origem
Terça-feira, Julho 31, 2012
Out there
Parece-me um pouco extremo... termos tantos extremos (Salvio, Ola John, Gaitán, Enzo Perez, Bruno César, Djaló, Nolito, Melgarejo).
É vergonhoso e incompreensível o grosso da verba para reforços ser gasta numa posição que está longe de estar fragilizada, não estando a qualidade de Ola John ou de Salvio em causa.
Assim, com este aparente "músculo financeiro",não se percebe porque é que as laterais defensivas estão a ser tão grosseiramente negligenciadas.
 
por Jota às 15:24 | Link | 2 tragédia(s) escrita(s)
Domingo, Julho 22, 2012
Um poema que alguém no Benfica deveria ler. Rapidamente.
Ozymandias, Shelley

I met a traveller from an antique land
Who said: "Two vast and trunkless legs of stone
Stand in the desert. Near them on the sand,
Half sunk, a shattered visage lies, whose frown
And wrinkled lip and sneer of cold command
Tell that its sculptor well those passions read
Which yet survive, stamped on these lifeless things,
The hand that mocked them and the heart that fed.
And on the pedestal these words appear:
`My name is Ozymandias, King of Kings:
Look on my works, ye mighty, and despair!'
Nothing beside remains. Round the decay
Of that colossal wreck, boundless and bare,
The lone and level sands stretch far away
 
por JAS às 21:48 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
Quinta-feira, Julho 19, 2012
A dimensão moral

Não ousa a minha vã filosofia tentar compreender em que meandros obscuros se move o futebol português. Creio ser necessário passar primeiro por um processo de degradação moral contínua para conseguir ver a floresta onde agora só vislumbro algumas árvores, caminho que prefiro não percorrer. Dito isto, não posso deixar de expressar o meu significativo desapontamento com a decisão de hoje do Conselho de Justiça, não tanto por ter sido este o órgão decisor, mas por ter resultado a decisão de um recurso da direcção do Benfica. Um recurso que, a meu ver, e tendo em conta as árvores que vislumbro, me parece absolutamente errado e que tenho dificuldades sérias em compreender à luz de uma perspectiva moral e financeira. A meu ver, só duas decisões justificam este recurso: continuar a copiar a dúbia política de empréstimos que se pratica noutro lado; ou encher bandulhos financeiros com comissões cobradas por compras de refugo sul-americano (com uma ou outra excepção) que elevou o número de jogadores do Benfica sob contrato para perto de 60, se não erro.

A discussão em torno do jogador português, para o qual nos estamos cagando há décadas, é completamente falsa. Nenhum dos grandes pretende utilizar os jogadores que lá tem e que lá forma. Primeiro, porque não tem tempo, nem dinheiro, para fazê-los crescer. São necessários resultados rápidos que não se compadecem com processos de aprendizagem e amadurecimento, processos esses que a diferença abissal da transição juniores-seniores requer. Não é por acaso que o único clube dito grande que produziu gente com nível nos últimos anos é o que está numa situação financeira aflitiva que o tem impedido de comprar passes de gente com qualidade. A outra razão, suspeito eu, prende-se com as comissões que os jogadores portugueses não darão a terceiros, por não ser preciso negociá-los, sobretudo aqueles formados no próprio clube. Assim sendo, a única situação em que o jogador português será favorecido em relação aos paquetes de sul-americanos que atracam anualmente em Portugal será quando todos os clubes se encontrarem na penúria em que se encontra o Sporting. É uma pena que tenhamos tão ingenuamente caído na armadilha, se é que não nos deixámos cair. De ora em diante, quando quisermos queixar-nos de que os empréstimos vieram substituir as mercearias, teremos sempre alguém que nos relembre que eles só continuam a existir graças a nós. Lembremo-nos disto quando voltarmos a encher a boca para falar de “verdade desportiva”. De nada nos serve invocar a dimensão moral se não passarmos de pacóvios moralistas.  
 
por JAS às 20:47 | Link | 1 tragédia(s) escrita(s)
De todos, (escolheu) um.
Às dezasseis horas e dezasseis minutos de terça-feira (momento em que é feito o primeiro comentário), o onze escolhido pelos adeptos do Benfica, e anunciado na página oficial do Facebook do Benfica, era este:

Mika, Luisão, Luisinho, Miguel Vitor, Maxi, Ola John, Carlos Martins, Aimar, Melgarejo, Hugo Vieira e Cardozo. 


Às vinte e três horas de terça-feira (momento em que é feito o primeiro comentário), o onze escolhido pelos adeptos do Benfica, e anunciado na página oficial do Facebook do Benfica, era este: 

Mika, Luisão, Luisinho, Miguel Vitor, Maxi, Ola John, Carlos Martins, Aimar, Melgarejo, Hugo Vieira e Cardozo. 


