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Sexta-feira, Junho 29, 2012
360€ por um cativo?
Vão roubar para a estrada!!!

Enviei isto para o Benfica, fico à espera de resposta:

"Recebi ontem o aviso da renovação do Red Pass e não posso deixar de mostrar estranheza e desagrado pelo violento aumento de preço (310€ para 360€), ou seja, superior a 16%
Numa altura de profunda recessão económica o produto "futebol" é um verdadeiro luxo.
Este tipo de comportamento por parte do Benfica só contribui para uma quebra ainda mais acentuada na assistência aos jogos (a que já se assistiu na época passada), para além de ser um claro contrasenso na medida em que o slogan do Red Pass é "a força de estar presente".

A título de exemplo, pelo valor do Red Pass (18 jogos), posso pagar um ano de Sportv...
É esta escolha que pretendem encorajar?"
 
por Jota às 09:58 | Link | 29 tragédia(s) escrita(s)
Sexta-feira, Junho 08, 2012
FJV
Aprecio Francisco José Viegas, o literato. Aprecio Francisco José Viegas, o político. Ignoro Francisco José Viegas, o morcão. Até ao momento em que o morcão espanca o literato, compra o político e vem marchando sorridente para Lisboa. Viegas não precisa de demitir-se: já não lhe resta um grama de credibilidade, o que o torna perfeito para a função. Nesse aspecto, entre ele e Miguel Relvas não há qualquer diferença, o que, para alguém com o seu percurso intelectual, deveria ser o pior dos insultos. Não é. Como o próprio disse: é só uma crónica.

 
por JAS às 21:58 | Link | 0 tragédia(s) escrita(s)
Da ida a Angola (II)
Diz-se do Benfica que foi o clube do Regime, na esperança de que uma mentira contada muitas vezes adquira laivos de verdade, mas a história demonstra que, ainda Portugal marinava na ditadura e já o Benfica tinha eleições democráticas. Em confrontos com rivais, aquilo de que muitos benfiquistas mais dizem orgulhar-se é das raízes modestas do clube. Um Estádio construído com os sócios e pelos sócios. Um clube que é bem sucedido onde outros falham: nascendo pequeno, cresceu além regiões, além classes, até ser maior do que o País onde nasceu. 

É por isso que não percebo - e não me agrada - esta obsessão com Angola. Nota prévia: não confundo Angola com os angolanos. Percebo, admito e respeito que aqueles que nada têm ganhem alguma coisa a ver o Benfica. Mesmo aqueles que, como eu, têm tudo (e tudo, aqui, só se refere ao essencial) ganham sempre algo mais. Mística, glória, magia, enfim, chamem-lhe o que bem entenderem. O que a mim me revolta é o beija-mão à Angola que tem como homem mais rico do País o (eterno) presidente, logo seguido de uns quantos políticos e militares; à Angola que reprime, à lei da bala, manifestações contra o presidente; à Angola que sustenta as lojas de Lisboa, e compra bancos portugueses enquanto os angolanos morrem de fome lá na terra; à Angola que permite a censura em Portugal; etcetera, etcetera, etcetera. Esta não é a génese do Benfica. O Benfica não pode permitir ou tolerar que a sua história seja emporcalhada por ligações gente desta. E muito já se passou. Por muito curta que seja a minha memória, nunca me esqueci - e nunca me esquecerei - daquela historieta dos troféus. Vocês já?

Não sou o primeiro a dizer isto. Não serei, certamente, o último. Que o Benfica necessite de investimento, compreendo. Que as necessidades financeiras actuais exijam diplomacia em vez de frontalidade, tolero. Que o Benfica se amancebe com regimes questionavelmente democráticos, lamento, mas recuso-me a aceitar. Por isso escrevi, no post abaixo, que, das dezenas de boas razões para não ir a Angola, o Benfica tinha escolhido a menos relevante de todas elas. Perdem os de sempre: os angolanos. É, honestamente, uma pena. 
 
por JAS às 20:49 | Link | 0 tragédia(s) escrita(s)
Da ida a Angola (I)
Ha dezenas de boas razoes para nao ir a Angola. O Benfica conseguiu escolher a menos relevante de todas. Sobre Francisco Jose Viegas, falamos mais tarde.
 
por JAS às 12:32 | Link | 6 tragédia(s) escrita(s)
Terça-feira, Junho 05, 2012
Da Selecção

Dizemos “máfia” sem sabermos bem o que dizemos. Na investigação que conduziu ao maxi-processo de Palermo, um dos mais importantes julgamentos que teve lugar em Itália no contexto da luta anti-máfia, o juiz Giovanni Falcone, um herói pessoal, inquiria um “pentito” sobre a máfia siciliana e sobre os seus membros, os “mafiosi”. O “pentito” respondeu que a palavra “máfia” era uma fabricação da imprensa. O termo correcto para a organização criminosa siciliana era “Cosa Nostra”. O termo “mafiosi” também era inexistente. Existiam apenas “uomini di onore”. Homens de honra. É uma designação contraditória e incomodativa. A honra não costuma dar a mão a criminosos. Neste caso específico, “honra” adquire um sentido naturalmente equívoco. Honra para com os outros membros. Honra para com a causa. Acima de tudo, honra como sentimento de dever, de protecção dos seus. Homens de honra. Por oposição a homens honrados. Como Falcone e Borsellino, assassinados pouco tempo depois. Ou, a um nível bastante inferior, mas igualmente importante, Cesare Prandelli, actual selecionador italiano. Que fez Prandelli? Perante mais um escândalo no futebol italiano, que afectou, inclusivamente, a equipa nacional, Prandelli não se fez rogado: se achassem por bem, a Selecção italiana não iria ao Euro. Graça. Mercê. Honradez.

Em Portugal não se passou nada semelhante. Um ex-selecionador indicou que um presidente de um clube influencia (atenção ao tempo verbal) as escolhas de jogadores para a equipa nacional. Pura rotina. O País e, acima de tudo, os seus cidadãos, lutam contra o estrangulamento financeiro, enquanto a Selecção se qualifica em primeiro no ranking das que mais gastam no Europeu. O único primeiro lugar, diga-se, a que esta selecção pode aspirar, tendo em conta o triste espectáculo que se viu com a Turquia. Da Federação, nem uma palavra. Dos órgãos de soberania, apenas silêncio. Naturalmente: a democratização do futebol, apenas permitida pelos jogos da Selecção Nacional, serve propósitos óbvios numa altura de crise aguda. No final, haverá distribuição de prémios milionários por conquistas medíocres, como é, aliás, habitual. O único escândalo do futebol português é precisamente a ausência de escândalos. Corrijo: escândalos até podem existir. Culpados, nunca. É por isso que, quando me perguntam por que razão me recuso a apoiar a Selecção Nacional, a resposta é simples: francamente, já não distingo os homens honrados dos homens de honra.

 
por JAS às 22:49 | Link | 3 tragédia(s) escrita(s)