está numa situação financeira aflitiva que o tem impedido de comprar passes de gente com qualidade. A outra razão, suspeito eu, prende-se com as comissões que os jogadores portugueses não darão a terceiros, por não ser preciso negociá-los, sobretudo aqueles formados no próprio clube. Assim sendo, a única situação em que o jogador português será favorecido em relação aos paquetes de sul-americanos que atracam anualmente em Portugal será quando todos os clubes se encontrarem na penúria em que se encontra o Sporting. É uma pena que tenhamos tão ingenuamente caído na armadilha, se é que não nos deixámos cair. De ora em diante, quando quisermos queixar-nos de que os empréstimos vieram substituir as mercearias, teremos sempre alguém que nos relembre que eles só continuam a existir graças a nós. Lembremo-nos disto quando voltarmos a encher a boca para falar de “verdade desportiva”. De nada nos serve invocar a dimensão moral se não passarmos de pacóvios moralistas.  
 
por JAS às 20:47 | Link |


1 Comments:


At 30/07/2012, 16:24:00, Anonymous Águia Eterna

Caro amigo BENFIQUISTA, tens ABSOLUTA RAZÃO. Nesta questão dos empréstimos, o L.F. Vieira, só confirmou que de facto é um VULGARÍSSIMO TÓTÓ..

BENFICA, SEMPRE.... O MAIOR E O MELHOR.