Às vinte horas de quarta-feira, o onze anunciado no site oficial do Benfica foi este:

Paulo Lopes, Luisão, Javi Garcia, Rodrigo Mora, Maxi, Ola John, Carlos Martins, Nico Gaitan, Garay, Melgarejo e Saviola.
Da tarde para a noite de terça-feira, não mudou um único jogador. A equipa estava feita para jogarem aqueles que quem vai ao Estádio, e convive com benfiquistas, sabe serem os favoritos: as esperanças, os jogadores adquiridos recentemente, os portugueses e os insubstituíveis. De terça para quarta, não encontrei mais nenhum anúncio relativamente à equipa escolhida pelo Benfica "até ao momento". Às vinte horas, o Benfica anuncia, na sua página oficial do Facebook, um onze "escolhido por todos vocês", onde figuram Paulo Lopes em vez de Mika, Rodrigo Mora, Nico Gaitan e Saviola, num total de seis "substituições" relativamente ao onze anunciado "até ao momento" no dia anterior. Dos cinco portugueses, ficaram dois, como é, aliás, habitual. Mais estranha ainda é a troca de guarda-redes, a inclusão de Mora, que nada fez para justificar, até agora, qualquer tipo de preferência (Hugo Vieira é português e isso chega para muitos adeptos) e, acima de tudo, a de Nico Gaitan. Votaram nele, certamente, os benfiquistas que só tiveram acesso aos jogos da Liga dos Campeões da época passada. Não vale sequer a pena falar da ausência de Aimar, a única que talvez se justificasse por eventual lesão do jogador.

Para votar, era preciso telefonar. Segundo percebi, a chamada era paga. Até pode ser que os amigos desta gente tenham ligado ininterruptamente durante vinte horas para garantir que certos jogadores eram seleccionados. Mas é uma mudança de opinião bastante repentina e, em alguns casos, ligeiramente estranha.

A propósito, ainda não recebi nenhuma resposta do Benfica ao meu e-mail questionando o preço dos cativos. Alguém recebeu? É uma pergunta de retórica, mas sintam-se à vontade para responder.

 
por JAS às 07:45 | Link | 4 tragédia(s) escrita(s)
Sexta-feira, Julho 06, 2012
Tottenham
KEN (looking at a surreal Bosch painting): It's Judgment Day, you know?
RAY: No. What's that then? 
KEN: Well, it's, you know, the final day on Earth, when mankind will be judged for the crimes they've committed and that. 
RAY: Oh. And see who gets into heaven and who gets into hell and all that.
KEN: Yeah. And what's the other place?
RAY: Purgatory.
KEN: Purgatory... what's that? 
RAY: Purgatory's kind of like the in-betweeny one. You weren't really shit, but you weren't all that great either. Like Tottenham. 

[Brendan Gleeson e Colin Farrell, Em Bruges, 2008, de Martin McDonagh]


Daqui.
 
por JAS às 23:40 | Link | 2 tragédia(s) escrita(s)
Terça-feira, Julho 03, 2012
Da arte de pedir um porco e dar um chourico
Enviei um e-mail ao departamento de socios do Benfica. Nao tenho cativo, mas achei necessario faze-lo. Nao falei em rasgar cartoes, em deixar de ser socio, em cortar na despesa da equipa de futebol. Propus o que li nos varios blogues benfiquistas. Perguntei por que razao nao se pode escalonar o pagamento do red pass, com um eventual desconto a quem o faca de imediato, por inteiro. Perguntei por que razao nao se da acesso, por aqueles precos, aos jogos da Taca de Portugal e aos jogos das modalidades. Perguntei, enfim, por que razao a estrutura administrativo do Benfica parece estar tao alheada da realidade economica do Pais e, sobretudo, das dificuldades financeiras que atingem parte - ou a totalidade, nao sei - dos seus associados. Pedi que, caso nao houvesse possibilidade de fazer absolutamente nada, que, ao menos, se fornecessem explicacoes. Nao desculpas: explicacoes. Indicacoes de que varios caminhos foram seguidos, mas que, infelizmente, nenhum era, por exemplo, financeiramente viavel. E que, no minimo, se pedisse desculpa pelo aumento de precos. Sem divorciar a culpa. 

Exorto-vos a fazerem o mesmo. Sem insultos. Sem ameacas. Um e-mail, um telefonema, uma coisa simples e directa a dizer: nos queremos saber porque. Ja tentaram isto? Ja tentaram aquilo? Se sim, qual foi o resultado? Os ingleses tem uma palavra que eu adoro: accountability. A traducao mais fiel e "responsabilidade", que nao significa bem a mesma coisa. Quer dizer supervisionar, estar em cima de, no fundo, responsabilizar, mas de forma um bocadinho mais suave (nao nos resultados, mas nos meios). Se os departamentos do Benfica nao sao suficientemente, digamos, proactivos para resolver a questao, cabe aos socios faze-lo. Com e-mails. Telefonemas. Reclamacoes directas. E ate, por que nao?, sugestoes. Nao temos tempo? Nao vale a pena? Nao da em nada? Vale sempre a pena. Dezenas de chamadas. Centenas de e-mails. Milhares de reclamacoes. Farao todos a diferenca. Se nao agora, talvez mais tarde. Mas farao a diferenca. Nao nos acirremos so em periodos eleitorais ou em finais de campeonato. Se o Benfica insiste em tratar-nos como clientes, compete-nos recordar a estrutura administrativa do Benfica que o cliente tem sempre razao. Por isso, quando vos derem uma resposta, leiam-na com cuidado. E, caso nao vos satisfaca, pecam mais explicacoes. Se necessario, por telefone. Moam, moam, moam, quantas vezes for preciso. Esta porcaria nao se vai mudar sozinha. E o Benfica, recordemo-nos sempre, somos nos. 
 
por JAS às 10:40 | Link | 7 tragédia(s) escrita(s)